Capitulo 6

Capítulo 6

Rafael a observou novamente. Ele não tinha pressa de sair de dentro dela. Gostava da sensação de tê-la assim, completamente à sua mercê.

- Diga que quer - disse, sedutor, roçando os lábios nos dela.

- É que... - ela parou de falar. Estava claramente com dúvidas.

- Já sei. Minha idade te incomoda. Tenho 45, mas acredito que isso não será um problema. Você deve ter a idade do meu filho, que tem 25.

Maitê ergueu o rosto, surpresa.

- Tenho 24 anos e moro sozinha num kitnet. Mas não é isso...

Ele se afastou devagar, saindo dela com cuidado. Arrumou a calça e não se afastou mais do que o necessário. Ficou ali, ouvindo-a falar. Ela contou um pouco da vida: a kitnet apertada no bairro periférico, o salário de enfermeira que mal dava para as contas, os plantões exaustivos, a mãe que morava no interior e precisava de ajuda de vez em quando. Falava com humildade, sem autopiedade, mas com uma honestidade crua que o tocou mais do que esperava.

Na noite anterior, Rafael havia imaginado que ela tinha uma vida mais confortável, talvez um namorado que pagasse parte das contas. Mas isso não importava. Não para ele. O que importava era que ela estava ali, agora, dizendo sim para algo que a maioria das mulheres recusaria por orgulho ou medo.

Quando ela terminou de falar, ele concordou devagar com a cabeça. Estendeu a mão e segurou o queixo dela com carinho, erguendo o rosto para que ela o olha-se nos olhos.

- Vou arrumar um apartamento pra você morar aqui perto do centro. E um carro.

Maitê piscou várias vezes. Parecia que sua vida estava prestes a mudar da água para o vinho. Um apartamento no centro. Um carro, dinheiro e luxo.

Mas havia uma pergunta que queimava na mente dela.

- Você é casado?

Rafael sustentou o olhar dela sem piscar.

- Sou divorciado.

- Você era fiel? - perguntou, curiosa, quase sem pensar.

Ele deu um sorriso divertido, que não chegavam aos olhos, mas que suavizava a expressão dura no rosto dele.

- Minha vida com minha ex-esposa não vem ao caso. - Ele inclinou-se um pouco mais perto, o cheiro dele invadindo os sentidos dela outra vez. - E então... você aceita?

Maitê respirou fundo. O orgulho gritava para dizer não. O desejo gritava para dizer sim. O medo sussurrava que ela se arrependeria. Mas o corpo dela já tinha decidido.

- Aceito.

O sorriso dele abriu devagar, satisfeito, quase triunfante. Não perguntou se ela namorava. Se tivesse um namorado, ela com certeza terminaria. Ele colocaria bem explícito no contrato: exclusividade absoluta. Ela seria só dele. Um ano. Tempo suficiente para tirar essa loucura da mente, para saciar o desejo que o consumia desde a noite anterior. Depois... depois ele veria.

- Qual o seu nome?

- Maitê Fernandes. E o seu?

Ele ergueu uma sobrancelha, divertido. Ela realmente não sabia.

- Rafael Valença.

Maitê piscou.

- Você... você é dono desse hospital?

Ele apenas concordou com a cabeça, sem ostentação ou orgulho. Era um fato.

- Você trabalha aqui?

- Sim. O senhor é meu patrão.

Ele encostou o corpo no dela de novo. As mãos grandes envolveram a cintura, puxando-a para mais perto.

- Sou seu homem - corrigiu de forma possessiva. - E você é minha mulher. Segunda-feira o contrato estará pronto. Assim que assinar, será oficial.

Maitê sentiu um arrepio percorrer a espinha. O jeito como ele disse "minha mulher" não soou como parte de um acordo comercial. Soou como uma declaração. Como posse.

Ela ergueu o rosto, os olhos castanhos, encontrando os dele.

- E se eu quiser mais do que um ano? - perguntou baixinho.

Ele sorriu roçando os lábios nos dela num beijo.

