Mundo ficciónIniciar sesiónKaren passou a vida acreditando que, fora dos muros do orfanato Saint Mary, o mundo seria finalmente bom com ela. Aos dezoito anos, conseguiu um emprego em uma luxuosa rede de hotéis e cassinos de Las Vegas e conheceu Peter Sterling, o herdeiro perfeito: rico, bonito e gentil. Mas na noite em que achou que seria pedida em namoro, descobriu a verdade cruel: Peter só se aproximou dela por um motivo: precisava de um rim para salvar a vida de sua verdadeira namorada. Em pânico, Karen fugiu e entrou no carro errado. O carro de Sebastian Sterling — o filho bastardo da poderosa família Sterling, e irmão de Peter. Frio, calculista e misterioso, Sebastian lhe oferece proteção... em troca de um casamento de fachada. Mas o que parece ser um refúgio logo se revela outra armadilha. Porque em Las Vegas, nada é o que parece e todo pacto tem um preço.
Leer más"Karen, o mundo lá fora é cruel, querida. As pessoas são desonestas. Não confie em ninguém e proteja seu coração."
Esse foi o conselho que Karen recebeu da senhora Malcolm seis meses atrás, quando deixou o orfanato Saint Mary.
Mas ela tinha certeza de que era apenas preocupação de uma velha amarga, pois a sua vida, afinal, parecia um conto de fadas.
Conseguiu um emprego em uma grande rede de hotéis em Las Vegas e, naquela noite, estava prestes a jantar com Peter Sterling — um herdeiro rico, bonito e atencioso que a fazia se sentir especial.
Peter a tratava com uma gentileza que ela nunca tinha conhecido. Mandava flores no trabalho, lembrava o horário das refeições, dizia que foi “amor à primeira vista”.
Ela acreditava. Queria acreditar.
Enquanto esperava o elevador, Karen alisou o vestido simples que havia comprado com o primeiro salário. As mãos tremiam levemente, o coração batia rápido demais.
Aquela noite seria perfeita — ela tinha certeza de que ele a pediria em namoro. Talvez até em noivado.
Desistiu de esperar o elevador e decidiu ir pela escada.
"Alguns andares só", murmurou.
O coração dela parecia leve. Tudo, finalmente, parecia dar certo.
Mas, no terceiro andar, uma voz familiar ecoou pela escadaria.
"A idiota da Karen está atrasada. Eu disse oito horas e já são oito e dez."
Ela parou. O som das palavras pareceu não fazer sentido. Peter era gentil. Peter a amava.
"Eu não sinto nada por ela, mas você precisa do rim, Lindsay. A equipe médica já está aqui. Só mais alguns dias e tudo estará resolvido."
O mundo se despedaçou.
“Ela é uma órfã ignorante. Nada nela me atrai.”
Karen deu um passo para trás e esbarrou em uma estátua decorativa. O barulho ecoou como um disparo.
Silêncio.
"Alguém está aí?" A voz de Peter soou alerta.
O pânico explodiu no peito dela. O ar parecia sumir. Ela virou e desceu as escadas correndo, os saltos batendo no mármore como tambores anunciando sua fuga. Atrás dela, a porta da escadaria se abriu com força.
"Karen? Pare!"
Ela não parou. As lágrimas vinham sem controle. O gosto salgado queimava na boca.
"Karen, espera! Deixa eu explicar! Isso é uma brincadeira!"
Ela desceu até o subsolo, correu entre os carros, o coração explodindo no peito.
Idiota. Idiota. IDIOTA.
A voz da Senhora Malcolm ecoava em sua mente: As pessoas são desonestas.
"Karen, vamos conversar!"
Ela se escondeu entre os carros e ouviu os passos apressados de Peter se aproximando. O som de seus sapatos ressoava como ameaça.
Um carro preto e elegante estava estacionado com o motor ligado. Karen nem pensou. Abriu a porta traseira e mergulhou para dentro, batendo a porta atrás de si.
Mas, em segundos, uma voz fria e irritada a surpreendeu.
"Saia do meu carro."
O tom era baixo e perigosamente calmo.
Karen levantou o rosto. Um homem estava sentado ao lado dela, com o laptop aberto no colo. Os olhos cinzentos dele a fitaram com uma mistura de incredulidade e fúria. Era bonito de uma forma brutal — maxilar definido, cabelo negro perfeitamente penteado, terno que provavelmente custava mais do que seis meses do salário dela.
E estava visivelmente irritado com a invasão. O maxilar contraído, os dedos longos batendo de leve no teclado do laptop, como se tentassem conter a própria paciência.
"Eu preciso de ajuda,” ela implorou.
"Eu não me importo."
A voz dele era fria, quase entediada. Não havia espaço para empatia ali, apenas controle.
