Mundo ficciónIniciar sesiónUma noite tórrida com um homem misterioso muda o curso da vida de Irina Collins. Recém-solteira, ela decide aproveitar a sua identidade oculta em um baile de máscaras para se livrar das amarras e esquecer a sua maior frustração. É nessa ocasião que surge em seu caminho uma figura dominante, cujos olhos verdes impactantes atraíram a sua atenção e despertaram o seu desejo. Brent Turner se sente culpado por ter dado início a uma confusão que resultou em uma traição. A culpa, no entanto, divide espaço com a satisfação de ter desfrutado de uma noite ardente na companhia de uma mulher confiante e sedutora. Ela precisou apenas de algumas horas para marcar a sua vida. A união das famílias Collins e Turner depende do casamento entre os seus herdeiros, mas a cerimônia é ameaçada no dia da realização. Um relacionamento secreto e proibido, um desaparecimento, uma substituição, um acordo e um contrato. O ódio e a atração se misturam e pautam a construção de uma relação improvável. No lugar em que a ambição é uma regra silenciosa, o amor se fez presente e mostrou todo o seu poder.
Leer másIRINA COLLINS
— Nós vamos comemorar! — Vittorio, empolgado, abraçou-me pela cintura e sorriu. — O projeto foi um sucesso e graças ao seu talento, Irina, nós chegaremos ao topo!
— Não exagere! — Ri e, envergonhada, escondi o rosto em seu peito. — Você também participou da concepção.
— Os clientes do escritório só falam em ter a excelente arquiteta Irina nas suas equipes — ele continuou. — A melhor decisão que tomei na minha vida foi a de ter insistido para que você viesse morar comigo na Itália.
— Ah, então você só está satisfeito com os meus resultados como arquiteta no seu escritório e não com a nossa sintonia morando juntos há um ano? — Cerrei os olhos, encarando-o com uma falsa desconfiança. — Pensei que a nossa relação como casal fosse a melhor decisão que você já tomou.
A minha fala não passava de uma brincadeira. Confio cegamente em Vittorio e sei que o seu convite para morarmos juntos na Itália, seu país de origem, não foi motivado por questões de trabalho.
Ele não me chamou para cá porque queria montar um escritório e me ter como uma das suas arquitetas. Ele me chamou porque queria dar mais um passo no nosso relacionamento que já tinha um ano de duração.
— Você tem razão — Vittorio encheu o meu rosto de beijos. — Essa, sim, foi a melhor decisão da minha vida.
Nos conhecemos há dois anos em um congresso para arquitetos e a nossa paixão foi à segunda vista. Ficamos encantados um com o outro após uma conversa a sós. Eu amei aquele italiano desde a primeira risada que ele me causou.
— Eu te amo mais que a mim mesmo, Irina — ele sussurrou, mantendo os olhos castanhos presos aos meus.
Naquela noite, saímos para comemorar em uma boate. Conosco estavam alguns funcionários, incluindo Agustina. Ela está no último ano do curso de arquitetura e atualmente é a única estagiária do escritório.
A música eletrônica explodia nos autofalantes da boate e eu me sentia livre para dançar como quisesse entre tantas pessoas desconhecidas. A alguns passos de mim, Vittorio e Agustina dançavam frente a frente e conversavam.
Sorri ao vê-los tão entrosados.
Agustina é uma boa menina e merece compor o quadro de arquitetos do escritório.
— Agora está na hora de uma comemoração mais... Íntima... — Vittorio murmurou com os lábios rentes aos meus, tão sedento quanto eu.
Entrávamos em casa às cegas, sem ver o que derrubávamos durante o caminho até o quarto. O nosso beijo era intenso, assim como a nossa relação e o nosso sexo. Tomados pelo desejo, amamo-nos por toda a madrugada.
— Droga... — Resmunguei ao ver a jarra vazia sobre a mesa de cabeceira. — Esqueci de trazer água.
Eram cinco horas da manhã e eu havia despertado antes de Vittorio. Ele deve estar cansado depois da nossa comemoração íntima. Sorri abertamente, feliz por lhe proporcionar bons momentos.
Espreguicei-me e calcei as minhas pantufas. Nesse instante, o celular de Vittorio apitou anunciando uma enxurrada de mensagens.
— Uau...
Guiada pela curiosidade, aproximei-me do aparelho e li as mensagens na tela bloqueada. Vittorio não havia desabilitado essa função, para a minha sorte e o deleite do meu lado bisbilhoteiro.
“Precisamos conversar, é urgente.”
