Mundo de ficçãoIniciar sessãoSer rejeitada no altar diante de toda a alcateia deveria ter sido o fim de Valerie. Humilhada por Caleb Blackwood, o Alfa que ela amava e que a trocou por uma mentira, ela fugiu para a neve escura da floresta, ferida, sem rumo e abandonada à própria sorte. Mas o destino tinha outros planos. Encontrada à beira da morte pelo temido Dante, o Alfa Supremo do Castelo das Sombras, Valerie entra em um mundo de trevas, poder e desejo incontrolável. Dante é implacável com os inimigos, mas totalmente devoto a ela, enxergando em Valerie muito mais do que a loba fraca que os outros tentaram destruir. Enquanto o passado bate à porta e ex-aliados tentam caçá-la, Valerie desperta um poder ancestral adormecido em seu sangue — uma força misteriosa capaz de anular a Voz de Alfa e fazer impérios tremerem. Entre noites de pura tensão, olhares carregados de eletricidade e um romance dark avassalador, Valerie e Dante unem forças para destruir aqueles que os traíram. Caleb logo descobre que mexer com ela foi o maior erro de sua vida, pois a loba rejeitada não quer apenas justiça: ela quer a coroa. Uma história eletrizante de vingança, paixão proibida e fantasia erótica (+18) onde a dor se transforma em poder absoluto.
Ler maisO cheiro de lírios brancos e cera de abelha derretida deveria ser o aroma da minha felicidade. Durante meses, fechei os olhos para os cochichos, ignorei os avisos sutis da minha intuição e acreditei cegamente na promessa que fiz a mim mesma: eu seria a Luna da Alcateia da Lua Prateada ao lado de Caleb Blackwood.
Enquanto ajustava o tecido pesado do meu vestido de noiva diante do espelho, minhas mãos tremiam levemente. Não era um tremor de frio, mas de pura ansiedade e expectativa. Caleb era tudo o que me restava após a perda dos meus pais. Forte, imponente, com seus quase dois metros de altura e olhos cinzentos que pareciam perfurar a alma de qualquer um, ele comandava a alcateia com severidade. E eu o amava. Pelo menos, amava a versão dele que ele me permitia ver nos momentos em que ficávamos a sós. — Você está deslumbrante, Valerie. — A voz doce de Chloe soou logo atrás de mim, ecoando pelo quarto com uma suavidade que beirava o sussurro. Me virei e sorri para ela. Chloe era minha melhor amiga desde a infância. Cabelos loiros perfeitamente alinhados, olhos azuis que pareciam transbordar inocência e um cuidado constante comigo. Ela segurava o meu buquê com ambas as mãos, os nós dos dedos levemente brancos de tanta força que fazia. Naquele momento, achei que fosse apenas o nervosismo por estar me ajudando no dia mais importante da minha vida. — Obrigada, Chloe. Eu não sei o que faria sem você aqui comigo — falei, segurando as mãos dela por um instante. A pele dela estava fria, mas não dei importância. — Você nunca está sozinha, amiga. Nunca — ela respondeu com um sorriso enigmático que passou rápido demais para que eu pudesse decifrar. As batidas graves dos tambores cerimoniais começaram a ecoar do lado de fora da grande tenda sagrada, marcando o início da nossa união perante os ancestrais. O som reverberava no meu peito, misturando-se às batidas aceleradas do meu próprio coração. O trajeto até o altar foi um borrão de cores, olhares curiosos e murmúrios abafados dos membros da alcateia que lotavam o espaço. Cada passo parecia pesado, como se o chão estivesse me puxando para baixo. Mas eu segui em frente, de cabeça erguida, focando apenas na figura imponente de Caleb que me aguardava no topo da plataforma de pedra calcária. Ele vestia trajes de cerimônia escuros, com detalhes em couro que contornavam seus ombros largos e peito musculoso. Suas cicatrizes de batalhas antigas davam a ele um ar selvagem e dominante. Quando meus olhos encontraram os dele, esperei ver o brilho de posse e carinho que conhecia tão bem. Em vez disso, encontrei uma muralha de gelo. Havia algo rígido, quase impaciente, na forma como ele me encarava. Subi os últimos degraus de pedra, sentindo o tecido do vestido deslizar suavemente. Parei bem diante dele. O calor do corpo de Caleb exalava aquele cheiro inconfundível de pinho e terra molhada que sempre me acalmava. O Ancião da alcateia, um senhor de barbas longas e rugas profundas, ergueu o livro sagrado de couro envelhecido entre nós. O silêncio caiu sobre a multidão reunida. Até o vento pareceu prender a respiração. — Estamos aqui reunidos para unir sob a luz da lua o Alfa Caleb Blackwood e Valerie Sanchez... — a voz rouca do Ancião ecoou pelas paredes de pedra. — Há