Mundo de ficçãoIniciar sessão
Capítulo 1
Maitê pegou uma bebida no bar da boate sofisticada para onde a amiga rica a arrastou naquela noite. Caminhou devagar entre pessoas da alta sociedade, com conversas que giravam em torno de negócios e viagens internacionais. Ela definitivamente não pertencia àquele mundo. "Não é exatamente o que eu gostaria... mas não veria problema algum se tivesse bastante dinheiro", pensou, rindo baixinho de si mesma. O sorriso se desfez no mesmo instante. Entre tantas pessoas bem vestidas, um homem destacou-se de forma quase absurda. Ele era mais alto que a maioria e de ombros largos. Sua presença dominava o ambiente. Alguém com uma pasta corria atrás dele, parecia aflito, enquanto o homem andava até o bar... exatamente para o lado onde Maitê estava. - Senhor... senhor, por favor - insistiu o outro, quase tropeçando nos próprios pés. O homem suspirou, claramente irritado, no limite da paciência. - Chega, Ângelo. Não vou assinar esse documento. Se eu fizer isso, vou acabar me enforcando - disse, passando a mão pelos cabelos levemente grisalhos nas têmporas. - Um uísque duplo, por favor. Maitê tentou fingir desinteresse, mas seus olhos a traíram. Observou-o de soslaio enquanto ele se apoiava no balcão, afrouxando discretamente o nó da gravata enquanto o outro homem ia embora vencido. Ele sentiu que alguém o estava observando. Virou-se lentamente, encontrando os olhos dela. - Parece que não sou o único precisando de uma bebida forte esta noite - comentou sedutor, com um leve sorriso nos lábios perfeitamente desenhados. Maitê ergueu o copo. - Acho que todos aqui precisam. Alguns só fingem melhor. O sorriso dele se alargou, ficou interessado na mulher misteriosa. - Finalmente alguém honesto nesse lugar. *** Dafne terminou de conversar com o último cliente e foi até Maitê quando a viu conversando com seu cliente VIP. Diminuiu o passo, avaliando a cena à distância, e achou melhor não se aproximar, pelo menos não por enquanto. Sorriu para si mesma. Aquilo fazia parte do jogo. Em festas como aquela, flertar era quase um reflexo. E, pelo visto, sua amiga não precisaria dela naquela noite. Dafne observou mais uma vez. O homem sorria para Maitê de um jeito charmoso, confiante, do tipo que não precisava se esforçar para conquistar atenção de uma mulher. Era o tipo de homem que toda mulher notava ao entrar em um ambiente. "Maitê vai cair rapidinho", pensou, divertida. "E quem não cairia?" Riu baixinho e se afastou, misturando-se à multidão. *** Enquanto isso, no bar, o clima entre Maitê e o desconhecido tornava-se cada vez mais íntimo. - O que a traz a um lugar como esse? - ele perguntou, inclinando-se levemente na direção dela. - É uma CEO? Devo me preocupar? Maitê sorriu, girando o copo entre os dedos antes de responder. - Não precisa se preocupar... por enquanto - disse, flertando abertamente. Ele percebeu a intenção no mesmo instante. E gostou. O sorriso dele se aprofundou. - Gosto de mulheres misteriosas - murmurou. - Principalmente das que não fogem quando são provocadas. Maitê sentiu um arrepio leve percorrer-lhe a espinha. Enquanto conversavam, o drink de Maitê chegou ao fim. Ela colocou o copo vazio sobre o balcão, sem perceber quando ele fez um leve sinal ao barman. - Outro? - perguntou, mesmo sabendo a resposta. - Só se for por sua conta - ela respondeu, divertida. - Com prazer. Algumas pessoas ao redor lançavam olhares curiosos. Não era difícil notar a conexão entre os dois. Entre os observadores, um homem tentou se aproximar demais, fingindo mexer no celular. Um repórter, mal disfarçado. A segurança agiu rápido ao ver o suspeito se aproximando. Em segundos, ele foi identificado e retirado do local sob protestos. - Eu! Espera! Sou um convidado... Maitê arregalou levemente os olhos. - Isso acontece com frequência? - perguntou. - Mais do que eu gostaria - respondeu ele, indiferente. Após algumas bebidas, algo mudou. O olhar dele tornou-se mais intenso. Mais atento. Mais... malicioso. Ele havia feito um esforço colossal para manter a postura, para não deixar os olhos denunciarem pensamentos que não combinavam com a imagem controlada que costumava sustentar. Mas naquela altura, o controle começava a falhar. O decote em V do vestido de Maitê destacava-se mais do que antes. Talvez fosse a luz. Talvez fosse o álcool. Talvez fosse apenas a forma como ela se movia com naturalidade, alheia ao efeito que causava. Mas, dessa vez, ele não desviou o olhar. Deixou que o olhar seguisse lentamente o caminho da pele exposta, imaginando como seria ao toque. A aparência da pele dela sugeria algo extremamente macio... e perigosamente convidativo. Maitê percebeu a mudança nele. Ergueu uma sobrancelha, sem constrangimento algum. Provavelmente o álcool a deixou assim, mais solta. - Está tudo bem? - olhando para ele com interesse. Ele sustentou o olhar. - Agora está - respondeu, sem hesitar, percebendo o interesse dela. Silêncio. Ele apoiou o cotovelo no balcão, inclinando-se um pouco mais, reduzindo o espaço entre os dois a um limite perigosamente íntimo. - Você sabe - disse em voz baixa - que esse tipo de olhar costuma ser interpretado como um convite? Ela sentiu o coração acelerar, mas continuou a provocação. - E você costuma aceitar convites de desconhecidas? - Só quando elas parecem saber exatamente o que estão fazendo. Ela sorriu consciente do efeito que estava causando nele. - Talvez eu saiba - respondeu. - Ou talvez só esteja cansada de regras. Isso foi o suficiente para ele, que respirou fundo, como se estivesse tomando uma decisão que normalmente evitaria. Pegou o copo, tomou o último gole de uísque e o deixou sobre o balcão. - Então vamos ser honestos - disse. - Não estou interessado em conversa fiada. Nem em promessas que não pretendo cumprir. Ela sentiu um arrepio percorrer-lhe a pele. - Ainda bem - respondeu. - Também não gosto de ilusões. O olhar dele escureceu, a resposta o deixou satisfeito. - Tem um lugar perto daqui. Discreto. - Fez uma breve pausa, avaliando a reação dela. - Podemos continuar a noite lá... ou fingir que isso aqui não aconteceu. Maitê olhou ao redor: a boate luxuosa, as pessoas que não a conheciam, o mundo ao qual ela nunca pertenceu. Depois voltou o olhar para ele. - Fingir nunca foi meu forte - disse, pegando a bolsa. Ele abriu um sorriso lento. - Ótimo. Então venha comigo.