“Tenta falar comigo assim que acordar, sai de perto dela e me liga.”
“Acho que estou grávida, Vittorio. Acho que estou esperando um filho seu.”
— O quê? — Sussurrei.
O meu mundo desabou depois que li as últimas três mensagens do grupo das recém-chegadas.
Congelei no local que estava.
As minhas mãos tremiam e as minhas pernas estavam bambas.
“Sei que não deveria estar mandando mensagem para esse número, mas o outro não está funcionando e eu estou desesperada.”
Diante dessa declaração, decidi conferir o remetente.
O meu choque não poderia ser maior.
O pedacinho de chão que sobrou debaixo dos meus pés desmoronou. Estou totalmente desabrigada, destruída... Furiosa.
— Agustina... — Falei entredentes, sentindo o ódio me consumir em segundos.
De repente o meu corpo estava em chamas.
Olhei para Vittorio, que, sereno, dormia. Sem pensar duas vezes, atirei-me sobre o seu corpo e o estapeei repetidamente até que acordasse.
— Desgraçado! Canalha! — Eu dizia aos berros, sentindo a minha garganta arder. — Cafajeste!
— O que está fazendo, Irina? — Ele gritava enquanto tentava segurar os meus braços. — O que aconteceu com você? Enlouqueceu?
Eu estava em transe, estava no meu pior estado de ira, estava desolada.
Eu fui traída. Fui traída por um homem que confiei de olhos fechados desde o primeiro dia de relacionamento. Um homem que dediquei os meus dias, a minha energia, o meu amor.
[...]
Pensar no dia que descobri uma traição vinda de alguém que tanto confiei e amei ainda doía muito. Duas semanas se foram e a ferida ainda estava aberta, extremamente sensível ao toque.
— E aí? — Anne, a minha melhor amiga, me olhou. — Posso organizar tudo?
Após resolver a minha situação na Itália, incluindo o desligamento oficial do escritório de Vittorio e a retirada dos meus pertences da sua casa, eu decidi retornar para a minha cidade natal. Cliffston me recebeu com o seu clima frio e a sua agitação típica de um centro econômico estadunidense.
— Eu cheguei ontem e você já está querendo me levar para Wesbul — protestei. — Preguiça.
— Primeiro, Wesbul é uma cidade bem aqui ao lado — Anne revirou os olhos. — Segundo, você voltou ontem e nós precisamos comemorar — prosseguiu. — Terceiro, o baile de máscaras da minha família vai reunir homens lindos, gostosos e ricos. Tem oportunidade melhor para esquecer uma traição?
Apesar da tragicidade da situação, liberei uma gargalhada que ecoou pelo meu quarto.
— Tudo bem, me convenceu! — Ergui os braços em rendição. — Mas você providencia tudo o que vou usar hoje à noite, incluindo a máscara. Não estou com cabeça para nada disso.
Horas mais tarde, chegamos na festa e eu logo agarrei a minha primeira taça de champagne da noite. Pretendo usar a bebida como um escape. Preciso jogar tudo para o ar e tenho a vantagem de estar mascarada enquanto realizo pequenas loucuras.
— Como é o seu nome? — Um desconhecido se aproximou de mim.
Uma hora de evento havia se passado e eu admitia que já havia bebido além do indicado. Estava tão exaltada que até tomei uísque, uma bebida que odeio.
— Lita, e o seu? — Menti descaradamente.
O meu sorriso era faceiro. Eu estava confiante e perigosa como uma criminosa experiente. Conversei com aquele rapaz por um tempo, até que cansei do seu papo morno e me lancei na pista de dança.
A bebida me encorajava a dançar livremente, sem amarras. Eu fechava os olhos, sentia a batida da música vibrar os meus tímpanos, deslizava as mãos pelo meu corpo e curtia a minha própria companhia.
Até que, em um segundo de distração, cruzei o meu olhar com o de um homem mais alto que os demais ao seu redor. Os seus olhos claros reluziam para mim e os seus lábios levemente carnudos e entreabertos atraíram a minha total atenção.
Impulsionada pelo álcool e pelo desejo abrasador de aproveitar aquela noite ao máximo, dediquei-me a dançar para ele. Segundos, minutos se foram. A minha identidade oculta me motivava a continuar e eu estava tão absorta em meus movimentos que não percebi a sua aproximação.
— Chega! — A sua voz profunda, grave, arrepiou-me da cabeça aos pés. — Você bebeu demais! — A sua mão grande e gelada capturou o meu braço. — Vamos para o hotel agora mesmo!
