CAPÍTULO 164
Quando a vingança não pede licença
CAIO MOREAU BASTIEN
O sono tinha sido forçado, pesado. Eu estava exausto, o corpo quebrado de fisioterapia e dor, mas a mente não parava. No escuro, entre sonhos fragmentados e lembranças que me cortavam, eu só queria algumas horas de silêncio.
Até ouvir.
Um grunhido.
Baixo, arrastado, quase um gemido de animal ferido.
Meus olhos se abriram, e por um instante achei que era um pesadelo. Me sentei na cama, o coração disparando.
E então vi.
Sidney.
Em pé, no meio do quarto, com um bastão de beisebol nas mãos. O sorriso dele era diabólico, frio, como se estivesse se divertindo com o inferno.
Aos pés dele, Nicola Versari contorcia-se de dor, o rosto coberto de sangue, tentando se erguer em vão.
— Então você veio, seu puto? — Sidney cuspiu, girando o bastão. — Meu irmão Lucas errou ao te mandar pro Caio, sabia?
Minha boca tentou se abrir, mas não consegui falar. Era como se minha mente ainda estivesse presa ao sonho, sem distinguir realidade