"Por favor, me ajuda… aquele homem quer—"
"Você trapaceou nos jogos?" ele a interrompeu, sem sequer levantar o olhar, como se estivesse acostumado a ouvir desculpas de pessoas desesperadas.
Karen piscou, confusa.
"Não! Aquele homem quer o meu rim!"
O som das palavras dela pareceu pairar no ar, grotesco, absurdo demais para ser verdade. Ele finalmente ergueu o olhar e, pela primeira vez, os olhos cinzentos encontraram os dela.
Não havia piedade ali. Apenas cálculos e avaliação.
Por um segundo, ele pareceu prestes a responder, mas algo o fez parar. O olhar dele desceu para o pescoço de Karen, onde o tecido do vestido se afastou um pouco. Havia uma medalha pequena, com um número quase apagado pelo tempo: 125478 SM.
Ele conhecia aquela medalha..
Os dedos dele se moveram devagar, como se a visão daquilo tivesse perfurado uma camada de gelo que ele mantinha há anos.
"SM..." murmurou, mais para si do que para ela. A expressão dele mudou — a irritação deu lugar a algo mais sombrio, mais tenso. Lembranças.
Karen não entendeu. Tentou recuar, mas o olhar dele a manteve presa.
"Por que você tem esse pingente?" a voz dele continuava baixa.
"Eu… cresci no Saint Mary. Saí há seis meses."
Os olhos dele se estreitaram, e por um instante Karen achou que ele fosse dizer algo — mas o som de passos apressados ecoou do lado de fora.
O retorno de Peter.
O semblante de Sebastian mudou. Em um instante, a indecisão desapareceu, substituída por uma autoridade desconcertante.
"Fique abaixada", ele ordenou.
Karen hesitou, mas antes que pudesse reagir, a mão dele pousou em sua nuca — firme, quente, impositiva. Ele a empurrou suavemente para baixo, escondendo-a.
O calor do toque dele atravessou o tecido fino do vestido. O perfume era caro — e havia algo mais escuro nele, algo que fez o coração de Karen acelerar por um motivo que nada tinha a ver com medo.
Batidas na janela. Secas. Urgentes.
O homem abaixou o vidro apenas alguns centímetros.
"Sebastian?" A voz de Peter soou surpresa, quase trêmula.
Sebastian manteve o olhar fixo em frente, o maxilar imóvel.
"Eu vim falar com o Leonel."
Do lado de fora, Peter respirava com dificuldade. O suor escorria pela têmpora, o terno desalinhado. A compostura elegante de herdeiro havia desaparecido.
"Você viu uma garota? Vestido azul, cabelo castanho?"
Karen prendeu o ar. O corpo inteiro dela encolhido contra o banco de couro, o rosto pressionado no frio do assento. O cheiro de couro misturado ao perfume caro de Sebastian a cercava, sufocante.
"Não", ele respondeu, seco.
"Ela veio pra este lado, tenho certeza—"
Sebastian virou o rosto, devagar, os olhos cinzentos encontrando os de Peter através da fresta do vidro. O silêncio se estendeu como uma lâmina.
"Não vi ninguém. E estou ocupado."
A forma como ele disse ocupado não deixava espaço para réplica. Era um aviso. Um corte limpo.
Karen podia ouvir o som do coração dela martelando dentro do carro — ou talvez fosse o dele, impossível saber.
Do lado de fora, Peter hesitou, e pela primeira vez, soou pequeno.
"Se você vê-la..."
"Não vou ver." Sebastian interrompeu, a voz baixa, porém carregada de autoridade. "Agora saia da frente do meu carro."
O vidro subiu com um estalo final.
Karen permaneceu imóvel, os olhos fixos na linha do paletó dele, a respiração presa. Lá fora, as passadas de Peter se afastaram — rápidas, relutantes, e depois… silêncio.
Dentro do carro, o ar parecia diferente. Mais denso.
Sebastian largou o laptop e encostou o corpo no banco, finalmente permitindo-se respirar. "Dirija", ele disse para o motorista.
Então virou o rosto para ela, o olhar frio e cortante. A pausa que se seguiu foi mais ameaçadora do que um grito.
"Agora me diga… quem é você?"
"Eu sou... a camareira do hotel. Achei que seria pedida em namoro."
Sebastian arqueou uma sobrancelha, sem esconder o desdém.
"Pelo Peter?"
"Vocês se conhecem?"
"Somos irmãos."
O sangue fugiu do rosto de Karen. Ela piscou, sem conseguir acreditar.
"Não... isso não pode ser..."
Tentou abrir a porta, mas Sebastian foi mais rápido. A mão dele agarrou seu pulso com firmeza — não o bastante para machucar, mas o suficiente para deixá-la imóvel.
"Se você era íntima do Peter," ele disse com voz baixa, controlada, "deve saber que nos odiamos. Ele me chama de..."
