Mundo de ficçãoIniciar sessãoNa lua de mel, o que Clara Vega não esperava era que seu companheiro de assento em um voo de quatorze horas fosse Adrián Castellanos. Seu chefe bilionário. Um homem frio, calculista, rigoroso e tão distante que mal se lembra do seu nome no escritório. Longe dos frios corredores corporativos, sob o calor tropical e as luzes de uma festa em um iate, a inabalável barreira entre o implacável CEO e sua eficiente secretária desmorona. Uma noite de vulnerabilidade e tensão inegável os leva a cruzar uma linha da qual não há retorno. Mas voltar ao escritório não será tão fácil. Por trás das portas de vidro, os olhares furtivos queimam e a antiga frieza do CEO se transforma em uma proximidade perigosa que ameaça expor os dois. E o pior de tudo: há erros que não podem ser apagados de uma agenda… porque Clara está grávida, e esse bebê não apenas mudará sua vida, mas a obrigará a enfrentar uma das famílias mais poderosas do país para protegê-lo.
Ler maisAs mãos dele se moviam com segurança, mas sem pressa, me mapeando como se quisesse memorizar cada detalhe. Eu respondi sem pensar, me deixando levar, esquecendo por completo quem ele era lá fora… e quem eu deveria ser. Nos aproximamos mais, como se a distância já não fosse uma opção, como se ambos tivéssemos chegado ao mesmo ponto sem precisar de palavras. O tempo parou de importar. Só restou a forma como ele me olhava, a maneira como me segurava e aquela sensação intensa de estar, finalmente, no lugar exato onde eu queria estar. Nos despimos com urgência, como se as roupas tivessem virado um obstáculo entre o que sentíamos e o que já não podíamos mais ignorar. Quando o corpo dele ficou de frente para o meu, por um segundo esqueci como respirar. Ele era… perfeito. Cada linha marcada com precisão, cada músculo definido sob a pele clara que contrastava com o calor do ambiente, como se tivesse sido esculpido com o mesmo cuidado com que ele construía tudo na sua vida. Mas não era
O voo foi desconfortável. Não por causa de turbulência, mas pela proximidade constante, por passar horas dividindo um espaço pequeno demais com alguém que, em qualquer outro contexto, mantinha uma distância perfeitamente calculada. Adrián Castellanos não era o tipo de homem que invadia o espaço dos outros… mas também não era de compartilhá-lo assim. Mesmo assim, lá estávamos nós. Silêncios longos, olhares que eu fingia não notar e uma tensão sutil que eu não sabia exatamente de onde vinha, mas que simplesmente não passava. Quando pousamos, achei que o pior já tinha ido. Claramente, eu não fazia ideia. Não tinha táxi disponível. A fila estava absurda, o calor úmido de Bali grudava na pele e a minha paciência estava perigosamente perto do limite. Adrián observou a cena com aquela calma imperturbável de sempre, como se o caos fosse apenas mais uma variável a ser resolvida. Ele fez uma ligação rápida. Cinco minutos depois, um carro preto parou bem na nossa frente. — Vamos dividir
Ele ergueu os olhos com aquela precisão característica de quem sempre analisa as pessoas como se fossem relatórios financeiros. Levou apenas um segundo para me reconhecer antes de arquear levemente uma sobrancelha. — Vega. Não pareceu surpreso. Pareceu analítico. Acomodei a bolsa no colo, como se isso pudesse me dar alguma estabilidade emocional. — Senhor. O olhar dele desceu instintivamente para a minha mão esquerda. Vazia. Depois, voltou para os meus olhos. — Seu marido não está viajando com você? Direto. Sem anestesia. Sorri com aquele sorriso que já estava virando o meu mecanismo oficial de defesa. — Tivemos alguns problemas de agenda — menti com uma fluidez surpreendente. — Ele… precisou ficar. “Ficar me traindo” não era um detalhe necessário para o momento. Ele assentiu de leve, mas a sua expressão não indicava que estivesse totalmente convencido. Então, seu olhar percorreu a cabine com um desagrado discretamente disfarçado. — Por que o senhor não está na prime
O aeroporto estava entupido de casais felizes. Claro que estava. Mulheres agarradas aos braços dos companheiros, caras empurrando malas com aquele entusiasmo típico de recém-casados, beijos exagerados na frente dos painéis de voos internacionais. E eu ali, sozinha. Com uma passagem que dizia “2 passageiros”. E a minha dignidade viajando na classe econômica. Eu não estava vestida como uma noiva abandonada. Estava vestida como uma mulher que decidiu que, já que tinha perdido noventa por cento do valor da viagem, pelo menos ia usar a maldita passagem. Jeans. Uma blusa básica. Óculos escuros estrategicamente escolhidos para esconder as olheiras. Respirei fundo quando anunciaram o embarque e tentei me convencer de que daria conta daquilo. No fim das contas, era só um voo. Um simples trajeto onde ninguém me conhecia, ninguém sabia que eu deveria estar em lua de mel e ninguém ia perguntar de um marido que, oficialmente, já tinha virado uma história vergonhosa. Entrei no avião










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