Carolina Corrêa
O segundo dia começou antes do sol.
Acordei com o despertador às cinco e meia, o mesmo horário que eu obedecia no convento havia anos. Por alguns segundos, ainda de olhos fechados, esperei ouvir o sino chamando para a oração da manhã. O corredor comprido. Os passos contidos. O silêncio partilhado.
Mas havia apenas o som distante de carros passando e o teto branco do apartamento em Cambridge.
Sentei-me na cama devagar, como se qualquer movimento brusco pudesse despedaçar o pouco