Mundo ficciónIniciar sesiónSob a lua cheia, Lyra Cynthion viu sua alcatéia inteira ser massacrada por um alfa tirano. Única sobrevivente, foi acorrentada em prata e escravizada por anos, marcada por abusos que nunca conseguiram apagar sua fúria. Capturada pelo alfa Viktor Alistair, o laço predestinado brilhou como esperança — até ele cuspir na cara dela diante de toda a corte: “Eu, Viktor Alistair, rejeito você, Lyra Cynthion, escrava, como minha companheira predestinada.” Condenada à Caçada Cerimonial, Lyra sangra, mata e foge para o mundo humano. Tinge os cabelos prateados de preto, esconde-se no bar de Mateo e jura fazer Viktor implorar. Dois anos de silêncio terminam quando Dean Valerius entra pela porta: alfa bastardo em ascensão, olhos azul-escuros famintos, cheiro de floresta proibida. “Eu sou Dean Valerius… seu futuro alfa”, ele rosna, despertando a loba que ela havia enterrado. O mesmo sangue raro os une. Agora ela tem uma escolha: usar o bastardo para destruir Viktor… ou deixar que ele a destrua. A loba rejeitada voltou. E dessa vez, ela caça.
Leer másMinhas mãos, mesmo repletas de calos, ainda doíam e sangravam enquanto eu carregava os baldes pelas escadas de pedra. O tilintar das correntes ecoava a cada passo, meus pulmões ardiam com a respiração pesada e a garganta ressecada pela falta de água. Até mesmo o líquido escuro dentro do balde parecia tentador aos meus olhos.
Fui jogada para frente, a água se derramando por todo o chão. Tentei me levantar, mas meu rosto foi pressionado contra o chão com força.
“Loba estúpida. Olha a bagunça que você fez.” rosnei protestando, mas eu estava fraca pelos dias sem me alimentar e mal conseguia me manter de pé. “Limpe logo isso e vá buscar mais água. O alfa deseja a fortaleza limpa para a celebração dessa noite.”
Eu estava farta daquela humilhação, farta daquela vida como escrava.
O lobo que havia me derrubado se afastou, rindo ao se juntar com seus companheiros. Meros soldados de casta baixa, mas ainda, acima de mim.
Olhei meu reflexo no chão molhado, as cicatrizes vermelhas em meu rosto e pescoço, hematomas em várias partes do meu corpo extremamente magro e frágil. Meus cabelos prateados estavam sujos e embaraçados e meus olhos não refletiam nenhum brilho.
“Eu não fiz nada para estar aqui.” rosnei, meus punhos cerrados. “Meu clã não fez nada para ser destruído por esse maldito.”
Dentro de mim, Shade, minha loba, rosnava em desespero e raiva. As correntes que me aprisionavam me impediam de libertar minha loba, me prendendo na forma humana para ser controlada mais facilmente.
“Seja paciente. Teremos a nossa chance.” disse em voz baixa enquanto tentava me levantar, as pernas trêmulas.
Cambaleei pelos corredores da fortaleza, uma construção de pedras antiguada, escondida entre as árvores. O cheiro de terra e musgo se misturava ao cheiro de medo e sangue dos escravos. Criaturas patéticas que já haviam desistido de lutar, mas eu não era como eles. Eu jamais desistiria de lutar pela minha liberdade.
Algo bateu em meu braço, me empurrando, fazendo com que o balde que eu carregava com dificuldade caísse no chão. Minhas pernas se enrolaram nas correntes, eu caí, batendo os joelhos com força no chão em um som abafado contra o chão de pedra.
“Escrava imunda, como se atreve a tocar na Luna!” não tive tempo de ver quem falava comigo. O impacto veio contra as minhas costas, rasgando minhas roupas esfarrapadas e minha pele.
Eu gritei enquanto outro golpe descia sobre mim, a carne rasgada, o sangue escorrendo pelo meu corpo, quente e pegajoso. Travei meus dentes, contendo a dor que irradiava por todo o meu corpo.
“Já chega.” uma voz grave surgiu e meu sangue gelou de imediato. Shade se encolheu dentro de mim enquanto eu lutava para manter os olhos no chão. “Cada lobo dessa alcateia é importante, mesmo os escravos.” Garras longas seguraram meu rosto, me fazendo olhar para cima. “Ah… eu me lembro de quando trouxe essa. a loba prateada.”
Todo o meu corpo se arrepiou. Por instinto, tentei me afastar, mas o lobo segurou meu rosto com mais força, suas longas unhas perfurando minha pele. Seus olhos castanhos me estudavam, descendo do meu rosto para o meu corpo mutilado. Ele passou a língua pelos lábios e sorriu, me soltando com brutalidade. Ergui meu rosto, sustentando seu olhar até que um golpe forte me atingiu na bochecha, me jogando contra o chão.
