Antônio Vitorino
O tempo é uma substância estranha. Na Toscana, sob o sol que parecia derreter o relógio, cada hora passava como um suspiro, rápida demais para ser capturada. Aqui, no norte gélido, em galpões que cheiram a ferrugem e nos portos onde o nevoeiro esconde pecados, cada minuto se arrasta como um condenado ao patíbulo.
Três dias. Setenta e duas horas. Quatro mil, trezentos e vinte minutos. Eu sabia exatamente quanto tempo tinha passado desde que deixei Vincenza naquela boutique inac