algo que impeça esta sagrada união perante os deuses e a alcateia? Minhas entranhas se contraíram em um frio repentino. Não por medo de uma objeção, mas por uma intuição súbita, um aperto sufocante na boca do estômago que apareceu do nada. Olhei para Caleb de relance. Os maxilares dele estavam trancados com tanta força que os músculos saltavam na lateral do rosto. — Há — a voz de Caleb cortou o ar como uma lâmina enferrujada. O som daquela palavra chocou o silêncio absoluto. Virei meu rosto bruscamente para ele, o fôlego travando na minha garganta. O Ancião franziu o cenho, abaixando o livro lentamente. — O que disse, meu Alfa? — perguntou o ancião, confuso. Caleb deu um passo à frente, quebrando a distância ritualística que nos separava. Ele não olhava para mim com tristeza ou hesitação; havia um desprezo gélido em seu olhar que eu nunca tinha visto antes. — Eu disse que há um impedimento. — A voz dele reverberou, alta o suficiente para que todos os centenas de lobos presentes ouvissem perfeitamente. — Eu não posso me unir a Valerie. Um murmúrio escandalizado explodiu entre os convidados. Minha visão embaçou por um segundo. Senti o sangue sumir do meu rosto, deixando minha pele completamente gelada. — Caleb... O que você está dizendo? É brincadeira, não é? — Sussurrei, dando um passo trêmulo em sua direção, tentando manter um pingo de dignidade diante de toda aquela gente. — A cerimônia... Os preparativos... — Não há brincadeira nenhuma, Valerie — Caleb rosnou, a voz grossa carregada de uma repulsa que rasgou o meu peito como garras de aço. — Eu fui cego por tempo demais. Acha mesmo que eu, o Alfa desta alcateia, tomaria como Luna uma mulher fraca, sem sangue puro de linhagem de comando, uma loba que mal consegue liderar a própria vida? As palavras caíram sobre mim como pedras gigantescas. Cada sílaba era um golpe físico. Senti o ar faltar nos meus pulmões. Minhas pernas fraquejaram, mas fiquei firme na marra, o choque paralisando cada músculo do meu corpo. — Você está bêbado? Está louco? — Minha voz saiu falhada, um fio de ar arranhando minha garganta. — Nós passamos anos... Você disse que me amava! — Eu disse o que era necessário para manter a paz na alcateia até encontrar alguém digna de ficar ao meu lado no trono — ele cravou as palavras com crueldade, sem um pingo de remorso. Antes que eu pudesse processar a enormidade daquela traição, um movimento na lateral do altar chamou minha atenção. Chloe emergiu de entre os convidados que abriam espaço. Ela não usava mais o vestido simples de madrinha. Em suas mãos, ela trazia uma estola de pele que pertencia ao alto escalão da alcateia, e em seus lábios havia um sorriso que não era de tristeza, mas de triunfo puro e descarado. Ela caminhou com passos firmes até parar ao lado de Caleb. Caleb virou-se para ela, e a expressão de pedra em seu rosto se desfez em algo que ele nunca demonstrou comigo: um sorriso cúmplice, possessivo e apaixonado. Ele envolveu a cintura de Chloe com o braço, puxando-a contra o seu corpo diante de todos. O meu mundo parou de girar. — É a Chloe... — sussurrei, sentindo o gosto de sangue na minha boca de tanto morder os lábios para não desabar. Olhei para a minha melhor amiga, a pessoa que eu acolhi, a quem contei meus medos mais profundos. — Desde quando? Chloe ergueu o queixo, os olhos azuis brilhando com uma maldade fria que me deu ânsia de vômito. — Desde sempre, Valerie — respondeu Chloe, com aquela voz mansa que agora soava como o veneno mais puro. — Você realmente achou que o Caleb olharia duas vezes para alguém como você se eu não estivesse puxando os pauzinhos nos bastidores? Nós usamos você para manter as aparências enquanto o território principal se estabilizava. Obrigada por facilitar tanto as coisas. As risadas começaram a surgir na multidão. Primeiro abafadas, depois mais altas, transformando-se em gargalhadas abertas e cruéis. Eram membros da minha própria alcateia, pessoas que sorriam para mim todos os dias, apontando o dedo, zombando da minha desgraça, divertindo-se com a minha humilhação pública. — Perante os espíritos ancestrais e os membros da Lua Prateada... — a voz de Caleb cortou as risadas, alta, imponente e definitiva, direcionada para o Ancião atônito. — Eu rejeito Valerie Sanchez. Eu a rejeito como minha companheira, como minha Luna e como parte da minha Matilha. A maldição da rejeição bateu no meu peito como um raio invisível. A dor foi lancinante, um fogo químico que queimou a marca invisível que nos ligava, rasgando