"Bastardo", sussurrou Karen, a voz trêmula.
O olhar de Sebastian se cravou nela. Frio e invasivo, como se estivesse vendo um reflexo antigo de si mesmo.
“Acredite, já me chamaram de coisas piores.”
O carro ficou em silêncio. Do lado de fora, a cidade brilhava com luzes de néon, indiferente.
Dois Anos DepoisA manhã chegou suave pela janela do quarto, luz fraca entrando pelas cortinas brancas. Karen acordou com o som de risadinhas vindas do quarto ao lado.Ao seu lado, Sebastian ainda dormia, o braço jogado sobre o travesseiro, o rosto relaxado de uma forma que ela nunca vira nos primeiros meses de casamento. A paz lhe caía bem.Karen se levantou com cuidado, vestindo o roupão, e caminhou descalça até o quarto ao lado. Empurrou a porta gentilmente. E o seu pequeno milagre está lá.Natan Salvatore Sterling, um lindo bebe de dezoito meses de pura alegria, cabelos castanhos encaracolados, olhos cinzentos como os do pai, sorriso que iluminava qualquer ambiente.O garotinho estava de pé no berço, segurando a grade, pulando levemente enquanto balbuciava algo incompreensível mas absolutamente encantador."Mamãe!" exclamou ao ver Karen, estendendo os bracinhos."Bom dia, meu amor," Karen a pegou no colo, enchendo o rostinho de beijos. Ele riu — aquele riso
Karen ficou apavorada, mas não por ela, mas pelo filho que carregava na barriga. Instintivamente, sua mão livre foi para o ventre em gesto protetor."Peter, fique calmo," disse ela, forçando a voz a sair firme apesar do terror.Ele riu, mas sem humor, o som era carregado de desespero e raiva."Meu pai está preso. Minha mãe foi embora. E eu estou sem dinheiro, sem casa, sem nada." Apertou a arma com mais força contra as costas dela. "Como posso ficar calmo?""Vamos conversar," Karen tentou, o cérebro trabalhando freneticamente. Os seguranças estavam lá embaixo. O mordomo poderia voltar a qualquer momento. Só precisava ganhar tempo."Não quero conversar," Peter cuspiu. "Eu quero dinheiro.""Eu te dou," Karen respondeu imediatamente. "Quanto você precisar. Só... só abaixa a arma."Peter a estudou com olhos injetados, avaliando se era mentira."Agora você é uma mulher soberba, né?" disse ele com desdém. "Bem diferente daquela órfã boba que eu conheci. Dona de cassinos, bilionária, casada
Karen sentiu o corpo de Sebastian enrijecer ao seu lado, mas se manteve calma."Por que ele está aqui?" Sebastian perguntou ao policial mais próximo, a voz tensa.O delegado Harris apareceu, segurando uma prancheta."Senhor Sterling, senhora Sterling," ele cumprimentou-os profissionalmente. Olhou para Marcus, depois de volta para eles. "Vamos confrontar o depoimento de vocês.""O quê?" Karen sentiu o estômago revirar. "Eu pensei que ele já tinha confessado tudo.""Confessou," Harris confirmou. "Mas a defesa dele está alegando coerção, instabilidade mental no momento da confissão. Querem uma chance de confrontar as versões." Fez uma pausa. "É procedimento padrão em casos assim."Sebastian deu um passo à frente, colocando-se entre Karen e Marcus instintivamente."Ele atirou em mim," disse ele, a voz baixa mas carregada de raiva contida. "Confessou encobrir um assassinato por vinte anos. O que mais vocês precisam?""Precisamos garantir que o caso seja hermético quando for a julgamento,"
Depois de uma semana, Sebastian finalmente recebeu alta médica. Voltou para casa ao lado de Karen, movendo-se devagar, ainda sentindo dor a cada respiração, mas vivo e determinado a se recuperar em seu próprio espaço.O mordomo abriu a porta antes mesmo que chegassem à entrada, como se estivesse esperando ali o dia inteiro. Havia lágrimas nos olhos do homem mais velho, mas ele manteve a postura séria e profissional que décadas de serviço haviam ensinado."É bom te ver, senhor Sterling," disse ele, a voz ligeiramente embargada."É bom estar em casa," Sebastian respondeu com um sorriso cansado, colocando a mão no ombro do mordomo num gesto de afeto raro."Gostaria de um chá?" o mordomo perguntou, já se movendo em direção à cozinha. "Ou talvez algo mais substancial? A cozinheira preparou sopa—""Prefiro um whisky," Sebastian o interrompeu, começando a caminhar em direção à sala."Sebastian!" Karen o repreendeu imediatamente, segurando seu braço e parando-o no meio do hall. "Você acabou d










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