O quê? Ir para o hotel?
Ele está me confundindo com alguém ou é apenas um atrevido que pensa que esse tipo de abordagem é adequado?
BRENT TURNER— Brent, eu só quero te lembrar de algo muito importante — o meu pai ficou de pé e se posicionou ao meu lado. — Você e a senhorita Collins devem, obrigatoriamente, passar dois anos juntos. Nenhuma das partes pode desistir.— Eu já...— Se você tratá-la com a indiferença que vem tratando, a moça vai desistir no meio do tempo.Olhei-o com o cenho franzido.— Eu não vejo motivos para a senhorita Collins pensar em desistir— falei. — Esse acordo beneficia nós dois.— Além da multa, não há nada que a impeça — ele encolheu os ombros. — Se ela quiser assumir a dívida e sair do casamento antes dos dois anos, será possível.O meu corpo enrijeceu ao perceber a gravidade daquilo.— Mas se ela fizer isso, você perderá as suas ações e deixará de ser o CEO — lembrou-me do nosso acordo separado, aquele que Victor Collins não sabia. — Dois anos, Brent. Seja gentil e a faça ficar.Isso ecoou na minha mente durante todo o trajeto até a igreja. O meu pai só fazia esse esforço ridículo para m
Três dias depois, o que aconteceu no leilão ainda rondava a minha mente. Sempre que eu lembrava daquele homem, a minha irritação atingia níveis estratosféricos. Ele é um babaca. Um ogro.— Ainda não a encontraram? — A voz exasperada do meu pai ecoou por toda a casa e causou o meu estranhamento.Hoje é o casamento de Beatrice e o dia deveria ser de alívio para ele. Encontrei-o na sala, andando de um lado para o outro com o celular no ouvido, enquanto a minha mãe tentava convencê-lo a pegar uma xícara – provavelmente com chá.A tensão era evidente entre eles, que, assim como eu, já estavam vestidos para a cerimônia.— O que houve? — Perguntei.— Beatrice desapareceu — a minha mãe disse baixo, como se proferir tais palavras fosse um pecado. — Não atende as ligações, não está em casa, não está com as amigas... Sumiu completamente.— O quê? — Arregalei os olhos, perplexa. — Mas... Caramba...Nós duas não temos uma boa relação, mas eu fiquei extremamente preocupada com Beatrice. É a minha i
Reuni toda a minha coragem, respirei fundo e circulei pelo salão em busca do comprador. Não demorei a encontrá-lo. Ele já tinha o porta-joias nas mãos e o entregava para a loira que arrematou quase todos os itens leiloados até o momento.— Não acredito... — Bufei. — Só pode ser brincadeira.Mas ainda assim não desisti. Pela minha mãe.O homem se afastou antes que eu conseguisse me aproximar. Restou, então, tentar falar com a loira espalhafatosa. Iniciei a nossa conversa de modo educado, usando toda a minha paciência para explicá-la as minhas razões para querer tanto aquele porta-joias.— Sinto muito, queridinha, mas não vai rolar — a sua voz era extremamente aguda, incômoda. — Eu gostei dele e vou ficar.Queridinha... Péssima escolha de palavra.— Além disso, cá entre nós, você não teria a menor condição de pagar os míseros vinte mil dólares que ofereceu — riu.Olhávamos uma para a outra da cabeça aos pés em uma batalha não tão silenciosa.— O que está insinuando? — Mantive o volume d
IRINA COLLINSA exaustão me consumia quando coloquei os pés dentro de casa, já de volta à Cliffston. O cansaço era físico e psicológico. O que aconteceu naquela madrugada dominou os meus pensamentos durante todo o trajeto de retorno para a minha cidade e toda a semana que passou.Eu não conseguia tirar aquele homem da minha cabeça. Ainda podia sentir o calor do seu corpo e a firmeza dos seus toques. Ele me marcou de muitas formas e agora eu simplesmente precisava lidar com o fato de que jamais o verei novamente.— Ah, então você voltou mesmo? — A voz mais irritante que já ouvi em toda a minha vida entoou essas palavras carregadas de veneno para mim.Beatrice é a minha irmã mais velha. Na verdade, a minha única meia-irmã. Ela é fruto do primeiro casamento do meu pai, ou seja, também é uma Collins e usufrui de todos os benefícios que o nosso sobrenome nos proporciona.Bom... Infelizmente, isso não significa muita coisa hoje em dia. A nossa família é assombrada por uma crise nas finanças





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