Mundo de ficçãoIniciar sessãoIrina não deveria estar ali. Imigrante ilegal, com um passado que prefere esquecer, ela só precisava de um lugar para se esconder, não de um contrato, uma mansão e um homem que não aceita “não” como resposta. Richard é tudo o que ela deveria evitar. Bilionário, CEO de um império de hotéis de luxo, frio, sarcástico e perigosamente atraente e controlador, ele está acostumado a comprar soluções… e pessoas. Mas Irina não se encaixa em nenhum dos seus padrões e talvez seja exatamente por isso que ele não consegue deixá-la ir. No meio dessa guerra silenciosa está Amy, uma garotinha de cinco anos, travessa e muito criativa. Inteligente, carinhosa e completamente alheia ao jogo de poder entre os dois, ou talvez não... é ela quem cria as únicas tréguas possíveis, momentos em que o caos dá lugar a algo quase… normal. Mas nada ali é simples. Irina luta, provoca, foge sempre que pode. Richard observa, controla… e se torna cada vez mais obcecado. Entre provocações afiadas, jogos de poder e uma atração impossível de ignorar, os dois entram em um conflito onde ninguém quer ceder e ninguém sai ileso. Porque, às vezes, fugir não é uma opção. E se render… pode ser ainda mais perigoso.
Ler maisPerdi meus pais cedo em um acidente e acabei ficando com meu irmão mais velho. Foi ele quem decidiu minha vida dali em diante… Não tive escolha, até o dia que decidi sair da Russia.
Fui levada à força para um abrigo. A única diferença de lá para o inferno… é que no inferno, pelo menos, é quente, o frio da Sibéria não perdoa. Mas, eu sobrevivi, sobrevivi a tudo, a todos os castigos e trabalho forçado, traições e fugas no meio da noite. E foi com essa determinação que me trouxe até aqui a América, a tal terra da liberdade e das oportunidades. Não foi uma viagem fácil, tão pouco bonita. Passei um mês dentro de uma cabine minúscula, escura e a pertada, um homem me trazia um prato de comida uma vez por dia. O mar… eu só vi uma vez, por uma escotilha pequena, mas aguentei, pois acreditava que, quando chegasse aqui, tudo ia mudar. Mas parece que não mudou muita coisa…não ainda. Foi nesse caos, entre fugir e sobreviver, que eu encontrei Amy... e o pai dela. Mas, antes disso, você precisa entender o que aconteceu na noite anterior a este encontro. Eu estava indo para casa, quando desci para a plataforma do metrô, o corpo pesado depois de mais um dia de trabalho em dois empregos diferentes. Eu quase arrastava meus pés de tão cansada então, meu caminho foi bloqueado. Levantei os olhos devagar. O coração disparou antes mesmo de eu reconhecer. Era ele, o homem que eu havia pago para me tirar da Russia, não entendia o que ele estava fazendo ali, diante de mim. — Então você achou que podia fugir. Ele disse. Minha garganta secou, estava confusa, paguei com muito esforço o que ele havia pedido. — O que você quer? — Você me deve. Apertei a bolsa contra o corpo. — Eu paguei o que você pediu. Por que eu te devo? Ele inclinou a cabeça, me observando como se estivesse analisando um objeto. — Loirinha… olha só pra você. Roupas novas. Trabalhando bastante… O nojo subiu pela minha garganta, mesmo não devendo achei melhor dar o que tinha para me livrar dele. Abri a bolsa com pressa. — Eu não ganho muito… mas pago o que falta. Quanto é? Tirei todo o dinheiro que tinha e entreguei. Ele pegou e na minha frente, contou devagar. E riu alto. Primeiro me assustei depois meu estômago afundou. — Isso? Você está brincando comigo? Não passa de trocados. — É tudo que eu tenho… — Seu irmão me deve muito mais. — Meu irmão? O que eu tenho a ver com ele? Ele se aproximou ainda mais, baixou a voz. — Ele nos deve, é umvagabundo. Me ofereceu você como pagamento… então... O chão sumiu sob meus pés e o ar faltou. — Isso aqui? Ele ergueu o dinheiro, não é nada perto do que ele me deve. O desespero me atingiu como um soco. — Eu não posso pagar a dívida dele! Fique com a casa! Raiva, dor e vergonha, tudo misturado, mas ele não