CAPÍTULO 165
Quando o amor precisa atravessar oceanos para provar que existe
ALINNA TAVARES
O reflexo no espelho parecia o de uma estranha. O vestido branco se ajustava ao meu corpo como se tivesse sido feito para outra mulher, alguém mais firme, mais segura, mais convencida de suas escolhas. Eu, porém, tremia por dentro. Os dedos apertavam o tecido sobre a cintura e o peito subia e descia rápido demais.
As mãos da maquiadora se moviam delicadas, pincelando o pó, corrigindo imperfeições, mas nada poderia apagar o que realmente estava estampado no meu rosto: medo.
Um ano. Um ano desde a morte de Eduard. Seis meses desde que sua cláusula maldita me empurrou para Caio. E agora… aqui estava eu, em Paris, cercada por flores, jornalistas à espreita, investidores que transformaram minha vida num espetáculo. Mas o meu coração só batia uma pergunta: ele vai vir?
Me levantei devagar, afastando a cabeleireira que ajeitava o véu. Caminhei até a janela da suíte presidencial. Lá embaixo, Paris viv