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O HOMEM QUE ELA DEVERIA TEMER

A chuva caía fina sobre a cidade.

Do quarto, Valentina observava as gotas escorrerem pela enorme janela de vidro. Fazia dois dias desde o atentado, mas a sensação de perigo permanecia.

Ela não conseguia dormir e sempre que fechava os olhos, revivia o momento em que o garçom morria em seus braços.

Seu celular vibrava sem parar: mensagens de jornalistas, amigos, seguidores.

Todos queriam saber como ela estava.

Ela ignorou todas, naquele momento, não queria falar com ninguém.

No andar de baixo, Alexandre Albuquerque dava ordens aos seguranças.

— Dobrem a equipe.

— Sim, senhor.

— Quero dois carros blindados acompanhando a Valentina.

— Entendido.

— E ninguém entra nesta casa sem minha autorização.

— Senhor, a polícia acredita que sua filha pode ser chamada para prestar depoimento. — um dos homens se aproximou.

Augusto ficou em silêncio por alguns segundos.

— Ela não irá.

— Mas...

— Isso não está em discussão.

-

Enquanto isso, do outro lado da cidade, Dante caminhava lentamente pelo alto do morro.

As ruas já estavam movimentadas, comerciantes abriam seus estabelecimentos, crianças brincavam nas vielas e moradores o cumprimentavam com respeito.

— Bom dia, Dante.

— Bom dia.

Ele seguia atento a tudo, não demorou para Jonas alcançá-lo.

— Descobrimos quem morreu na festa.

— E?

— O nome verdadeiro era Rafael Nogueira.

— Ex-policial. — disse Dante, parando de andar.

— Trabalhou na inteligência durante anos. — completou Jonas.

— O que fazia vestido de garçom?

— Ninguém sabe.

Dante franziu a testa, aquilo fazia ainda menos sentido.

Um policial infiltrado, uma festa da elite, um atentado e uma herdeira que, por acaso, estava ao lado dele em seus últimos segundos de vida.

Não acreditava em coincidências.

Mais tarde, Dante reuniu seus homens.

— Quero todas as informações sobre Rafael Nogueira.

— Certo.

— Descubram quem organizou o ataque.

— Isso é problema nosso? — perguntou, um dos rapazes.

— Quando alguém começa uma guerra sem respeitar limites, cedo ou tarde ela chega até aqui. — Dante respondeu sem alterar a voz.

Todos compreenderam, não era apenas curiosidade, era prevenção.

-

Na mansão Albuquerque, Valentina já não suportava ficar presa.

Aproveitando um momento de distração dos seguranças, decidiu sair apenas para tomar um café em uma pequena livraria que frequentava desde a adolescência.

Vestiu uma calça jeans, uma blusa branca e colocou um boné para tentar passar despercebida.

— Senhorita, seu pai disse...

— Vou ficar duas horas fora.

— Não podemos permitir.

— Então tentem me acompanhar. — ela sorriu.

Antes que terminassem de responder, entrou em seu carro esportivo e saiu pelos portões.

Depois de alguns quilômetros, percebeu algo estranho.

Um SUV preto permanecia atrás dela desde que deixara a mansão, mudava de faixa quando ela mudava, acelerava quando ela acelerava.

O coração começou a bater mais forte.

— Deve ser impressão...

Virou em outra avenida, o veículo continuou atrás. Ela pegou o celular para ligar para Heloísa e antes que conseguisse completar a chamada... O SUV acelerou emparelhando.

Os vidros eram completamente escuros, então o carro bateu violentamente na lateral do veículo de Valentina.

— Ah!

Ela perdeu o controle por um instante, conseguiu evitar o canteiro central e pisou fundo no acelerador.

Outro impacto, mais forte.

— Meu Deus...

Os homens queriam tirá-la da pista.

-

A poucas quadras dali, Dante voltava de uma reunião quando viu a movimentação.

Um carro esportivo branco sendo perseguido por um SUV preto, sem pensar duas vezes, reduziu a velocidade.

— Jonas.

— O que foi?

— Está vendo aquilo?

— Estou.

O SUV bateu novamente no carro branco.

Dante estreitou os olhos.

— Eles não querem roubar.

— Querem matar quem está lá dentro.

— Vamos atrás deles. — decidiu, imediatamente.

— Tem certeza? — Jonas perguntou, surpreso.

— Agora. — disse Dante, acelerando.

Valentina, desesperada, olhou pelo retrovisor.

O SUV continuava colado, mas havia outro veículo se aproximando rapidamente.

Uma caminhonete preta.

Ela não fazia ideia de quem estava ao volante.

Nem imaginava que, nos próximos minutos, conheceria o homem que aprendera a vida inteira a temer.

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