O sol da manhã entrava pelas janelas amplas do apartamento de Enrico, espalhando uma luz morna pelo quarto. Cecília ainda estava deitada, enrolada nos lençóis, os pensamentos girando em torno da noite anterior. A lembrança da briga de Laura ainda queimava em sua mente, misturada com o medo silencioso de Gustavo e a sensação de vulnerabilidade que a fazia tremer por dentro.
Enrico já estava em pé, a camisa cuidadosamente passada sobre os ombros, o cabelo ainda um pouco bagunçado pelo sono. Ele a observava enquanto arrumava a gravata no pescoço. Cada gesto dela era medido, quase automático, mas ele notava o aperto nos ombros, o jeito que evitava encará-lo de frente.
— Bom dia — disse ele, a voz baixa, suave, tentando arrancar um sorriso dela.
Cecília se sentou na beira da cama, os olhos pesados de sono e preocupação. Tentou sorrir, mas a tensão que carregava parecia pesar mais do que qualquer força de vontade.
— Bom dia — respondeu, a voz quase um sussurro. — Dormiu bem?
Enrico estendeu