Antônio Vitorino
O peso do paletó de lã fria sobre meus ombros não era apenas o peso de um corte impecável de alfaiataria italiana. Era o peso de uma vida inteira. Enquanto eu terminava de ajustar o nó da gravata de seda preta diante do espelho da nossa suíte na Toscana, meus olhos — os mesmos olhos que aprenderam a ler o perigo antes de aprenderem a ler poesia — refletiam a gravidade do que estava prestes a acontecer.
Hoje não era apenas um sábado de sol entre as videiras. Hoje, o sangue enco