Mar de Amargura, Sem Salvação para Mim
Depois que a minha irmã morreu, me casei com o marido dela, ocupando o lugar que ela havia deixado na vida dele.
Durante cinco anos, cuidei do filho que ela havia dado à luz antes de morrer e vivi como uma dona de casa obediente, inteiramente devotada à família.
Até o dia em que fui a uma reunião de pais e professores do Danilo Tavares, de oito anos. Ele me empurrou com força escada abaixo e gritou, para todo mundo ouvir:
— Sua vagabunda! Quando a minha mãe ainda estava viva, você já estava seduzindo o meu pai! Agora que ela morreu, você fica aqui pagando de boazinha. Giovana Castro, escuta bem: eu nunca vou deixar o meu pai casar com você! Dá o fora da minha casa enquanto é tempo!
As pessoas ao redor começaram a apontar para mim e cochichar, claramente entretidas com o escândalo.
Eu ergui os olhos e, em meio a tantos olhares de desprezo e curiosidade mórbida, encarei Danilo. Ele usava a roupa que eu tinha escolhido com cuidado, parecendo um pequeno príncipe, todo cheio de si.
Mas, nos olhos desse menino que eu mesma havia criado, só havia desprezo e ódio por mim.
Fiquei olhando para ele em silêncio por alguns segundos antes de responder, em um tom tranquilo:
— Como você quiser.