Narrado por Lisa
Acordei com o toque insistente do celular. As pálpebras pesavam, o corpo parecia feito de chumbo, e o soro preso ao meu braço denunciava que, mais uma vez, haviam chamado o médico. A febre havia baixado… mas a dor ainda vivia ali, em silêncio, latejando em cada músculo, em cada osso.
Atendi sem olhar o visor. E me arrependi no segundo seguinte.
Era ele.
Alejandro Serrano. O homem que ainda era cada batida do meu coração.
— Mi amor? É você? Por que me abandonou? Por que foi embora sem um adeus?
A voz dele. Deus… a voz dele atravessou meu peito como uma lâmina cega, cruel e lenta. Do outro lado da linha, ele sangrava. E eu… eu também. Mas éramos orgulhosos demais para sangrar juntos.
Minha respiração travou. O quarto girava ao meu redor, apertado como um caixão. Um soluço escapou, traiçoeiro, e as lágrimas vieram — quentes, silenciosas, carregadas de tudo o que eu ainda não conseguia dizer.
Eu queria desligar. Queria protegê-lo da verdade. De mim. Mas minha mão tremia,