Mundo de ficçãoIniciar sessãoCapítulo 8
Rafael dirigia com uma mão no volante e a outra apoiada na janela aberta. O endereço que havia marcado com a corretora estava salvo no GPS: um prédio novo, torre única de vidro e aço, batizado de "Residencial Horizonte". Cobertura duplex, 180 m², vista 360 graus, piscina privativa na varanda. Perfeito. Ele estacionou na vaga reservada da garagem subterrânea, a corretora já havia liberado o acesso. Subiu pelo elevador privativo direto para o último andar. Assim que saiu do elevador, ela já estava lá, esperando no hall de entrada do apartamento. Camila, 32 anos, loira alta, corpo esculpido por academia, vestido justo e salto alto vermelho sangue, que não deixava dúvida sobre suas intenções. O sorriso era profissional, mas os olhos diziam outra coisa. - Senhor Valença - disse ela, estendendo a mão com unhas vermelhas perfeitas. - Que pontualidade. Adoro homens que cumprem horário. Rafael apertou a mão dela, sem sorrir de volta. - Vamos ver o apartamento. Ela não se abalou com a frieza. Pelo contrário: o desafio a animou. O quadril balançava de propósito enquanto caminhava à frente dele. - Claro. Por aqui. O duplex era exatamente o que ele havia pedido: suíte master com banheira de hidromassagem, chuveiro duplo e varanda privativa com piscina de borda infinita, jacuzzi embutida e área gourmet com churrasqueira. Camila parava em cada cômodo, gesticulando com elegância exagerada, inclinando-se um pouco mais do que o necessário para apontar detalhes. - Aqui na sala, o sofá modular é retrátil e pode virar cama king size... caso precise de espaço extra para... convidados - disse ela, olhando para ele por cima do ombro, os lábios curvados num sorriso malicioso. Rafael não respondeu. Caminhou até a janela, avaliando a vista. O prédio ficava a cinco minutos da sede da holding. Perfeito para Maitê ir e vir sem perder tempo. Camila se aproximou por trás, o perfume doce e caro invadiu o espaço dele. - A piscina é aquecida - continuou, com a voz mais baixa. - A noite, com as luzes da cidade lá embaixo... fica romântico. Muito romântico. - Ela tocou de leve o braço dele, os dedos demorando um segundo a mais. - Imagino que o senhor goste de... aproveitar esses espaços com alguém especial. Rafael virou o rosto devagar, tirando os óculos escuros. Os olhos verdes a encararam sem piscar. - Estou comprando para uma mulher - disse ele, direto. - Não para mim. Camila piscou, surpresa, mas recuperou o sorriso rápido. - Entendi. - disse, deixando o decote bem na linha de visão dele. - Então ela vai adorar. O quarto master tem espelhos no teto... e na parede oposta à cama. Alguns clientes dizem que isso... amplia a experiência. Ela mordeu o lábio inferior de leve, o olhar descendo pelo peito dele antes de voltar ao rosto. - Se quiser, posso mostrar como fica à noite. Com as luzes baixas. Só nós dois... testando o ambiente. Rafael ergueu uma sobrancelha. - Você sempre oferece "test drive" para os clientes? Camila riu baixo, sem se envergonhar. - Só para os que valem a pena. E o senhor, Rafael Valença... vale muito a pena. Ele se distanciou um pouco dela. - O apartamento está perfeito. Vou fechar hoje mesmo. Mande a papelada para o meu advogado. Quero as chaves entregues amanhã antes do almoço. Camila assentiu, com um sorriso nos lábios, mesmo disfarçando a frustração. - Claro. Vou preparar tudo. - Ela pegou o tablet da bolsa e começou a digitar. - Posso mandar o link do contrato por e-mail? - Sim. E Camila... - Ele esperou até que ela erguesse os olhos. - Nada de "test drive". Nem agora, nem depois. A mulher que vai morar aqui é minha. Exclusivamente minha e não preciso de mais ninguém. O recado foi claro. Camila engoliu seco e o sorriso profissional voltou ao rosto bonito. - Entendido, senhor Valença. Mensagem recebida. Rafael colocou os óculos de volta e caminhou até a porta. - Mande as chaves para o endereço que meu assistente vai passar. E parabéns pela venda. Ele saiu sem olhar para trás. Ela ficou parada no meio da sala ampla, olhando a porta fechada. Suspirou, balançando a cabeça. - Que pena... - murmurou para si mesma. Enquanto isso, Rafael desceu pelo elevador privativo, enquanto digitava uma mensagem rápida para Maitê: "Endereço do novo apartamento. Traga só o essencial. O resto eu cuido." Enviou. Tudo pronto para tê-la exatamente como queria. Dentro do Mercedes, ligou o carro. Ele ajustou o ar-condicionado para o máximo, mas nem isso conseguiu baixar a temperatura que subia por dentro dele. Durante a semana, Maitê seria só dele. Exclusivamente dele. Sem plantões longos, sem vizinhos idiotas batendo na porta, sem kitnet apertada. Só ela, no apartamento novo, esperando por ele quando quisesse. Quando precisasse. Rafael Valença estava acostumado a mulheres que o procuravam por interesse: status, dinheiro e poder. Todas sabiam quem ele era antes mesmo de se aproximar. Mas Maitê não. Ela o olhou como se ele fosse apenas mais um homem bonito no balcão. E quando os olhares se cruzaram, ela sorriu. Ele sentiu o pau endurecer só com aquele olhar. E isso nunca acontecia. Nunca. Desde então, não conseguiu parar de pensar nela. No jeito como ela gemia baixo quando ele entrava fundo. No cheiro da pele dela. No modo como mordia o lábio inferior quando estava nervosa. Ele apertou o volante com força. O pau já estava semi-duro só de lembrar. Imaginou-a na piscina da cobertura: o corpo nu e a água descendo pelos seios, pelos quadris, entre as coxas. Imaginou-a de quatro na cama king size, os espelhos refletindo cada ângulo enquanto ele a fodia por trás, vendo o rosto dela se contorcer de prazer no reflexo. Um gemido baixo escapou da garganta dele. Ele respirou fundo, forçando para o controle de sua mente voltar. "Calma", pensou. "Você tem um ano inteiro. Não precisa devorar tudo de uma vez." Mas a verdade era que queria. Queria devorá-la. Queria marcá-la de formas que nenhum outro homem jamais faria. Queria que ela se acostumasse tanto ao toque dele que, quando o contrato acabasse, ela não conseguisse imaginar outra mão na pele dela. O celular vibrou no console, era uma mensagem dela. "Recebi o endereço. Obrigada pelo apartamento... ainda não acredito." Ele sorriu de lado, digitando rápido quando parou no farol. "Você vai acreditar quando entrar. E quando eu entrar em você lá dentro." Enviou. Segunda-feira. 11h no escritório para assinar o contrato e às 14h no apartamento para entregar as chaves. E depois... depois ele mostraria a ela exatamente o que significava ser dele.






