Mundo de ficçãoIniciar sessãoMaitê Fernandes, enfermeira, tem uma noite impulsiva com Rafael Valença, um magnata na casa dos 40 e dono de um império hospitalar. Então surge uma proposta: um contrato de um ano como amante. Em troca de luxo total, Maitê deve ser exclusiva dele, disponível na cama sempre que ele desejar. Sem filhos e sem promessas de amor. Ela aceita, sabendo que arrisca se apaixonar por um homem que não acredita em um: “para sempre”. Rafael, divorciado e avesso a laços permanentes, acredita que um ano será suficiente para saciar o desejo avassalador que ela desperta. Entre as noites de sexo que apagam o mundo e um contrato que dita regras, o prazo de validade pode acabar, mas o sentimento que começa a nascer não respeita cláusulas.
Ler maisCapítulo 1
Maitê Fernandes tinha quase certeza de que havia enlouquecido. Não havia outra explicação plausível para ter terminado a noite nua, suada e completamente entregue nos braços de um completo estranho. Um homem que conheceu há menos de uma hora. Um homem cujo nome ainda não sabia, mas cujo toque ainda queimava em sua pele. Tudo começou de forma inocente... Maitê pegou uma bebida no bar da boate sofisticada para onde a amiga rica a arrastou naquela noite. Caminhou devagar entre pessoas da alta sociedade, com conversas que giravam em torno de negócios e viagens internacionais. Ela definitivamente não pertencia àquele mundo. "Não é exatamente o que eu gostaria... mas não veria problema algum se tivesse bastante dinheiro", pensou, rindo baixinho de si mesma. O sorriso se desfez no mesmo instante. Entre tantas pessoas bem-vestidas, um homem destacou-se de forma quase absurda. Ele era mais alto que a maioria e de ombros largos. Sua presença dominava o ambiente. Alguém com uma pasta corria atrás dele, parecia aflito, enquanto o homem andava até o bar, exatamente para o lado onde Maitê estava. - Senhor... senhor, por favor - insistiu o outro, quase tropeçando nos próprios pés. O homem suspirou, claramente irritado, no limite da paciência. - Chega, Ângelo. Não vou assinar esse documento. Se eu fizer isso, vou acabar me enforcando - disse, passando a mão pelos cabelos levemente grisalhos nas têmporas. - Um uísque duplo, por favor. Maitê tentou fingir desinteresse, mas seus olhos a traíram. Observou-o de soslaio enquanto ele se apoiava no balcão, afrouxando discretamente o nó da gravata enquanto o outro homem ia embora vencido. Ele sentiu que alguém o estava observando. Virou-se lentamente, encontrando os olhos dela. - Parece que não sou o único precisando de uma bebida forte esta noite - comentou sedutor, com um leve sorriso nos lábios perfeitamente desenhados. Maitê ergueu o copo. - Acho que todos aqui precisam. Alguns só fingem melhor. O sorriso dele se alargou, ficou interessado na mulher misteriosa. - Finalmente alguém honesto nesse lugar. Mais tarde, o clima entre Maitê e o desconhecido tornava-se cada vez mais íntimo. - O que a traz a um lugar como esse? - ele perguntou, inclinando-se levemente na direção dela. - É uma CEO? Devo me preocupar? Maitê sorriu, girando o copo entre os dedos antes de responder. - Não precisa se preocupar... por enquanto - disse, flertando abertamente. Ele percebeu a intenção no mesmo instante. E gostou. O sorriso dele se aprofundou. - Gosto de mulheres misteriosas - murmurou. - Principalmente das que não fogem quando são provocadas. Maitê sentiu um arrepio leve percorrer-lhe a espinha. Enquanto conversavam, o drink de Maitê chegou ao fim. Ela colocou o copo vazio sobre o balcão, sem perceber quando ele fez um leve sinal ao barman. - Outro? - perguntou, mesmo sabendo a resposta. - Só se for por sua conta - ela respondeu, divertida. - Com prazer. Algumas pessoas ao redor lançavam olhares curiosos. Não era difícil notar a conexão entre os dois. Entre os observadores, um homem tentou se aproximar demais, fingindo mexer no celular. Um repórter, mal disfarçado. A segurança agiu rápido ao ver o suspeito se aproximando. Em segundos, ele foi identificado e retirado do local sob protestos. - Eu! Espera! Sou um convidado... Maitê arregalou levemente os olhos. - Isso acontece com frequência? - perguntou. - Mais do que eu gostaria - respondeu ele, indiferente. Após algumas bebidas, algo mudou. O olhar dele tornou-se mais intenso. Mais atento. Mais... malicioso. Ele havia feito um esforço colossal para manter a postura, para não deixar os olhos denunciarem pensamentos que não combinavam com a imagem controlada que costumava sustentar. Mas naquela altura, o controle começava a falhar. O decote em V do vestido de Maitê destacava-se mais do que antes. Talvez fosse a luz. Talvez fosse o álcool. Talvez fosse apenas a forma como ela se movia com naturalidade, alheia ao efeito que causava. Mas, dessa vez, ele não