Vestida para mentir: o magnata da moda.

Vestida para mentir: o magnata da moda.PT

Romance
Última atualização: 2026-05-09
Gio Aguiar  Em andamento
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Resumo
Índice

Jade Alencar Baumer vive contando os dias para ser livre. Desde a morte da mãe – em um acidente marcado por gritos, chuva e um homem que nunca deveria ter sobrevivido – Jade aprendeu a sobreviver em silêncio. Dividindo a casa com o padrasto abusivo, ela construiu uma rotina baseada em controle: trabalhar, estudar, evitar, resistir. Sempre com um único objetivo em mente – terminar a faculdade e desaparecer daquela cidade para nunca mais olhar para trás. Mas planos frágeis têm o péssimo hábito de desmoronar. Quando um encontro inesperado a coloca no caminho de Gustavo Miller – herdeiro de um império da moda, poderoso, arrogante e perigosamente persuasivo – Jade se vê diante de uma proposta tão absurda quanto tentadora: um casamento de mentira, cercado por luxo, contratos e promessas de proteção. Segurança em troca de uma farsa. Liberdade em troca de si mesma. Entre o medo que a prende e a oportunidade que pode salvá-la, Jade precisará decidir até onde está disposta a ir para escapar… e o que está disposta a perder no processo. Porque, às vezes, a única saída é vestir uma mentira. E torcer para que ela não se torne a sua verdade.

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Capítulo 1

Prólogo:

POV JADE:

Hoje completam seis anos da morte da minha mãe.

O número ecoa na minha cabeça como algo pesado... impossível de ignorar. Seis anos. Tempo suficiente para que muita gente siga em frente. Tempo suficiente para que o mundo esqueça.

Mas não eu.

Nunca eu.

O cemitério está silencioso demais para uma terça-feira. Ou talvez seja só a forma como o frio parece engolir os sons ao redor. O céu está encoberto, cinza, e o vento de início de maio corta meu rosto como um aviso: o inverno está chegando.

Eu aperto o cachecol ao redor do pescoço, mais por hábito do que por necessidade, e caminho entre as lápides até encontrá-la. Sempre encontro. Como se alguma parte de mim soubesse exatamente onde ela está, mesmo de olhos fechados.

Paro diante da pedra simples, já um pouco desgastada pelo tempo. Passo os dedos sobre o nome dela, limpando uma poeira invisível, como se isso pudesse fazer alguma diferença.

Engulo seco.

Ainda dói.

Ajoelho devagar, apoiando o buquê de rosas brancas sobre a lápide. As preferidas dela. Sempre foram.

– Oi, mãe...

Minha voz sai mais baixa do que eu esperava. Quase um sussurro. Como se falar alto aqui fosse errado. Como se alguém pudesse ouvir.

Respiro fundo, tentando organizar os pensamentos que nunca parecem se organizar de verdade quando estou aqui.

– Sinto muito...

As palavras escapam antes que eu consiga segurá-las.

– Sinto muito pelo que aconteceu. Eu... – paro, pressionando os lábios. – Eu sei que não foi assim que a senhora queria que as coisas terminassem.

O vento sopra mais forte, bagunçando meus cabelos. Fecho os olhos por um segundo. Ainda consigo lembrar da voz dela. Do jeito que me chamava. Do jeito que sorria.

– Eu não consegui sair de lá ainda – confesso, mais baixo. – Eu sei que prometi... sei que a senhora queria que eu fosse embora, que eu tivesse uma vida melhor... mas...

Minha garganta aperta.

– Eu estou tentando.

Minhas mãos se fecham no tecido do meu casaco.

– Eu juro que estou tentando.

Abro os olhos novamente, encarando o nome gravado na pedra.

– Nunca o deixei encostar em mim.

Dessa vez, minha voz é firme. Quase desafiadora.

– Nem uma vez.

O vento leva minhas palavras, mas eu continuo.

– Eu estudo, mãe. Faço faculdade de moda. Estou quase terminando... só mais seis meses. Eu também vendo algumas peças... não é muito, mas ajuda.

Uma pausa.

– Eu vou conseguir sair de lá.

Digo isso como se fosse uma promessa. Como se repetir muitas vezes pudesse transformar em verdade.

– E quando eu sair... – respiro fundo – eu vou embora dessa cidade. Para bem longe. Para um lugar onde ele nunca me encontre.

O silêncio pesa.

– Talvez eu não volte mais aqui...

A confissão dói mais do que eu esperava.

– Mas eu prometo que não vou te esquecer. Nunca. Eu vou... – minha voz falha por um instante – eu vou até a praia todos os anos. Uma praia bonita. E vou jogar uma rosa branca no mar.

Engulo em seco.

– Eu sei que esse era o seu sonho.

O vento sopra novamente, mais suave agora, como um carinho que não existe.

Me levanto devagar, ajeitando o cachecol.

– Eu te amo.

Minhas mãos tremem levemente.

– Promete que não esquece de mim?

Fecho os olhos por um segundo.

– Porque eu nunca vou esquecer de você.

O dia passa e a noite cai rápido demais.

