Mundo de ficçãoIniciar sessãoNo dia em que finalmente encontraria seu companheiro destinado, Ayla Valen teve o coração destruído diante de toda a alcateia. Rejeitada pelo Alfa, humilhada publicamente e expulsa de sua própria casa, ela descobre, no mesmo instante, que está grávida... de um homem que não consegue lembrar. Quando uma emboscada é armada para silenciá-la para sempre, Ayla é salva pelo temido Kael Draven, o poderoso Rei dos Lycans. O que deveria ser apenas um ato de compaixão desperta algo inexplicável entre os dois: uma conexão intensa, memórias fragmentadas e um vínculo que desafia todas as leis dos lobos. Enquanto inimigos escondem uma traição capaz de mudar o destino de dois reinos, Ayla precisará descobrir a verdade antes que seja tarde demais. Mas quando as lembranças perdidas voltarem... Quem é, de fato, o pai dos gêmeos que ela carrega? E por que o Rei Lycan parece disposto a enfrentar o mundo inteiro para protegê-la? Uma história de rejeição, segredos, paixão e destino... onde o amor mais improvável pode salvar um reino — ou destruí-lo para sempre.
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A lua estava vermelha. Nunca gostei quando ela ficava assim. Minha avó dizia que a Lua Sangrenta despertava os instintos mais antigos dos lobos. Que segredos enterrados podiam voltar à superfície. Que promessas esquecidas encontravam um jeito de cobrar seu preço. Sempre achei exagero. Mas, naquela noite, meu coração batia rápido demais para ser apenas nervosismo. Respirei fundo enquanto observava meu reflexo no espelho. O vestido branco marcava minha cintura e descia em camadas leves até os pés. Meu cabelo escuro caía em ondas pelas costas, preso apenas por uma pequena presilha de prata em forma de lua. Minha avó entrou no quarto sem bater. — Você está linda. Sorri de lado. — Você é obrigada a dizer isso. Ela caminhou até mim e segurou meu rosto entre as mãos. — Não. Estou dizendo porque é verdade. Os olhos dela demoraram um pouco mais que o normal sobre mim. Como se quisesse gravar meu rosto na memória. Aquilo me deixou desconfortável. — O que foi? Ela piscou algumas vezes antes de sorrir. — Nada. Mentira. Conheço minha avó desde que me entendo por gente. Sempre que ela dizia "nada", significava exatamente o contrário. — Vó... Ela apenas ajeitou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha. — Independentemente do que acontecer hoje... nunca deixe ninguém dizer quanto você vale. Franzi a testa. — Você está estranha. Ela riu baixo. — Estou velha. — Dramática. — Também. Acabei rindo. Era impossível não rir com ela. Minha avó me abraçou forte. Forte demais. Quando se afastou, seus olhos estavam marejados. — Vai. Antes que eu pergunte qualquer coisa, ela saiu do quarto. Fiquei olhando a porta fechada. Aquilo não fazia sentido. Todos estavam felizes com a cerimônia daquela noite. Era o dia em que Ethan Blackwood finalmente escolheria sua companheira diante da alcateia. E todos esperavam que fosse eu. Inclusive eu. Conheci Ethan quando éramos crianças. Enquanto os outros meninos implicavam comigo por eu ser menor e mais lenta nas transformações, ele sempre aparecia. Nem sempre dizia alguma coisa. Às vezes apenas ficava ali. Era suficiente. Com o passar dos anos, nossa amizade mudou. Começamos a treinar juntos. A correr juntos. A dividir silêncios. Nunca houve uma declaração. Não era necessário. Os olhares falavam por nós. Ou pelo menos era o que eu acreditava. Uma batida na porta interrompeu meus pensamentos. — Posso entrar? Sorri antes mesmo de responder. — Mirella. Ela entrou como um furacão, segurando a barra do vestido para não tropeçar. — Eu sabia que você ainda estaria aqui! Ela parou na minha frente. Depois arregalou os olhos. — Pela Deusa... você está maravilhosa. — Você também. Ela girou mostrando o vestido verde-musgo. — O meu é bonito. O seu vai fazer o Alfa esquecer como respirar. Revirei os olhos. — Para. — Estou falando sério. Ela segurou minhas mãos. — Você está nervosa? Pensei alguns segundos. — Um pouco. — Normal. — E se... As palavras morreram antes de saírem. Ela arqueou uma sobrancelha. — E se o quê? Balancei a cabeça. — Esquece. Ela apertou minha mão. — Ethan olha para você como se o resto do mundo desaparecesse. Vai dar tudo certo. Sorri, mas aquele aperto estranho continuava dentro do peito. Nos últimos dias, algumas coisas estavam... diferentes. Eu acordava cansada. Meu estômago embrulhava logo cedo. Achei que fosse ansiedade. Nada além disso. Ou pelo menos tentei acreditar. Saímos do quarto e caminhamos até o grande salão da alcateia. As tochas iluminavam as paredes de pedra. Músicas antigas ecoavam pelo lugar. Lobos de todas as famílias conversavam animados. Assim que entrei, dezenas de olhares se voltaram para mim. Alguns sorriram. Outros apenas cochicharam. Ignorei. Era impossível agradar todo mundo. Meus olhos encontraram Ethan do outro lado do salão. Ele estava usando as roupas tradicionais da cerimônia. Bonito como sempre. Por um breve instante, nossos olhares se cruzaram. Mas... Havia