Glauco a observou em silêncio.
— Eu também. Mas parece que o destino gosta de me testar. Disse, frio, sem desviar o olhar.
Henrico permanecia à sombra, do lado de fora da sala, atento. Nada do que se dizia lá dentro podia ser ouvido, mas ele sentia o peso no ar, a tensão quase física que emanava daquela conversa.
Um arrepio percorreu a espinha de Sofia. Sabia que o Glauco que a amara não existia mais. O homem à sua frente era outro, calculista, frio e perigoso.
Não havia sequer resquício do amor de outrora. Nem pena, nem hesitação. Suas palavras soavam como o prelúdio de algo há muito adiado e nada bom.
Sofia se sentou com lentidão, as algemas tilintando contra o metal.
— Então… veio até aqui pra quê? Pra me olhar como se ainda tivesse poder sobre mim? Perguntou, a voz firme, mas carregada de tensão.
— Vim te contar algumas coisas. A voz de Glauco era baixa, controlada, mas carregava uma raiva contida. — O que me diz sobre seu pai estar vivo? Vivo o bastante para assistir à sua queda…