Narrado por Lisa
“Há amores que nascem para arder em silêncio… e morrer sem nunca serem chamados de amor.”
Depois que todos me deixaram sozinha, sentei na cama, peguei meu diário e comecei a escrever.
Escrevo porque já não consigo mais gritar. Porque a dor, quando engolida, cresce dentro de mim como um veneno lento, que corrói por dentro sem pressa. Talvez estas páginas sejam o único lugar onde posso existir inteira. Onde Alejandro ainda me pertence — mesmo que só em pensamento.
Eu não posso fugir. Não de mim. Não das escolhas que fiz. Eu prometi que o deixaria ir, mesmo que isso me matasse um pouco mais a cada dia.
Hoje vi uma foto do noivado. Sofia estava deslumbrante, como sempre. E ele… tão bonito quanto ausente. Os olhos vazios. E por um instante, eu me perguntei: aquele vazio era reflexo do que eu o tornei? Ou era só o que restou de nós?
Eu o amei mais do que a mim mesma. E talvez esse tenha sido meu erro.
Agora ele está com alguém que pode dar a ele tudo o que eu jamais poderei