Mundo ficciónIniciar sesiónTodos conhecem Valentina Albuquerque, 24 anos. Herdeira de uma das famílias mais ricas da cidade, influenciadora, sempre impecável, dona de um closet milionário e de uma língua afiada. Para a imprensa, ela é apenas uma patricinha mimada que nunca ouviu um "não". O que ninguém sabe é que, por trás do salto alto e das bolsas de luxo, existe uma mulher sufocada pelo controle do pai e por um noivado arranjado que nunca desejou. Do outro lado da cidade, Dante, 30 anos, é o homem mais temido da comunidade. Inteligente, estrategista e reservado, ele comanda o tráfico local impondo regras rígidas e evitando que inocentes sejam envolvidos em seus conflitos. Sua reputação inspira medo, mas seu passado esconde feridas que ninguém conhece. Quando Valentina presencia um crime ligado ao mundo de Dante, sua vida perfeita desmorona. Para sobreviver, ela acaba sob a proteção do homem que sempre aprendeu a odiar. Eles pertencem a mundos completamente diferentes. Ela representa o luxo. Ele representa o perigo. Enquanto a polícia se aproxima, inimigos se multiplicam e segredos de famílias influentes vêm à tona, a convivência transforma o desprezo em uma atração difícil de controlar. Mas amar um homem como Dante pode custar muito mais do que o coração, pode custar a própria vida.
Leer másO despertador nem precisou tocar.
Às seis da manhã, as cortinas automáticas do quarto se abriram lentamente, deixando a luz dourada do sol invadir a suíte de quase cem metros quadrados. O teto branco, os móveis planejados e a decoração em tons claros pareciam saídos de uma revista de arquitetura. Valentina Albuquerque abriu os olhos devagar, pegou o celular sobre o criado-mudo antes mesmo de se levantar. Mais de trezentas notificações, mensagens, convites para eventos, parcerias de marcas, comentários nas últimas fotos. Ela sorriu de canto, a vida perfeita rendia muitos likes. Depois de alguns minutos rolando a tela, levantou-se e caminhou até o enorme closet. Vestidos organizados por cor, sapatos em prateleiras iluminadas, bolsas de grifes internacionais. Tudo impecável. Escolheu um conjunto branco de alfaiataria, um salto fino bege e joias discretas. Queria elegância, não exagero. Diante do espelho, prendeu os cabelos loiros em um rabo de cavalo alto e fez uma maquiagem leve, suficiente para esconder o cansaço que insistia em aparecer nos últimos meses. Por fora, era perfeita. Por dentro, nem ela sabia mais quem era. — Bom dia, senhorita. A empregada já colocava o café sobre a mesa quando Valentina entrou na enorme sala de jantar. Frutas frescas, pães artesanais, croissants, queijos importados, café recém-passado. Tudo organizado com perfeição. Na cabeceira estava Alexandre Albuquerque. Empresário, bilionário respeitado, temido e, acima de tudo, controlador. — Está atrasada. Valentina olhou o relógio, eram sete horas em ponto. — Ainda faltam cinco minutos para a reunião. — Para quem quer comandar empresas, cinco minutos fazem diferença. Ela respirou fundo antes de responder. — Bom dia para você também. Ele apenas dobrou o jornal. — Hoje você conhecerá alguns investidores. Vista-se como uma Albuquerque. Ela olhou para a própria roupa. — Tem algum problema? — Nenhum. — Então? — Apenas lembre-se de que nossa imagem vale bilhões. Aquela frase era repetida desde que ela era adolescente. Nossa imagem. Nossa reputação. Nossa família. Nunca era sobre felicidade. Nunca era sobre escolhas. Duas horas depois, o carro blindado atravessava a avenida principal da cidade. Do lado de fora, pessoas caminhavam apressadas. Vendedores ambulantes, motoboys, ônibus lotados. Valentina observava tudo pela janela, às vezes tinha a sensação de viver presa em uma bolha. Ela possuía tudo: dinheiro, luxo, status. Mas não podia decidir sequer como queria viver. O motorista estacionou diante do edifício da Albuquerque Holding. Quarenta andares de vidro espelhado, funcionários impecavelmente vestidos, seguranças por todos os lados. Assim que entrou, foi recebida por sorrisos. — Bom dia, senhorita Valentina. — Bom dia. — A senhora está linda hoje. Ela agradeceu educadamente. Sabia que muitos daqueles elogios eram dirigidos ao sobrenome, não à pessoa. - A reunião parecia interminável. Executivos discutiam números, investidores falavam sobre expansão. Seu pai comandava tudo com firmeza. Valentina participava quando necessário. Era inteligente, preparada. Sabia administrar uma empresa, mas seu coração nunca pertenceu àquele lugar. Enquanto todos discutiam milhões, ela observava a chuva começar do lado de fora. Pensava em como seria simplesmente entrar em um carro e dirigir sem destino, sem seguranças, sem regras, sem alguém dizendo o que deveria fazer. Na saída do prédio, sua melhor amiga já a esperava. Heloísa abriu um enorme sorriso. — Finalmente conseguiu escapar. — Por poucas horas. — Valen riu — Vamos almoçar? Preciso respirar. As duas seguiram para um restaurante elegante no centro. Conversaram sobre viagens, moda, redes sociais. Mas Heloísa percebeu rapidamente que havia algo errado. — Você está distante. — Às vezes sinto que estou vivendo a vida de outra pessoa.