desviou o olhar. Deixou que o olhar seguisse lentamente o caminho da pele exposta, imaginando como seria ao toque. A aparência da pele dela sugeria algo extremamente macio... e perigosamente convidativo. Maitê percebeu a mudança nele. Ergueu uma sobrancelha, sem constrangimento algum. Provavelmente o álcool a deixou assim, mais solta. - Está tudo bem? - olhando para ele com interesse. Ele sustentou o olhar. Ele apoiou o cotovelo no balcão, inclinando-se um pouco mais, reduzindo o espaço entre os dois a um limite perigosamente íntimo. - Você sabe - disse em voz baixa - que esse tipo de olhar costuma ser interpretado como um convite? Ela sentiu o coração acelerar, mas continuou a provocação. - E você costuma aceitar convites de desconhecidas?Capítulo 203Alguns meses passaram desde o casamento de Téo e Melina e do pedido de casamento de Leônidas a Luna. As duas gestações avançavam bem e, coincidência ou não, as barrigas dos gêmeos de Téo e Luna cresciam quase no mesmo ritmo, arrancando comentários divertidos de Maitê sempre que conseguia reunir os filhos.Melina estava no sexto mês de gestação e já tinha certa dificuldade com o peso dos filhos. Continuava trabalhando no hospital, embora Téo tivesse se tornado ainda mais atento aos seus horários e ao cansaço dela. Não tentava impedi-la de trabalhar, porque sabia que seria inútil, mas bastava perceber qualquer sinal de exaustão para começar a insistir que ela precisava descansar.Naquela tarde, ela terminou o expediente um pouco antes dele e foi até a presidência. Encontrou Téo diante do computador, terminando de responder algumas mensagens.— Quanto tempo?Ele parou o que estava fazendo e olhou para ela.— Para quê?— Para você terminar.— Dez minutos.Melina olhou para o
Capítulo 202Duas semanas passaram depressa demais para Melina. Entre o trabalho no hospital, as consultas da gravidez e os preparativos que Maitê assumiu com uma disposição quase inesgotável, ela mal percebeu os dias avançarem até acordar na manhã em que se tornaria esposa de Téo.A cerimônia seria realizada em uma propriedade da família nos arredores de Atenas, cercada por jardins e com uma vista privilegiada para o mar. Como Melina desejou desde o início, não haveria centenas de convidados. Téo também não fazia questão de transformar o casamento em um acontecimento social. Os dois queriam perto deles apenas as pessoas que realmente faziam parte de suas vidas.No quarto reservado para a noiva, Luna observava Melina diante do espelho enquanto Maitê fazia questão de conferir pela terceira vez se tudo estava perfeito.— Se continuar me olhando desse jeito, vai chorar — Melina avisou.— Eu não vou chorar.Luna riu enquanto ajeitava o vestido.— Vai, sim. Ela quase chorou quando você col
Capítulo 201Calista passou boa parte da manhã seguinte tentando descobrir por que o pai estava em Atenas. Conhecia o suficiente sobre os negócios dele para saber que aquela viagem não fazia parte de nenhuma programação habitual e, quanto mais pensava na conversa da noite anterior, mais se convencia de que sua chegada tinha relação com os Valença.A frase dele continuava incomodando:“Cuidado para não esquecer quem é sua família.”Durante muito tempo, aquilo teria sido suficiente para fazê-la recuar. Cresceu aprendendo que lealdade à família significava obedecer, não questionar e, principalmente, não contrariar o pai. Mas muita coisa havia mudado desde que começou a trabalhar com os Valença.Ela não estava mais disposta a cumprir ordens apenas porque vinham dele.Pouco antes do almoço, Calista recebeu uma mensagem.“Preciso falar com você. Hotel Grande Atenas, às duas.”Nenhuma pergunta, nenhum “pode vir?”. Era exatamente como ele sempre fazia.Calista ficou olhando para a tela durant
Capítulo 200 Calista estava no escritório, concentrada na análise de alguns documentos, quando o celular começou a vibrar sobre a mesa. A princípio, não deu muita importância e continuou lendo o relatório, mas, ao pegar o aparelho e ver quem estava ligando, franziu a testa. Era o seu pai. Fazia algum tempo que ele não entrava em contato diretamente, e Calista conhecia aquele homem o bastante para saber que dificilmente ligava apenas para saber como ela estava. Atendeu depois de alguns segundos, com um ar de desconfiança. — Pai? Aconteceu alguma coisa? — Precisa acontecer alguma coisa para ligar para minha filha? O tom aparentemente tranquilo não a convenceu. Ela encostou na cadeira: — Considerando que você não costuma me ligar sem motivo, provavelmente. Ele riu baixo antes de responder: — Nesse caso, achei melhor avisar que estou na Grécia. Ela endireito o corpo na cadeira, surpresa com a informação. — Você está onde? — Em Atenas. Cheguei hoje. Ela levantou e caminhou deva





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