se moveu. Só sorriu, como se aquilo já estivesse decidido. — Seu irmão não tem mais nada… além de você, eu poderia matá-lo… Ele deu mais um passo. — …Mas você é melhor que dinheiro. A mão dele tocou meu rosto, deslizando lentamente de forma suja. Meu corpo inteiro reagiu. — Não toque em mim! Subi meu joelho com força, quase que inconsciente e o atingi com força. Ele se curvou na hora, o ar saindo num som seco, não esperei, só corri. O trem já estava fechando as portas. Empurrei pessoas. — Sorry… desculpa… Sai dizendo. Entrei no último segundo. A porta bateu. Ele ficou do lado de fora, batendo no vidro. Mancando e me olhando como se soubesse… Que aquilo ainda não tinha acabado. E, no fundo…Eu também sabia. Encostei a cabeça na parede do vagão, fechei os olhos. Meu irmão, queria perguntar por quê. Quando foi que deixei de ser família… e virei moeda de troca? O que eu fiz? De repente, eu ri, incontrolável...Não era alegria, era um riso estranho, cansado. Algumas pessoas olharam, mas eu não conseguia parar. Era absurdo, eu tinha fugido, de novo. E, agora, estava sem nada, nem um centavo. — Ótimo… Murmurei. O riso morrendo devagar. Só sobrou a realidade, eu precisava de dinheiro. No dia seguinte, saí cedo, precisava encontrar qualquer trabalho, qualquer coisa que pagasse comida e o aluguel. Caminhava na Quinta Avenida, onde tudo parecia caro, foi quando vi o cartaz. Uma loja de brinquedos, luxuosa. Hesitei, mas entrei. Duas mulheres elegantes vieram até mim. — O cartaz…eu apontei sem jeito. — Tem experiência? — Não… mas aprendo rápido, eu precisava do emprego de qualquer jeito. Elas trocaram um olhar. — Venha. Fui levada até um escritório. Lá um homem me analisava dos pés a cabeça, me causando uma sensação estranha. — Você vai servir. Meu corpo travou. — Servir? A palavra ecoou, eu pisquei, meu coração parou, mas ele saiu… e voltou arrastando algo, grande, fofo e marrom. Uma cabeça de urso. Demorei um segundo, imóvel. — Pode se vestir. Respirei fundo, aliviada. A fantasia era pesada e quente, mas serviu perfeitamente. — Pode começar. Eu o ouvi dizer. — Mas ainda não falamos do pagamento. Disse eu apressada. Ele me estendeu um papel, o valor era alto o suficiente para eu não recusar. E então… Eu virei um urso, no começo, tímida. Depois…pensei eu não era mais a Irina, agora era um urso, não tinha passado, não tinha medo. Vesti o personagem. Dancei, fingi tropeçar. As crianças riam, seguravam minha mão e pediam fotos. E, depois de muito tempo… eu ri de verdade, leve, quase feliz. Até que eu o vi, aquele homem novamente, o coiote, do outro lado da rua com dois homens. Meu corpo congelou. Voltei para dentro da loja, na vitrine. Eles estavam atravessando, então a porta abriu. Plin. Entraram, observando. Um deles me encarou. Acenei, como um urso bobo. Minhas pernas tremiam. Saí, rápido, distribuindo os panfletos, tentando manter a calma. Olhei para trás, um apontou em minha direção. Então corri, virei a esquina, a rua estava vazia. Ruim para esconder, mas boa para correr. Então vi um prédio, alto e luxuoso. Entrei, o cheiro de riqueza me atingiu primeiro, depois o frio do mármore, a luz. Olhei pelo vidro, eles vinham rápidos. Olhei em volta vi o elevador, corri e entrei. Apertei o último andar. As portas fecharam, meu coração batia acelerado. O elevador mal começou a subir e as portas abriram.Uma garotinha entrou correndo.
— Segura ela! Uma voz soou no corredor. Ela me empurrou para fora e tudo virou caos, tropecei no pé da fantasia. Caí. Não no chão, em alguém. — Sai de cima de mim! A voz grave veio irritada. Mas levantar… era impossível, a fantasia atrapalhava. Eu tentava sair, mas escorregava, minha mão batia no peito dele. Ele tentava me afastar. — Você tá fazendo isso de propósito?! Eu o ouvi dizer, furioso. Nem consegui responder, a cabeça do urso virou e caiu, rolou pelo chão. Silêncio. Por um segundo. Nossos olhos se encontraram e os olhos dele…Verdes, intensos e erigosamente lindos.
