CAPÍTULO 130
Quando o amor decide não deixar espaço vazio
CAIO MOREAU BASTIEN
Ela estava na rede, os pés balançando levemente, e escrevia no diário como quem derramava o coração em páginas que não podiam lhe responder. Eu a observei por longos minutos. O jeito como o cabelo caía sobre o rosto, a caneta deslizando firme, o lábio mordido de concentração… mas, acima de tudo, a solidão estampada em cada pausa, em cada suspiro, como se ela conversasse com alguém que não estava ali.
Era isso que eu não podia permitir. Eu não podia deixar que, entre nós, houvesse silêncio. Não podia deixar que o tempo roubasse de nós o que já tinha sido arrancado dela. Sete anos… sete anos desperdiçados, e eu, idiota, achando que talvez meu irmão estivesse cuidando dela. Agora eu via: ela sobreviveu sozinha, dentro de um casamento que nunca foi lar.
Levantei-me sem fazer barulho, beijei de leve os cabelos dela sem que percebesse e saí do bangalô. O ar das Maldivas tinha cheiro de maresia doce, e o sol já se