minha pele por dentro e arrancando um grito abafado da minha garganta. Senti minhas forças despencarem. O chão de pedra parecia girar de cabeça para baixo. Caleb nem sequer olhou para trás enquanto erguia Chloe pela cintura, coroando o momento com um beijo cínico diante de todos, enquanto as risadas e os uivos de escárnio da alcateia ecoavam como uma sentença de morte na minha cabeça. Com o peito sangrando, a alma despedaçada e o som da traição zumbindo em meus ouvidos, dei meus primeiros passos para trás, sabendo que a minha única opção restante era correr para longe dali antes que eles decidissem terminar o que começaram.O silêncio no imenso saguão de entrada do Castelo das Sombras era tão pesado que parecia comprimir o ar dentro dos meus pulmões. O mensageiro da Lua Prateada — um homem magro de túnica cinzenta impecável — tentava manter a postura rígida, mas os olhos dele tinham o pavor profundo ao encarar o topo da escadaria. Ele não esperava me encontrar ali. Muito menos me encontrar inteira, erguida e cercada pela aura letal de Dante. Desci o primeiro degrau com calma, sentindo o som dos meus sapatos ecoar pelas paredes altas de pedra. Cada passo parecia carregar o peso de todas as vezes em que abaixei a cabeça naquele mesmo altar onde fui traída. O formigamento na ponta dos meus dedos retornou, uma eletricidade muda que fazia a minha pele formigar de um jeito febril. — Você parece surpreso, mensageiro — falei, minha voz cortando o espaço com uma clareza fria que fez o homem engolir em seco. — Pensei que o conselho de anciãos mandasse alguém corajoso da próxima
O som da batida seca de Martha na madeira estilhaçou o clima denso e febril que nos envolvia como uma segunda pele. Eu parei de respirar por um segundo, com os dedos ainda entrelaçados nos cabelos negros de Dante, sentindo o calor do corpo dele contra o meu esfriar bruscamente, não por falta de desejo, mas pela mudança instantânea no ar ao nosso redor. O contraste foi quase violento. O homem que segundos antes me olhava com uma fome descontrolada agora tencionava os músculos do pescoço, transformando o brilho dourado de seus olhos em duas lâminas afiadas de gelo puro. — Merda — Dante praguejou baixinho, a voz saindo como um rosnado abafado contra a minha orelha. Ele enterrou o rosto por um instante na curva do meu pescoço, soltando um suspiro pesado e trêmulo antes de se afastar o suficiente para me olhar nos olhos. As mãos grandes dele, que antes apertavam a minha cintura com urgência, subiram para segurar o meu rosto com firmeza. — Parece que aqu
O ar do quarto parecia denso demais para respirar. Cada movimento de Dante trazia uma onda daquele cheiro inconfundível de pinho queimado e terra molhada que parecia entorpecer a minha razão. Quando os lábios dele se afastaram dos meus por um segundo, meus olhos continuaram grudados nos dele, sentindo o peito arder de um jeito que não tinha nada a ver com o cansaço. — Você está me olhando como se quisesse me devorar, passarinho — ele sussurrou, com um sorriso torto e lento desenhando nos seus lábios finos, embora o brilho dourado em seus olhos denunciasse que ele estava tão instável quanto eu. — E você está agindo como se não tivesse acabado de virar a minha cabeça de ponta-cabeça — retruquei, tentando usar o resto de ironia que me restava, embora minha voz tenha saído fraca, traída pela própria respiração trêmula. Dante soltou uma risada baixa, um som grave que vibrou no peito dele contra o meu. Ele não me soltou. P
A porta pesada fechou-se com um baque abafado, cortando o uivo do vento gelado e os ecos distantes dos guerreiros que recuavam na neve. O silêncio que despencou sobre o quarto foi pesado, quase palpável, preenchido apenas pelo som da minha própria respiração desregulada e pelo estalar abafado das brasas que ainda restavam na lareira. Eu fiquei ali, parada no meio do piso de pedra, com os braços cruzados sobre o peito, sentindo a pele ainda formigar de um jeito estranho. A ponta dos meus dedos parecia carregar o peso de uma corrente invisível, uma eletricidade muda que teimava em não ir embora. Minha mente girava em círculos, puxando e empurrando as cenas de minutos atrás. Eu tinha visto com meus próprios olhos. Eu tinha levantado poeira, jogado homens ao chão e anulado a temida Voz de Alfa de Caleb com um simples gesto, como se o poder dele não passasse de uma lufada de vento fraca. — Você está tremendo — a voz grossa de Dante quebrou o silêncio. Ele estava a poucos passos d
Último capítulo