- Então vamos renegociar. Mas por enquanto... - Ele a beijou de verdade, a língua invadiu a boca dela. - Por enquanto, você é minha. E eu cuido do que é meu.

Quando se afastou, Maitê estava sem fôlego e com as pernas bambas.

- Segunda-feira - repetiu ele, arrumando a saia dela. - No meu escritório.

Ela assentiu, atordoada.

Ele abriu a porta, olhou para o corredor vazio e estendeu a mão para ela.

- Vamos. Eu te levo em casa.

Ninguém os viu sair de mãos dadas. A maioria dos funcionários estavam concentrados na ala de emergência, atendendo as vítimas de um grave acidente na rodovia.

Eles saíram pela saída reservada à diretoria, onde estava o SUV preto. Abriu a porta do passageiro. Ela entrou, com as pernas ainda bambas e o corpo sensível e dolorido do sexo gostoso.

- Segunda-feira às onze esteja no meu escritório. Passe o número do seu telefone. Vou te mandar o endereço.

Maitê pegou o celular na bolsa.

- Tem um escritório em outro lugar que não seja o hospital?

- Tenho vários - respondeu ele, sem entrar em detalhes. - Esse fica no centro, no prédio da holding. É mais... privado.

Ele salvou o contato como "Maitê" e guardou o aparelho.

- Quero que use anticoncepcional - disse ele de repente, olhando para a frente, para a rampa de saída. - Não quero ter mais filhos. Daniel é meu primogênito. Fui casado por dez anos e sinceramente não me vejo como pai novamente.

As palavras saíram frias como o ar-condicionado que soprava no rosto dela. Ela virou o rosto para a janela, fingindo observar a paisagem. Achou-o frio e calculista. Parecia que estava ditando regras de um negócio, não falando sobre uma relação.

Ela não respondeu de imediato. Ficou calada, processando. Não sabia o que seria daquela relação estranha, mas também não ia fingir que tudo poderia acabar de um segundo para o outro. Não depois do que sentiu na sala, não depois do jeito que o corpo dele a reivindicou como se fosse dono. Ela sabia que ia se apegar e sabia que ia doer quando acabasse.

Enquanto ele dirigia, Maitê traçava planos mentais. Continuaria trabalhando no hospital nesse meio tempo. Guardaria cada centavo do salário. Juntaria tudo o que pudesse. Quando ele a tirasse do apartamento e pegasse o carro de volta, ela não sairia de mãos vazias. Isso seria o menor dos problemas.

O pior seria lidar com o coração despedaçado. Porque, mesmo sabendo que era só um acordo, uma parte dela já queria mais. Queria o Rafael que a olhava como se ela fosse a única coisa no mundo, não o Rafael que ditava regras sobre filhos que nunca viriam.

- Tudo bem - disse ela finalmente, tentando soar num tom neutro. - Vou começar a tomar. Já tomo, na verdade. Mas vou garantir que esteja em dia.

Rafael assentiu, sem olhar para ela.

- Bom.

Parou o carro e olhou nos olhos dela.

- Alguma dúvida?

Maitê respirou fundo.

- E se... eu não conseguir me contentar com as regras?

Ele a estudou por um longo segundo. Os olhos castanhos escureceram.

- Então vamos conversar - respondeu devagar. - Tudo será na base da conversa.

Ela assentiu, engolindo o nó na garganta.

Ele estendeu a mão e passou o polegar devagar pela bochecha dela de forma carinhosa.

- Segunda-feira, onze em ponto. Não se atrase.

- Não vou.

Ele se inclinou e a beijou. Depois abriu a porta do lado dela.

- Amanhã mando o endereço.

Ela desceu e olhou para ele uma última vez antes de fechar a porta.

- Até segunda, Rafael.

- Até segunda, Maitê.

O SUV seguiu viagem devagar, deixando-a na calçada do bairro onde morava. Ela ficou parada ali por um minuto inteiro. Estava com medo de sair machucada.

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