alguma coisa diferente. Ele não sorriu. Não veio até mim. Apenas desviou os olhos. Meu peito apertou. Talvez estivesse nervoso. Era o dia mais importante da vida dele também. Continuei andando. Foi quando um perfume invadiu minhas lembranças. Madeira. Chuva. E hortelã. Meu corpo inteiro congelou. Aquela fragrância... Eu conhecia. Só não fazia ideia de onde. Fechei os olhos por um segundo. Então uma imagem atravessou minha mente. Uma mão grande segurando a minha. Um peito quente contra minhas costas. Uma voz grave, rouca, sussurrando perto do meu ouvido: — Você está segura. Abri os olhos de repente. A lembrança desapareceu tão rápido quanto surgiu. Levei a mão à cabeça. — Ayla? Mirella segurou meu braço. — Você ficou pálida. Forcei um sorriso. — Só foi uma tontura. Mas meu coração continuava acelerado. E, pela primeira vez desde que cheguei ao salão, tive a estranha sensação de que alguém me observava. Não era Ethan. Era um desconhecido escondido entre as sombras. Seus olhos dourados permaneceram sobre mim apenas por um instante. Quando tentei encontrá-lo novamente... Ele havia desaparecido.Não consegui esquecer a carta da minha avó.Naquela noite, deixei o envelope sobre a mesa ao lado da cama e tentei dormir.Não consegui.As palavras continuavam voltando à minha cabeça.Não procure respostas sobre seus pais.Não conte a ninguém o que sabe sobre o passado de nossa família.O problema era simples.Eu não sabia absolutamente nada.E talvez fosse justamente isso que mais me incomodava.Passei a infância ouvindo que meus pais haviam morrido quando eu era pequena. Essa era a única certeza que possuía.Nunca soube como.Nunca soube exatamente onde.Nunca soube por quê.Minha avó sempre encerrava qualquer conversa sobre eles antes que eu pudesse fazer uma segunda pergunta.Durante anos, aceitei.Talvez porque fosse mais fácil acreditar que algumas histórias simplesmente não tinham respostas.Mas agora eu carregava uma carta dizendo que deveria continuar sem procurar nenhuma.Aquilo tinha mudado tudo.Na manhã seguinte, tomei coragem para falar com Kael.Encontrei-o na bibliot
Kael A frase de Ayla permaneceu na minha cabeça."Talvez alguém ainda tenha medo de que eu descubra quem realmente sou."Eu não sabia por que aquelas palavras me incomodavam tanto.Talvez porque, nas últimas semanas, eu também tivesse começado a perceber que havia coisas sobre ela que não faziam sentido.Os sonhos.A marca.A sensação de reconhecê-la.E agora aquela carta.Olhei para Mirella.Ela parecia tão desconfortável quanto eu.— Sua avó nunca falou nada sobre seus pais? — perguntei.Ayla balançou a cabeça.— Não.— Nem sobre a família deles?— Nada.Ela apertou a carta entre os dedos.— Eu cresci sabendo apenas que meus pais morreram quando eu era pequena. Minha avó nunca quis explicar como aconteceu.— E você nunca insistiu?Ayla soltou uma pequena risada sem humor.— Claro que insisti. Muitas vezes. Mas sempre recebia a mesma resposta. "Algumas coisas precisam permanecer enterradas."Meu corpo ficou tenso.Aquelas palavras eram parecidas demais com o conteúdo da carta.Mirel
A manhã começou tranquila, até Eleanor aparecer no meu quarto com uma expressão diferente.— Ayla, você recebeu uma visita.Franzi a testa.— Uma visita?Ela assentiu.— Mirella.Meu coração apertou.Mirella.Fazia tanto tempo que eu não via minha amiga que, por alguns segundos, apenas fiquei olhando para Eleanor.— Ela conseguiu entrar?— Com muita dificuldade.Pelo que entendi, precisou pedir autorização algumas vezes antes de receber permissão para vir até aqui.Levantei-me imediatamente.— Quero vê-la.Eleanor sorriu.— Eu imaginei.Encontrei Mirella em uma pequena sala próxima ao jardim.Assim que nossos olhos se encontraram, ela se levantou.— Ayla!Fui até ela e a abracei.Por alguns segundos, esqueci completamente tudo ao nosso redor.— Eu estava tão preocupada com você — ela disse, apertando meus braços.— Eu também queria notícias de casa.Mirella se afastou e me examinou dos pés à cabeça.Quando seus olhos chegaram à minha barriga, arregalou os olhos.— Meu Deus...Você cre
Acordei com uma sensação estranha. Não era dor. Era uma espécie de calor espalhado pelo corpo, como se eu tivesse dormido perto de uma lareira. Fiquei alguns segundos de olhos fechados, tentando entender o que havia acontecido. Então senti um movimento. Depois outro. Abri os olhos e sorri. — Bom dia para vocês também. Minha barriga estava cada vez maior. Agora não precisava mais olhar duas vezes para perceber a gravidez. O vestido que eu havia usado no início da gestação já não servia, e Eleanor tinha começado a mandar ajustar minhas roupas. Levantei-me devagar. Quando passei diante do espelho, parei. Minha imagem havia mudado muito. Meu rosto ainda era o mesmo, mas havia algo diferente nele. Talvez fosse a tranquilidade. Talvez fosse apenas a felicidade que começava a aparecer novamente. Coloquei as duas mãos sobre a barriga. — Vocês estão crescendo rápido demais. Um movimento forte respondeu. Ri. — Está bem. Eu entendi. Depois do café da manhã, fui até o jardim.
Último capítulo