“Loba imunda! Como se atreve a olhar para o alfa.”
“Sim, foi exatamente por isso que eu a trouxe.” o alfa disse entre risadas. “Forte, orgulhosa.” ele agarrou meus cabelos, me puxando para cima com facilidade enquanto eu me debatia, tentando me desvencilhar de sua mão. Seu nariz deslizou pelo meu pescoço, inalando minha pele. “Uma beleza selvagem, perdida nessa imundice.”
Rosnei, sentindo minha luba lutando junto comigo para não se submeter ao alfa que nos aprisiona. “Eu prefiro limpar essa fortaleza com a língua a me submeter a um alfa fraco como você.” minha voz saiu fraca, mas clara o bastante para que todos ao nosso redor pudessem ouvir.
A dor veio junto ao impacto.O ar escapou dos meus pulmões, a dor irradiando pela minha barriga, cada músculo se contraindo em espasmos involuntários. Antes que eu pudesse me conter, o gosto ácido subiu pela minha garganta, preenchendo minha boca até que vomitei.
Assim que o alfa me soltou, minhas pernas vacilaram, me dobrei sobre mim mesma, abraçando o local onde o punho do alfa havia atingido. Um gemido baixo escapou de meus lábios enquanto a sombra corpulenta do alfa pairava sobre o meu corpo.
“Levem essa loba ingrata para as celas. Lhe deem somente o necessário para que não morra.” enquanto o alfa se afastava com seus bajuladores, eu fiquei ali, no chão sujo, me contorcendo de dor e humilhação.
“Vamos, loba.” um dos soldados me puxou pelo braço, forçando que eu ficasse de pé.
As celas ficavam fora da fortaleza, o local de punição para escravos desobedientes ou que ainda carregavam alguma esperança de liberdade. Expostos aos elementos, lobos fortes se quebravam facilmente, implorando por perdão.
Enquanto eu era levada, pude ouvir os soldados atrás de mim conversando. Eles não se preocupavam em manter suas vozes baixas diante de uma simples escrava.
“Não julgo o alfa por se interessar por essa loba.” um deles disse com uma voz que escorria veneno e desejo.
“Quer ter seus olhos arrancados? Melhor tomar cuidado com o que diz.” o outro advertiu, mas eu podia sentir seus olhos sobre mim, como se algo viscoso e nojento rastejasse sobre a minha pele.
“Não se preocupe, depois da lua cheia essa loba será descartada pelo alfa.” meu sangue gelou, então passei a prestar mais atenção na conversa atrás de mim.
“Que merda é essa que você está falando?”
“Eu ouvi de um dos lobos que trabalha no castelo que o alfa está de olho nela desde a conquista daquele clã, por isso não a matou, mas na próxima lua cheia ele vai tomá-la.” meu corpo travou por um segundo, minhas mãos tremendo com o entendimento daquelas palavras. “Acha que ele vai tomar uma escrava como concubina? Claro que ela vai acabar amarrada para que os soldados solteiros se deleitem.”
As risadas daqueles dois lobos ecoaram pelas árvores, como um preságio sombrio do que o futuro me reservava. Ergui meus olhos para a lua sobre nossas cabeças, sabendo que teria pouco tempo para escapar ou que meu destino estaria selado para sempre.
Não consegui me conter e ri alto, abraçando a minha barriga. Realmente, eu havia me descuidado, relaxei por me sentir segura no mundo humano. Aquele alfa diante de mim era a prova. Eu não o senti se aproximando, não senti seu cheiro e nem o seu poder até que foi tarde demais. “Então, o que o alfa deseja dessa loba desgarrada?” questionei, me recompondo. O alfa Dean não teve a reação que eu imaginava. Ele sorriu de lado, as mãos nos bolsos em uma postura relaxada, como se eu não o tivesse ofendido. Um sentimento estranho brotou no meu peito. Fiquei curiosa com ele e com suas intenções ao me abordar e revelar sua identidade tão facilmente. “Você sabe quem eu sou, então também sabe por que eu estou aqui, vivendo entre os humanos.” Dean deu de ombros, como se aquilo não fosse algo importante. Peguei o sachê do meu bolso, o cheiro forte das ervas confundindo o meu olfato, então o joguei para longe. “Tem certeza disso? Viktor continua atrás de você.” fechei minhas mãos em punhos, frust
O humano que me salvou naquela noite maldita cuidou dos meus ferimentos, me deu abrigo, comida e roupas limpas. Achei que ele poderia tentar se aproveitar de alguma forma, mas ele sempre manteve a distância e foi gentil. Ele não fez perguntas, nem mesmo quando tirou as pesadas correntes dos meus pulsos. “Você pode ficar aqui o tempo que achar necessário.” Ele passou a mão no pescoço, seu cheiro mudando levemente, como se ele estivesse se sentindo desconfortável. “O meu nome é Mateo, Mateo Keller.” não respondi, fiquei em um canto do quarto, observando aquele humano estranho indo e voltando. Na primeira noite, um grupo de lobos apareceu, rondando o prédio, mas logo foram embora. Nas noites que se seguiram, grupos cada vez menores apareceram, até que eles finalmente perderam o interesse e pararam de aparecer. Uma noite de lua cheia, Shade ficou especialmente agitada, desejando sair pela floresta, ser livre novamente. “Quer ser capturada? Faz ideia do que eles farão conosco? Por enq
