Capítulo 3 — Quem era ela?

BRENT TURNER

Remexi-me na cama e despertei com a claridade no quarto. Abri um olho e vi as cortinas das janelas abertas. A luz do sol invadia o ambiente e me recepcionava em mais um dia de domingo.

— Cacete... — Murmurei ao ver os lençóis bagunçados ao meu lado. — Eu não deveria ter dormido com ela. Não posso.

O espaço no colchão estava vazio. Ela já havia se levantado e isso me fez questionar as horas. Será que dormi tanto assim? Ela nunca acorda cedo como eu.

Movido pela curiosidade, espreguicei-me e me sentei na cama.

— Levei a sério o pedido para não tirar a máscara — ri antes de retirá-la do meu rosto suado.

As minhas costas ardiam, mas o meu sorriso era de profunda satisfação.

Ontem foi diferente. Foi melhor do que todas as outras vezes. Foi memorável. Experimentei sensações totalmente novas e inesperadas. Não imaginei que o nosso relacionamento pudesse atingir esse novo patamar, que a nossa conexão sexual pudesse se tornar tão forte.

— Morgana? — Chamei-a.

Silêncio absoluto.

Parecia que eu estava sozinho, mas isso não faz o menor sentido. Reservei este quarto para ela e a trouxe até aqui. Por que não ficou? Será que se zangou comigo porque dormi ao seu lado?

— Morgana, eu estava exausto — tentei me justificar enquanto coçava os olhos, despertando aos poucos. — Não consegui sair daqui a tempo. Me perdoe.

Nenhuma resposta, por mais raivosa que pudesse ser.

— Posso te compensar por isso, minha bela — apelei para o apelido carinhoso. — Te dou o que você quiser.

Nada.

Levantei-me da cama, coloquei a minha cueca e a procurei por todo o quarto – que era uma suíte presidencial. Além da sua ausência, o local estava vazio de pertences seus. O que aconteceu?

Confuso e preocupado, caminhei apressadamente até a minha calça e peguei o meu celular.

— Descarregado — bufei, impaciente.

Eu preciso entender o que está acontecendo aqui. Morgana simplesmente desapareceu, evaporou.

— Por que ela está tão diferente? — Sussurrei, reflexivo, enquanto recolocava as minhas roupas e me preparava para deixar o quarto. — Nunca se comportou desse jeito.

Nem como ontem, nem como hoje. Morgana nunca pareceu tão ousada e sexy como ontem, também nunca sumiu sem deixar rastros como hoje.

Fui até o meu quarto com o objetivo de obter respostas. Coloquei o meu celular para carregar e durante a minha espera, tive que lidar com os flashes da noite anterior dominando a minha mente. O arrepio veio forte e atingiu todo o meu corpo. Eu ainda podia sentir os seus lábios em contato com os meus.

— Finalmente ligou! — Suspirei, aliviado, ao ver a tela acesa do meu celular.

Ansioso para falar com Morgana, peguei o aparelho e o desbloqueei. A primeira coisa que vi foi a enorme quantidade de mensagens recebidas e ligações não atendidas.

— Todas de Morgana — conferi cada notificação. — O que diabos aconteceu?

“Onde você está?”

“Brent, eu estou furiosa contigo! Você me deixou plantada aqui!”

“Despistei a minha família para quê? Para você me abandonar no meio desse baile idiota?”

A última mensagem chegou há dez minutos. Tenso, busquei coragem para abri-la.

“Espero que você tenha uma ótima justificativa para o que fez ontem. Me deixar sozinha no único evento que poderíamos ter aproveitado juntos sem levantar suspeitas?”

— Puta que pariu... — Saiu em um sussurro trêmulo, falho. — O que eu fiz?

Ou melhor, com quem eu fiz? Com quem eu passei a noite? Com quem eu fiz sexo?

A minha respiração estava irregular, ofegante.

Estou atordoado, abalado.

Não consegui sustentar o meu corpo com as minhas próprias pernas e tive que me sentar na cama perfeitamente arrumada do meu quarto. Era aqui que eu deveria ter passado a noite, mas, ao invés disso, compartilhei a cama com uma desconhecida.

— Quem era ela? — Engoli em seco, atônito.

Me custava muito acreditar que me enganei de um modo tão filho da puta assim. Será que eu teria percebido se tivesse prestado mais atenção? Será que eu me senti tão atraído por ver aquela mulher radiante e atraente dançando no meio da pista de dança que não fui capaz de raciocinar?

— Mas ela usava a mesma máscara que Morgana me disse que usaria — recordei. — Usava, sim.

Eu havia recebido uma foto para facilitar o reconhecimento.

Vasculhei a minha galeria e encontrei a fotografia. Reconheci a peça de imediato. Era a mesma. Exatamente a mesma. Igual. Idêntica. E eu confiei cem por cento nisso quando a vi na minha frente.

Fiquei tão enfeitiçado pelo seu modo de dançar, pela sua confiança e pelo seu sorriso que não me permiti duvidar um segundo sequer de que não se tratava de quem eu imaginava.

— Ela se passou por Morgana, veio comigo para o hotel, me deu uma noite inesquecível e foi embora como se nunca tivesse existido — falei baixo, absorto em meus pensamentos. — Que mulher é essa?

Suspirei ao reviver trechos da madrugada na minha memória. Lembro dos seus lábios carnudos, da sua pele macia como veludo, do seu beijo fervoroso de quem deseja aproveitar o presente ao máximo, da sua entrega a mim, dos seus gemidos...

— Para, Brent — fechei os olhos com força, impedindo-me de continuar. — O que você fez foi errado, isso tudo foi um erro.

Levantei-me e, inquieto, circulei pelo quarto.

— Começou com um engano e terminou com um erro irreparável — continuei falando, tentando afastar da minha mente as lembranças da noite anterior. — Eu traí a Morgana... — Levei as mãos para os cabelos e, sentindo-me culpado, puxei-os para trás. — Isso nunca deveria ter acontecido.

Fui até o banheiro e joguei água no meu rosto. A água fria em contato com a minha pele quente me acalmou um pouco. Eu respirava fundo, estava apreensivo. Também me sentia confuso em relação àquela mulher misteriosa e o que ela representou para mim ontem.

Foi uma experiência nova, uma conexão que nunca senti antes. E eu não seria nem um pouco exagerado se dissesse que foi a melhor que tive até hoje.

— Mas eu preciso esquecer, deixar ir — concluí, encarando-me no espelho. — Colocar debaixo do tapete e seguir adiante.

Eram oito horas da manhã quando liguei para Morgana. Escutei toda a sua bronca em silêncio. Me sinto terrivelmente culpado, mas não consigo evitar a sensação de que tive a noite mais intensa da minha vida e de que gostei de cada minuto.

— Não se preocupe, bela, eu vou me redimir por esse erro — falei com a firmeza de quem realmente se sente em dívida com alguém. — Sabe o leilão em Highpine no fim do mês?

— Sei.

— Iremos juntos — decretei. — E eu comprarei o que você quiser. Tudo o que quiser.

— Certo.

O tom da sua voz se suavizou. Ela havia gostado da minha proposta e isso me deixava profundamente aliviado. Morgana não tem noção de que o meu erro ia muito além de não tê-la encontrado no baile de máscaras.

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