CAPÍTULO 166
Quando o amor levanta o impossível
ALINNA TAVARES
O salão inteiro parecia segurar a respiração. O mestre de cerimônias aguardava, a orquestra parara de tocar e o tempo… o tempo tinha congelado. Eu sentia meu coração batendo tão alto que parecia ecoar nas paredes de vidro da catedral parisiense.
E então, o som. O ranger discreto das rodas ecoou pelo corredor. Meu corpo estremeceu antes mesmo de ver.
Caio.
Ele surgiu na entrada, vestindo um terno branco impecável que refletia a luz como se fosse feito de aurora. O cabelo penteado para trás, os olhos marejados mas firmes. A cadeira de rodas avançou até a ponta do tapete, e cada convidado se ergueu instintivamente, como se fosse um rei entrando no seu próprio trono.
Eu chorei. Não consegui segurar. As lágrimas caíram com violência, borrando a maquiagem, mas sem apagar o brilho do que eu via.
Lucas, no primeiro banco, deixou escapar um sorriso largo, aliviado, e fechou os olhos por um instante — como quem agradece por dentro.