Mundo de ficçãoIniciar sessão— Senhor Turner, este pacote acabou de chegar — a minha secretária entrou no meu escritório com uma caixa em mãos.
Bufei ao reconhecer o tipo de embrulho.
De novo? Mais um?
— O que devo fazer? — Ela perguntou. — Jogar fora como os outros?
Sem dizer uma palavra sequer, fiz sinal para que a senhorita Garcia deixasse o presente sobre a minha mesa e fosse embora logo depois.
Quando fiquei sozinho ali, respirei fundo e abri a maldita caixa.
— Essa mulher não desiste... — Murmurei ao ver os itens.
Uma garrafa de vinho e uma caixa menor, que continha um relógio de valor bem elevado.
— Como isso é possível? — Ri soprado. — A família Collins quase indo à falência e essa mimada gastando o dinheiro que sobrou com presentes caros para mim — analisei o relógio. — Já disse que não adianta, mas ela é uma completa sem-noção.
Essa senhorita, que não fiz e não faço a menor questão de saber o seu nome ou a sua aparência, é a minha noiva. Nunca a vi, nunca escutei a sua voz, nunca me interessei em conhecê-la e insisti para que o nosso compromisso seja mantido em sigilo absoluto até o dia do casamento.
— Um bilhete — revirei os olhos ao vê-lo no fundo da caixa.
“Espero que goste de esmeraldas. Você é misterioso e não quer que eu te veja, mas o meu pai me disse que os seus olhos são verdes e agora essas pedras são importantes para mim.”
— Senhorita Garcia — acionei-a pelo telefone. — Venha aqui.
Ela abriu a porta no minuto seguinte.
— Sim, senhor?
— Hoje é seu dia de sorte — empurrei o embrulho sobre a mesa, na sua direção. — Pegue para você.
Os seus olhos se arregalaram pelo espanto.
— S-Senhor...
— Se não quiser, jogue no lixo ou entregue ao primeiro mendigo que vir na rua — recoloquei os meus óculos de grau para retomar a leitura de um relatório. — Tira isso da minha frente e pode sair.
Garcia chacoalhou a cabeça positivamente e desapareceu com toda aquela porcaria dali. Nesse instante, o meu celular anunciou a chegada de mensagens. Era Morgana.
O meu sorriso foi instantâneo.
“Podemos almoçar juntos hoje?”
“O que acha de me presentear com um belo conjunto com diamantes para começarmos a contagem regressiva do nosso aniversário de cinco anos de namoro?”
Mesmo após tantas idas e vindas, Morgana e eu estamos juntos por todo esse tempo. Nós nos conhecemos na universidade, no nosso último ano por lá. A paixão foi avassaladora, mas a situação saiu de controle quando a apresentei para os meus pais.
Assim que o seu sobrenome foi dito, o nosso namoro foi imediatamente desaprovado pelo meu pai; que ameaçou me afastar em definitivo da Turner Holdings caso eu insistisse no relacionamento. Por isso, a solução que encontrei foi manter a relação proibida em segredo até o momento ideal de revelá-la outra vez.
— Senhorita Garcia — chamei-a novamente, e ela não demorou a aparecer. — Preciso do catálogo da joalheria. Quero ver as peças de lançamento com diamantes.
O noivado com a senhorita Collins há seis meses não interferiu no relacionamento com Morgana. A minha namorada sabe qual é o motivo que me fez aceitar a proposta de casamento, sabe quais são os meus interesses e não tem dúvidas de que a amo incondicionalmente. Ninguém vai se colocar entre nós dois. Nunca.
— Bela como sempre — beijei o dorso da mão de Morgana, que sorriu abertamente. Estávamos em um local público e precisávamos agir com cautela. — Você não vai acreditar no presente descabido que eu recebi mais cedo.
Morgana me apoia na ideia de assumir o controle da Turner Holdings e sabe que eu tive que aproveitar a oferta do meu pai para conseguir isso. Atualmente sou o diretor de operações da empresa, porém, após o casamento, eu me tornarei o CEO e receberei mais ações. Depois desse passo, faltará pouco para comandar tudo do meu jeito.
A ambição, para mim, é uma virtude. Das mais puras e nobres. Independentemente da direção que ela tomar, dos meios que usará, dos limites que ultrapassará e da intensidade que terá... A ambição é uma virtude.
E eu a tenho, eu a cultivo dentro de mim.
Não vou parar até conseguir o que quero.
— Pobrezinha... — A minha namorada riu. — Ela não tem ideia de que será usada como degrau para a sua ascensão e que, depois de dois anos, será descartada como se nunca tivesse existido.