Quando volto para casa, o mundo já parece diferente – mais escuro, mais pesado. Sempre é assim.

São onze horas quando me deito.

Meu quarto é pequeno, apertado, mas é o único lugar onde consigo respirar. Ou pelo menos fingir que consigo.

A porta está trancada.

Sempre está.

A cômoda está empurrada contra ela.

Sempre está.

Eu conto mentalmente a distância entre a cama e a janela, entre a janela e a porta. Rotas de fuga que nunca usei, mas que preciso saber.

Sempre conto.

Fecho os olhos, mas não durmo.

Eu nunca durmo de verdade.

Então eu ouço.

O barulho da chave girando na fechadura da porta da frente.

Meu corpo inteiro enrijece antes mesmo do som terminar.

Passos. Pesados. Arrastados. Lentos.

O cheiro vem antes dele – álcool, suor, algo podre que parece impregnado na pele.

Sérgio.

Minha respiração fica rasa.

Os passos se aproximam.

Cada som ecoa dentro do meu peito como uma contagem regressiva.

Até que param.

Bem diante da minha porta.

Um segundo de silêncio.

Dois.

Então...

– Abre essa porta, vadia!

O grito explode no corredor, fazendo meu corpo inteiro se contrair.

Eu não respondo de imediato.

Aprendi que silêncio, às vezes, é melhor.

– Onde está meu dinheiro?

Minha garganta está seca.

– Está em cima da mesa... na cozinha – respondo, controlando a voz.

Silêncio.

Por um momento, penso que ele vai embora.

Mas eu sei melhor.

– Você sabe o que eu quero, Jade.

Meu estômago revira.

– Você está bêbado – digo, mais firme do que me sinto. – Só pega o dinheiro e me deixa em paz.

O primeiro soco na porta vem forte.

Depois outro.

E outro.

A madeira treme sob o impacto.

Eu fecho os olhos com força, contando mentalmente.

Um.

Dois.

Três.

Os chutes vêm logo depois, violentos, desordenados. A cômoda range, mas segura.

Sempre segura.

Eu não me movo. Não faço som. Nem respiro direito. Porque eu sei, se ele perceber medo, ele insiste. Se ele cansar, ele vai embora.

É sempre assim.

Sempre.

Lembro-me perfeitamente, uma semana depois da morte da minha mãe.

É impossível não lembrar.

O cheiro de álcool.

A voz arrastada.

– Essa casa é minha.

Eu parada no meio da sala, sem saber para onde ir.

– Você vai começar a pagar por ficar aqui.

O jeito que ele disse aquilo.

Calmo demais.

Errado demais.

O toque no meu rosto.

Gelado.

Nojento.

– Todos os dias... e todas as noites.

O mundo girou.

Meu corpo reagiu antes da minha mente.

Eu corri.

Corri sem olhar para trás. Sem saber para onde ir. Só precisava sair. Só precisava respirar.

– Se contar pra alguém, eu te mato!

A voz dele ecoava atrás de mim.

Mas eu não parei.

Eu só parei quando esbarrei em alguém.

Uma mulher. Olhos atentos. Expressão firme.

– Ei, calma! O que aconteceu?

Danielle.

Dani.

Eu não contei tudo naquele dia.

Mas contei o suficiente.

E ela ficou.

Ela não virou as costas.

Não disse que era problema meu.

Ela me ouviu.

E isso... já foi mais do que qualquer outra pessoa fez.

O barulho para de repente, me arrancando das memórias.

Como sempre.

Silêncio.

Fico imóvel por mais alguns minutos.

Cinco.

Dez.

Só então permito que meu corpo relaxe um pouco.

Mas não completamente.

Nunca completamente.

Me encolho na cama, puxando o cobertor até o queixo.

O sono vem devagar.

Pesado.

E mesmo quando vem... não é descanso.

O despertador toca às seis da manhã. Eu já estou acordada.

Levanto antes dele. Sempre antes dele.

Escovo os dentes rápido. Lavo o rosto. Troco de roupa. Pego minha mochila. Abro a porta com cuidado, empurrando a cômoda devagar, evitando qualquer ruído. Espio o corredor.

Silêncio.

A sala.

Ele está jogado no sofá, dormindo. Há uma garrafa caída no chão. Desvio, andando na ponta dos pés. Cada passo calculado. Cada movimento pensado. Até a porta. Até a liberdade, mesmo que temporária.

O ar da manhã b**e no meu rosto assim que saio.

Respiro fundo.

E então começo a andar. Passo por quarteirões conhecidos. Uma rota decorada, segura.

A padaria onde sempre tomo café já está aberta quando chego. O cheiro de café fresco me envolve assim que entro. Me sento no mesmo lugar de sempre. Peço o mesmo de sempre. E quando o mundo finalmente parece um pouco menos sufocante... Eu puxo meu caderno e começo a desenhar.

Vestidos.

Tecidos.

Cortes.

Um outro mundo. Uma outra vida. A vida que eu ainda vou ter.

Desenho até dar a hora de ir para meu trabalho no café.

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