Passos no corredor, assustada olhei, eram homens vestidos em ternos pretos. — Ela desceu. Ele falou, seco. Autoritário. Eles correram e se levantou primeiro. Eu ainda lutando com a fantasia, ridícula. Cabelo colado no rosto pelo suor. Ele hesitou, então estendeu a mão. Frio, controlado.No caminho, os dois seguiram em silêncio até que...— Quer cozinhar comigo hoje?Richard perguntou para Irina sem desviar o olhar da avenida, que estava em seu horário de pico.O sol se punha.O céu se tingia de prata e laranja no horizonte.As luzes da cidade já estavam todas acesas.Os pontos iluminados enfeitavam o caminho, misturando-se aos faróis vermelhos e amarelos dos carros.— Hum...Irina fingiu pensar.— O que o senhor tem em mente, senhor Thompson?— Bisteca à fiorentina e vinho tinto? Ou salmão na crosta de castanhas com um bom vinho branco?— As duas receitas parecem tentadoras e deliciosas.Richard lançou um olhar para ela.Havia malícia em seus olhos.— Garanto que a sobremesa será ainda melhor.Irina piscou rapidamente.Engoliu em seco e desviou o olhar.Richard riu.Sem jeito, ela mordeu o lábio inferior.Quando a porta da mansão se abriu, Amy desceu a escada correndo.— Vocês demoraram.— Desculpe, querida. O trânsito estava movimentado — disse Irina.Richard a pego
Melanie caminhou algemada pelo corredor escuro, havia um cheiro forte de urina e ratos e o piso era bruto, áspero, como tudo naquele lugar.Ela passou pelas celas.As detentas a observavam com curiosidade.Melanie não ergueu os olhos; apenas percebeu, pelo canto da visão, algumas mulheres se aproximando das grades para vê-la melhor.O barulho do ferrolho abrindo fez seu coração disparar. Nunca imaginou entrar em um lugar como aquele.As algemas foram retiradas. Ela esfregou os punhos doloridos.Então ouviu as trancas se fecharem.Estava sozinha na cela, mas as vizinhas estavam quase lotadas.Melanie ficou de pé no canto, não se sentou.Não se encostou na parede suja, ainda esperava sair dali em breve. Algum tempo depois, passos ecoaram pelo corredor.Uma agente lhe trouxe uma marmita.— Não quero.— Não virá mais nada até o jantar — disse a agente, empurrando a embalagem pela portinhola.— Não importa.— Se é assim...A mulher não insistiu.Uma detenta grande e corpulenta pediu a mar
O delegado encarava Melanie.O perito, no entanto, tinha um ar sarcástico no rosto e ela, acostumada a viver no mundo corporativo, percebeu isso rapidamente.— Então, vamos continuar, senhora Melanie?— Sim. Termine isso logo. Quero voltar para casa.— Vamos lá. Colabore para que todos possamos ir para casa.— A senhora disse que não saiu de casa no dia cinco. Mas é o seu carro nesta foto e...— Eu posso ter passado por lá.— No dia cinco?— Em qualquer dia.— O que a senhora acha que somos?O perito se levantou.— A senhora acha mesmo que a tiraríamos da sua casa se não soubéssemos que foi a senhora quem pegou o policial naquele bar no dia cinco? Por favor, não nos subestime. Essa é apenas uma foto da gravação. Temos o dia, a hora, o policial entrando em seu carro e, nitidamente, os dois saindo juntos.— Eu dei carona para ele, sim. Foi apenas uma carona.— Mesmo assim, diga onde ele desceu. Por que deu carona a ele naquela hora da noite? A senhora mantinha contato com ele?O delegad
O delegado, o escrivão e os policiais assentiram.Melanie os acompanhou com os olhos até a porta se fechar.O advogado puxou a cadeira e se sentou de frente para ela.— Então, o que está acontecendo?— Eu não sei.— Ah, você sabe. Se não me disser exatamente o que sabe, como posso ajudá-la?— Você é o advogado da empresa, não é? Ganha uma fortuna...— Sim, e faço meu serviço. Não tenho como fazê-lo se você não colaborar.— Eu não sei de nada. Só bateram à minha porta pela manhã dizendo que ajudei um fugitivo.— Fugitivo? Seria o policial acusado de matar a ex-funcionária do senhor Thompson, depois de ela ter confessado ter trancado a filha dele em uma casa de máquinas?— Esse mesmo.— E você esteve com ele? — o advogado perguntou, olhando-a nos olhos.— Talvez.— Talvez? Isso não é resposta.— De que lado você está?— Do seu. Mas parece que você não confia em mim. Talvez seja melhor você procurar outro — disse ele, levantando-se.— Não, espere.Melanie tentou se levantar, mas a cadeir
Último capítulo