Enquanto eu era arrastada pela fora do salão, ouvi a filha de Viktor rindo e cochichando para suas seguidoras de que eu não duraria uma hora, que lobos da guarda pessoal do alfa estariam na caçada e me encontrariam em um piscar de olhos. Ser tão subestimada me irritava. Mesmo no meu estado, fraca e debilitada, eu ainda era ágil e tinha resistência o suficiente para escapar. Passei toda a minha vida servindo como isca para os lobos daquele maldito alfa que me raptou, para que eles treinassem suas habilidades. A noite, eu me escondia deles, mas por outras razões. As correntes eram pesadas e dificultavam meus movimentos enquanto meus braços eram puxados para baixo. O castelo estava ficando cada vez mais longe, a escuridão da floresta nos cobria, como um presságio sombrio. Ainda era possível ouvir os gritos e a celebração, enquanto as luzes do castelo se destacavam sobre as copas das árvores. Rosnei, irritada e frustrada, pois sabia que minhas chances de cumprir a promessa que fiz eram
A dor que me dominou refletia-se em Shade. A sensação de ser rasgada por dentro, como se meu corpo e a minha alma estivessem sendo divididos na metade. Meu rosto estava voltado para o chão, meus pulmões queimando a cada tentativa de respirar. Minha voz parecia presa na garganta enquanto eu me contorcia, com as minhas unhas ficando longas e cravando no chão. Eu sentia Shade tentando sair, meu corpo oscilando em meio a transformação. Quando finalmente o sofrimento acabou, senti meu corpo sendo erguido pelos braços, meus pés arrastando no chão. Meus ouvidos zumbiam, minha visão turva enquanto eu lutava para me manter acordada. “Levem essa maldita para a prisão. Lidarei com ela mais tarde.” a voz do alfa parecia distante e fraca, mas eu não conseguia identificar de onde vinha. Acabei desmaiando enquanto era levada e despertando em um chão sujo, cheirando a urina e decomposição. Minha cabeça doía, meu corpo dolorido como se eu tivesse sido espancada por horas. Me levantei com dificulda
Fui mantida em isolamento no acampamento até o retorno à corte do alfa supremo Viktor Alistair. A marcha foi longa, mas logo as diferenças entre meu antigo captor e o Supremo ficaram claras. Lobos fortes e bem treinados, uma estrutura que eu nunca havia visto antes, assim como a força que emanava naturalmente do alfa supremo. “Continue andando, loba.” um dos soldados que me escoltavam disse, me empurrando. Quando entramos na trilha humana, meus olhos se arregalaram ao ver uma pequena cidade. Muros de pedra a cercavam e lobos com roupas escuras faziam rondas e verificavam com cuidado cada um que entrava. Todos se curvaram na presença do alfa supremo e, conforme caminhávamos pela passagem principal, famílias saíam de suas belas casas para contemplar o cortejo. Aos meus olhos, tudo aquilo era muito estranho. As construções não eram como as tocas nas florestas, a estrada principal era coberta por algo escuro e quando nos aproximamos do que parecia ser o centro daquela alcateia, não ha
A lua cheia brilhava sobre a cela, como se estivesse debochando de mim e das minhas falhas tentativas em me libertar dos últimos dias. De repente, água gelada atingiu minhas costas e cabeça, me surpreendendo. “Acorde e sorria, loba. Parece que a deusa te dará mais uma chance.” o soldado dizia enquanto lançava mais um balde sobre mim. Meu nariz coçou, incomodado com o forte cheiro que vinha daquela água. “O que é isso que você jogou em mim?” questionei e o lobo exibiu seus dentes, irritado. Ele chutou as grades, rosnando. “Isso é muito mais do que uma escrava como você merece.” então ele deu as costas e saiu, dando lugar para duas lobas, claramente escravas. “Arrumem a loba, sem gracinhas.” elas tremeram diante da ameaça, mas eu me mantive firme. Aquela seria a oportunidade perfeita para escapar, mas quando as lobas se aproximaram, extremamente pequenas e fracas, eu não consegui fazer nada. Se eu fingisse sob seus cuidados, elas seriam mortas. Permiti que lavassem meu corpo e me c
Último capítulo