Capítulo 5: O Contrato

No mesmo dia, Sebastian pediu para o advogado redigir um contrato pré-nupcial.

Richard Chen chegou à mansão antes do meio-dia, uma pasta de couro sob o braço e aquela expressão cuidadosamente neutra que usava quando iria fazer algo desonesto.

Karen estava sentada no sofá da sala, com a expressão tensa.

"Senhorita Karen," Richard disse, abrindo a pasta sobre a mesa de centro. Sua voz era profissional, cortês, mas havia uma suavidade ali que Sebastian não reconhecia. 

"Gostaria de ler as cláusulas do contrato pré-nupcial antes de assinar?"

Karen olhou para os papéis como se fossem uma cobra prestes a dar o bote. Suas mãos tremeram levemente quando pegou o documento, e Sebastian observou cada micro-expressão que passava pelo rosto dela enquanto lia.

Confusão primeiro. Depois choque. Então, algo próximo do pânico.

"Você está me dando cinquenta por cento de todo o seu dinheiro?" Ela levantou os olhos, aqueles olhos escuros arregalados de descrença. "Não posso aceitar isso."

Sebastian estava apoiado contra a parede, braços cruzados, observando. Ele tinha preparado esse momento cuidadosamente. O contrato parecia absurdamente generoso. Metade de sua fortuna para uma garota que ele conheceu há menos de vinte e quatro horas.

Mas era isca. E Karen, ingênua como era, estava prestes a morder.

Ele deixou um sorriso lento se formar em seus lábios. "Mas você também me dará a metade do seu."

Karen piscou, processando. "Mas... eu não tenho nada."

"Isso já é o suficiente."

A mentira saiu suave. Agora, não era suficiente. Mas em alguns meses, quando ela reclamasse os bilhões dos Salvatores, aquele contrato garantiria que Sebastian tivesse acesso à metade. Ou pelo menos, seria a porta de entrada para fazê-la assinar procurações, transferências.

Karen olhou novamente para o papel, mordendo o lábio inferior. Sebastian notou o gesto — ela fazia isso quando estava nervosa. Guardou a informação.

"Por favor, retire essa cláusula," ela disse finalmente, empurrando o papel na direção de Richard. "Eu não quero o seu dinheiro."

Sebastian se afastou da parede, aproximando-se devagar. "Tem certeza?"

Ele parou na frente dela, forçando Karen a levantar o rosto para encará-lo. A diferença de altura, de poder, de controle; tudo intencional. Ela se encolheu levemente, mas manteve o olhar firme.

"Tenho," ela disse, a voz mais baixa mas determinada. "Eu não estou fazendo isso por dinheiro. Estou fazendo porque... porque quero sobreviver."

Algo doeu no peito de Sebastian. Culpa, talvez. Ou apenas o reconhecimento de que isso seria fácil demais.

Ela confia em mim.

Claro que confiava. Ele tinha planejado exatamente isso.

O advogado entregou a caneta para que ela assinasse, lançando um olhar rápido para Sebastian, uma uma última chance de recuar. Sebastian ignorou.

"Assine," ele disse suavemente.

Karen pegou a caneta. Sua mão hesitou sobre o papel por um momento, e Sebastian se perguntou se algum instinto de sobrevivência iria alertá-la. Se alguma voz interior gritaria não faça isso.

Mas então ela assinou. Nome completo em letras trêmulas: Karen Malcolm.

 Karen não tinha sobrenome. Os órfãos raramente tinham, então a senhora Malcolm emprestava o seu para as crianças.

Richard recolheu os papéis, guardando-os na pasta sem comentários. "Vou registrar hoje mesmo. O casamento está marcado para às quatro da tarde."

Sebastian se serviu de outra dose de uísque. Era cedo para beber — nem meio-dia ainda — mas ele precisava de algo para amenizar a sensação estranha que crescia no peito.

Ela confia em você.

Ele tomou o uísque de um gole só, sentindo a queimação descer pela garganta.

"Karen," ele disse sem olhar para ela, concentrado em servir outra dose. "Daqui a duas horas o juiz de paz virá para oficializar o nosso casamento. Pode ir para o seu quarto se arrumar. Eu mandarei um empregado para te chamar."

"Tudo bem," ela disse baixinho.

Ela deu alguns passos em direção ao corredor, mas parou na porta. Sebastian ainda não olhava para ela.

"Sebastian?"

"Sim."

"Obrigada. Por tudo por tudo."

A gratidão na voz dela era como uma faca.

Sebastian esperou até ouvir os passos dela desaparecendo pelo corredor, a porta do quarto se fechando suavemente. Só então ele se virou para o advogado. 

"O que você descobriu?"

Richard Chen fechou a pasta e suspirou, como se as informações que estava prestes a compartilhar pesassem fisicamente. 

"A fortuna dela é de dois bilhões. Mas ela só pode reivindicar até os dezenove anos. Depois disso, uma comissão de acionistas assume o controle do dinheiro permanentemente."

Sebastian tomou outro gole de uísque. "Vou fazer ela reclamar a herança. Conseguir acesso através do casamento. Consolidar os ativos."

"E depois?"

"Depois?" Sebastian deu de ombros, a indiferença estudada. "Depois do divórcio, cada um segue seu caminho."

"Você não respondeu minha pergunta." Richard deu um passo à frente, a voz mais baixa, mais séria. "O que fará com ela depois? Quando você tiver o que quer?"

Sebastian girou o copo entre os dedos, observando como o líquido âmbar capturava a luz. Uma parte sombria dele que tinha sobrevivido ao orfanato, que tinha aprendido que sentimentos eram luxos perigosos — considerou as opções.

"Não sei," ele disse finalmente, e havia uma crueldade casual nas palavras. "Talvez eu a entregue ao meu irmão."

O silêncio que se seguiu era pesado de julgamento.

"Você sabe o que ele quer fazer com ela." A voz de Richard estava fria agora, com raiva controlada. "Ele quer o rim dela. Você estaria basicamente assinando a sentença de morte dela."

"Isso não é problema meu."

"Não é?" Richard deu um passo à frente. "Porque parece muito que você está fazendo dela um problema seu. Se casará com ela em duas horas."

"É só papel."

"É uma pessoa, Sebastian!" A máscara de profissionalismo de Richard caiu por completo. "Uma garota que acabou de sair do orfanato, que não tem ninguém, que confia em você porque vocês compartilham um maldito passado." Ele apontou o dedo para Sebastian. "Eu não me importo de tirar dinheiro de homens ambiciosos. Deus sabe que eu ajudei você a fazer exatamente isso dezenas de vezes. Mas ela é uma menina, Sebastian. Uma criança, praticamente."

Sebastian riu sem humor. Caminhou até a janela, olhando para Vegas lá embaixo. Daqui a duas horas, Karen seria sua esposa. Legalmente ligada a ele. E quando ela reclamasse os bilhões Salvatore, ele estaria perfeitamente posicionado para tomar sua parte.

“Homens bons morrem pobres. Agora saia."

"Sebastian—"

"Eu disse, saia." A voz era baixa, perigosa. "Volte às quatro para o casamento. E deixe seus julgamentos morais na porta. Eu não te pago para ter consciência."

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