POV JADE:Pela primeira vez desde que Gustavo começou a frequentar o café da Dani, eu me permito, de fato, olhá-lo – não como mais um rosto entre tantos que atravessam as portas de vidro, não como o cliente insistente que retorna sempre no mesmo horário, com a mesma postura segura e um certo ar de quem está acostumado a ser atendido sem questionamentos, mas como homem, como presença, como alguém que, de alguma forma, atravessou uma linha invisível que eu mesma havia traçado entre mim e o resto do mundo; e isso me incomoda mais do que deveria, porque reconhecer o óbvio, que ele é bonito, alto, dono de uma postura que impõe silêncio sem esforço, nunca foi o problema, o problema é permitir que isso tenha algum peso, algum significado, quando durante tanto tempo eu fiz questão de torná-lo apenas mais um, deliberadamente comum, previsível, seguro na sua irrelevância dentro da minha rotina cuidadosamente controlada.Mas hoje... hoje foi diferente, e eu odeio admitir isso até para mim mesma.
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