CAPÍTULO 163
Quando o vinho revela verdades que o coração não aguenta calar
LUCAS SANTORO
O bar já estava quase vazio. Paris respirava frio lá fora, mas ali dentro o calor do vinho e da madeira antiga parecia esconder o peso do mundo. Eu girava a taça entre os dedos, sem coragem de beber, enquanto Sidney me encarava com aquele jeito que só ele tinha: como se fosse capaz de atravessar minhas defesas com um único olhar.
Ele soltou um riso curto, amargo.
— E o que você acha de ainda pegar essa mulher, preparar um casamento e entregar ela pro seu melhor amigo?
Baixei os olhos. O vinho refletia a luz amarela como sangue velho.
— Sabe, Lucas… — Sidney se inclinou, a voz mais grave. — Você é o cara mais foda que eu conheço. Caio é como nosso irmão. A gente pode fechar os olhos e saber que ele morreria por qualquer um de nós dois. E eu até entendo ele, por um instante, confiar a mulher dele a você. Ele sabia que ela estaria segura. Que seria cuidada, amada… melhor do que se caísse nas mãos