— disse, abaixando o olhar. — Seu pai continua pressionando? — Como sempre. — soltou uma risada sem humor. — Você merece ser feliz. — disse Helô, segurando a mão da amiga. Valentina sorriu. Queria acreditar nisso. — Naquela mesma tarde, do outro lado da cidade. Muito longe dos prédios luxuosos, dos restaurantes sofisticados e dos carros importados. Um homem observava tudo do alto de uma laje: braços cobertos por tatuagens, olhar frio, poucas palavras, respeitado por aliados e temido pelos inimigos. Dante. Seu telefone tocou. — Encontramos o carregamento. — ele permaneceu em silêncio — Também apareceu um problema. — Que problema? — Parece que alguém importante vai passar por aquela região hoje. Dante guardou o celular lentamente e olhou mais uma vez para a cidade iluminada ao longe. Dois mundos separados por poucos quilômetros, sem imaginar que, em breve, esses mundos iriam colidir de forma irreversível.A noite caiu sobre a comunidade, mas ninguém parecia tranquilo.Depois de descobrirem que Rafael estava passando informações, Dante havia aumentado a segurança.Portas eram verificadas, as entradas estavam sendo vigiadas.Ninguém circulava sozinho e mesmo assim, Valentina sentia que havia alguma coisa errada.Ela estava na cozinha quando ouviu um barulho no corredor, parou.— Dante?Nenhuma resposta. Outro barulho, dessa vez, mais próximo.Valentina pegou o celular e caminhou devagar até a porta.Quando abriu, encontrou Jonas.— Você me assustou!— Desculpa.— O que aconteceu?— Estamos procurando um dos homens da equipe. — Jonas olhou para os lados.— Quem?— Rafael.— Ele fugiu? — perguntou, sentindo um arrepio.— Ainda não sabemos.Dante apareceu alguns minutos depois.— Fica comigo.— O que aconteceu? — perguntou, percebendo que ele estava preocupado.— Encontramos uma porta aberta.— Aqui?— Sim.— Então alguém entrou?— Ou alguém saiu.Valentina olhou para o corredor e de repent
Dante não conseguia tirar uma coisa da cabeça.A lista dos inimigos havia crescido, a polícia estava comprometida, Henrique havia desaparecido e alguém continuava sabendo dos movimentos deles antes mesmo que acontecessem.Aquilo só podia significar uma coisa, havia outro infiltrado.Dante estava sentado na sala quando Jonas entrou.— Você pediu para falar comigo?— Sim. — Dante fechou a pasta — Quero que você faça uma lista.— De quê?— De todos que tiveram acesso aos nossos planos nas últimas semanas.Jonas pensou por alguns segundos.— Somos poucos.— Justamente.-Alguns minutos depois, Jonas voltou com a lista. Apenas seis nomes. Dante analisou cada um.— Quem sabia do deslocamento de Valentina?— Eu, você e Marcelo.Dante levantou os olhos.— Marcelo desapareceu.— Sim.— Quem sabia sobre o depósito?— Eu, você, Marcelo e Rafael. — respondeu.Dante circulou o nome de Rafael.— E quem sabia da falsa rota que usamos para testar o infiltrado?Jonas olhou para a lista.— Apenas nós d
O desaparecimento de Henrique mudou o clima na comunidade.Dante não conseguia parar de pensar na última mensagem que o policial havia recebido."Você falou demais."Agora, qualquer pessoa poderia ser o próximo alvo.Valentina estava na sala com Jonas quando Dante entrou carregando uma pasta.— Precisamos conversar.Ela percebeu imediatamente a expressão dele.— Descobriu alguma coisa?— Sim. — Dante colocou a pasta sobre a mesab— A polícia não é o único problema.Jonas abriu o primeiro documento e havia vários nomes: empresários, políticos, advogados. Pessoas que, aparentemente, não tinham qualquer ligação com a guerra.Até que Valentina viu um rosto conhecido, ela ficou imóvel.— Não.— Você conhece? — Dante olhou para ela.— Conheço. — ela pegou a fotografia — Ele frequentava nossa casa quando eu era criança.— E esse? — Jonas colocou outra fotografia ao lado.— Amigo do meu pai. — Valentina reconheceu também.— E esse? — Dante abriu outro documento.Ela demorou alguns segundos.—
A noite parecia tranquila, mas Dante sabia que aquela calma era apenas aparência.Desde a operação policial, ele vinha revisando cada detalhe.Quem sabia da localização dos depósitos?Quem conhecia os horários?Quem tinha acesso aos documentos?A resposta sempre levava ao mesmo lugar, alguém dentro da polícia estava passando informações.— Descobrimos quem teve acesso aos relatórios. — Jonas entrou na sala com uma pasta.— Quantos? — Dante levantou os olhos.— Cinco policiais.— E quem chamou minha atenção?Jonas colocou uma fotografia sobre a mesa.— Henrique. — Dante reconheceu imediatamente.— Exatamente.O delegado Henrique, o mesmo homem que havia ajudado Alexandre a encontrar Valentina, o homem que parecia estar tentando protegê-la.Dante ficou em silêncio.— Você tem certeza?— Ainda não. — Jonas colocou alguns documentos ao lado da fotografia — Mas encontramos movimentações estranhas.— Ele recebeu dinheiro. — Dante analisou.— De uma empresa ligada a um dos empresários que ap
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