Mundo ficciónIniciar sesiónAs luzes do salão refletiam nos enormes lustres de cristal, transformando a noite em um espetáculo de luxo.
Empresários, políticos, artistas e influenciadores circulavam entre mesas decoradas com flores importadas. Garçons passavam oferecendo taças de champanhe, enquanto uma orquestra tocava versões sofisticadas de músicas populares. Era a festa anual da Fundação Albuquerque, um dos eventos mais exclusivos da cidade. Valentina desceu a escadaria principal usando um vestido vermelho de seda que valorizava sua elegância. Os cabelos estavam presos em um coque impecável, e um discreto colar de diamantes iluminava seu pescoço. Assim que entrou no salão, dezenas de olhares se voltaram para ela. — É a filha do Augusto. — Está ainda mais bonita. — Parece uma princesa. Ela sorriu por educação, mas por dentro se sentia sufocada. Seu pai logo apareceu ao seu lado. — Cumprimente os convidados. — Já estou fazendo isso. — Com um sorriso verdadeiro. — O meu sorriso verdadeiro ficou em casa. — retrucou, respirando fundo. — Controle-se. — disse, olhando-a severamente. Ela preferiu se afastar antes que a discussão aumentasse. - Do outro lado do salão, Heloísa se aproximou segurando duas taças. — Você está linda. — Obrigada. — E com cara de quem quer fugir. — Porque eu quero. — Valentina riu. As duas caminharam entre os convidados, tentando aproveitar a noite. Durante alguns minutos, tudo pareceu normal. Fotos, entrevistas, brindes, música. Até que um garçom esbarrou discretamente em Valentina. — Me desculpe, senhorita. — Não foi nada. — sorriu, gentilmente. Sem perceber, o homem deixou cair um pequeno cartão próximo aos seus pés. Curiosa, ela o recolheu e havia apenas uma frase escrita: "Saia daqui. Agora." Seu coração acelerou, ela olhou ao redor procurando quem havia deixado o bilhete. O garçom havia desaparecido. — Helô... — O que foi? Valentina mostrou o cartão, a amiga empalideceu. — Isso não tem graça nenhuma. Antes que pudessem dizer mais alguma coisa, as luzes se apagaram e o salão inteiro mergulhou na escuridão. Um segundo de silêncio. Depois, o primeiro disparo. BANG! O som ecoou pelo salão, os convidados começaram a gritar. Outro tiro, depois outro. Taças caíram no chão, mesas foram derrubadas, pessoas corriam desesperadas procurando abrigo. — No chão! — alguém gritou. Heloísa puxou Valentina para trás de uma coluna de mármore. — Meu Deus... Mais disparos. Os seguranças sacaram as armas enquanto tentavam retirar Alexandre Albuquerque do salão. — Protejam o doutor Alexandre! Valentina olhou desesperada ao redor, não conseguia enxergar o pai, nem entender o que estava acontecendo. Então ouviu um gemido, um dos garçons estava caído próximo ao palco, com a camisa completamente coberta de sangue. Ele estendeu a mão em sua direção. — Me... ajuda... Sem pensar, Valentina correu até ele. — Valen! Volta! — Helô gritou. Ela se ajoelhou ao lado do rapaz. — Calma, a ambulância já vai chegar. O jovem segurou seu pulso com força, os olhos estavam cheios de medo. — Eles... eles não vieram por ele... Valentina franziu a testa. — O quê? — Vieram... por... Antes que conseguisse terminar a frase, um novo disparo atravessou o vidro principal do salão. O garçom perdeu as forças, sua mão escorregou lentamente do braço de Valentina. Ele estava morto. Ela permaneceu imóvel por alguns segundos, era a primeira vez que via alguém morrer diante dos seus olhos. As mãos começaram a tremer, as lágrimas surgiram sem que ela percebesse e de repente, alguém a puxou bruscamente. — Levanta! — era um dos seguranças da família — Precisamos sair daqui! Eles correram pelos corredores de serviço enquanto o som dos tiros continuava do lado de fora. Ao chegarem ao estacionamento, encontraram vários carros destruídos. Vidros quebrados, pneus furados, marcas de bala por toda parte. — Entrem! Agora! Valentina e Heloísa foram empurradas para dentro do carro blindado e assim que as portas se fecharam, o motorista acelerou. Atrás delas, sirenes ecoavam pela cidade. Enquanto o veículo se afastava, Valentina olhou pela janela traseira. As luzes da festa desapareciam lentamente, ela ainda segurava o pequeno cartão encontrado no salão. Suas mãos tremiam. Aquela mensagem não havia sido uma brincadeira. Alguém sabia que o ataque aconteceria e pela primeira vez em sua vida, Valentina Albuquerque percebeu que o dinheiro da sua família não era capaz de protegê-la de tudo.






