O mar é a primeira coisa que vejo quando o jato começa a descer, vasto, azul profundo, batendo contra falésias douradas sob o sol da Sicília. Não é o cinza pesado de Moscou, não há neve, não há gelo, apenas calor e luz demais para alguém acostumada ao inverno.A Itália não parece fria, mas também não parece gentil.Quando a porta do avião se abre, o ar quente me envolve de imediato, trazendo cheiro de sal, limão e terra aquecida. É um contraste violento com a Rússia, e, por um segundo, sinto como se estivesse respirando outro mundo.Lorenzo desce primeiro, ajustando o paletó com um movimento automático, seguro, como se cada passo dele pertencesse àquele território. Ele não me oferece a mão, apenas para no último degrau e espera, observando.Eu desço sozinha.O comboio já está posicionado na pista privada, carros pretos alinhados, homens armados à distância, postura rígida, silêncio absoluto. Não há curiosidade, não há cochichos. Apenas vigilância.A viagem até a mansão Moretti acontec
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