Aurora Vitorino
O cheiro de papel antigo e cera de madeira da biblioteca da Bocconi costumava ser o meu único momento de paz real em Milão. Era um santuário de silêncio, onde as intrigas da Famiglia e o peso do sobrenome Mancini pareciam, por breves instantes, dissipar-se entre as prateleiras infinitas de teoria econômica. Eu estava sentada em uma mesa isolada no fundo da ala de pesquisa, cercada por três livros pesados de macroeconomia e o meu caderno de anotações, o objeto mais perigoso daqu