Capítulo 8 — Anya

O silêncio que se seguiu à partida de Lorenzo no jardim foi cortante. Observei suas costas largas sumirem na direção da mansão, sentindo um misto de alívio e pavor. 

Ele não me rejeitou. Ele comprou meu segredo, mas o preço... o preço era pertencer a um homem que cheirava a perigo e poder absoluto.

Respirei fundo, sentindo a pontada aguda na costela me lembrar que eu ainda estava em solo inimigo. Minha casa. Minha prisão.

Quando entrei no salão principal, meu pai estava de pé, observando a neve cair pela janela. Os convidados já haviam se dispersado para o jantar, restando apenas o eco da nossa desgraça familiar entre aquelas paredes de ouro.

— O que o italiano queria em particular? — a voz de Viktor soou como o estalar de um chicote.

Ele se virou, os olhos frios me revistando em busca de qualquer sinal de traição. Mantive o queixo erguido, usando cada gota de força que Nikolai me ensinou para não vacilar.

— Ele queria saber se eu estava de acordo com o casamento — respondi, minha voz saindo mais estável do que eu me sentia. — Queria saber se eu cumpriria meus deveres como uma Moretti.

— E o que você disse?

— Disse que sim. Que estava tudo certo. Que eu entendo o meu lugar nesta aliança.

Meu pai me estudou por um longo minuto. Eu podia ver as engrenagens de sua mente doentia girando. Por fim, ele soltou um suspiro de satisfação que me deu náuseas.

— Finalmente você fez algo de bom, Anya. Pelo menos serve para garantir a paz que eu construí. — Ele deu um passo à frente, e eu precisei de todo o meu autocontrole para não recuar. — Vou liberá-la do castigo. Pode voltar para o seu quarto essa noite, mas não se engane: não tente nenhuma tolice. Kira ainda está sob minha guarda, e o acordo só termina quando você estiver grávida de um herdeiro italiano.

— Entendido, pai.

Eu estava prestes a subir as escadas quando a porta da frente se abriu. Lorenzo estava de saída, acompanhado pelo seus dois cães de guarda. Ele parou no portal, a moldura da luz externa criando uma aura sombria ao seu redor.

Seus olhos encontraram os meus por cima do ombro do meu pai. Ele não sorriu. Lorenzo nunca parecia sorrir. Mas havia algo em seu olhar que me fez sentir, pela primeira vez em anos, que eu não era apenas uma ferramenta.

— Anya — ele chamou, sua voz profunda ecoando pelo salão, chamando a atenção de Viktor.

— Sim?

— Espero por você no altar em duas semanas — ele disse, e então seus olhos se desviaram para o meu pai com uma intensidade predatória. — Eu a quero inteira e bem até lá, Morozov. 

O ar no salão pareceu congelar. Meu pai tensionou os ombros, a confusão e a fúria cruzando seu rosto. O recado foi um golpe direto. Implícito, mas letal. Lorenzo sabia. E ele acabou de colocar um escudo invisível ao meu redor.

Lorenzo inclinou a cabeça brevemente e saiu, fechando a porta com um estrondo final.

Viktor permaneceu estático, olhando para a porta e depois para mim.

— O que ele quis dizer com isso? — ele rosnou, a desconfiança brilhando em seus olhos.

— Acho que ele apenas preza pelo que pagou, pai — respondi com um sorriso gélido que eu não sabia que possuía. — Afinal, o senhor sempre diz que eu sou apenas um negócio. E Lorenzo Moretti parece ser um homem que cuida muito bem dos seus investimentos.

Virei-me e subi as escadas, ignorando a dor no flanco. Eu ainda não estava livre, e Lorenzo Moretti certamente era um monstro... mas agora, ele era o meu monstro. E, pela primeira vez, Viktor Morozov tinha alguém para temer.

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