Mundo de ficçãoIniciar sessãoA Redenção de Amadeo Amadeo Castiglione acredita que dinheiro, poder e influência são suficientes para controlar qualquer situação. Herdeiro de uma tradicional família italiana e proprietário de uma das maiores redes de hotéis cinco estrelas do mundo, ele está acostumado a conseguir tudo o que deseja. Inclusive mulheres. Constanza Sanseverino, filha de imigrantes italianos, trabalha como camareira em um dos hotéis da rede Castiglione durante o dia e, à noite, estuda Hotelaria. Discreta, determinada e fiel aos princípios cristãos com os quais foi criada, ela sonha construir um futuro digno, longe dos atalhos que o dinheiro pode oferecer. O destino muda quando Constanza entra na suíte presidencial para cumprir mais um dia de trabalho e encontra um homem entre a vida e a morte, durante uma grave crise alérgica. Sem pensar duas vezes, ela o socorre e acaba salvando sua vida. Grato, Amadeo se aproxima. A convivência desperta sentimentos inesperados, e Constanza acaba se apaixonando pelo homem que acredita estar conhecendo. Mas o sonho termina da forma mais cruel possível. Ao descobrir que Amadeo é noivo, Constanza percebe que foi apenas mais uma conquista na vida de um homem acostumado a brincar com os sentimentos das mulheres. Sem lhe dar a chance de qualquer explicação, ela desaparece da sua vida, levando consigo um segredo que ele jamais imagina existir. Um ano e meio depois, o destino coloca os dois frente a frente novamente. Só que muita coisa mudou. Desta vez, Amadeo não terá dinheiro, poder ou influência para reconquistar a confiança da única mulher que realmente amou. E provar que deixou de ser o homem que destruiu seu coração poderá ser o maior desafio de toda a sua vida.
Ler maisCONSTANZA
— Acordo lentamente, espreguiçando-me entre os lençóis macios do quarto de Amadeu, na imponente cobertura, é a primeira vez que venho aqui, nunca havia entrado em um lugar tão luxuoso. Olho para o lado e o encontro dormindo tão sereno, com a respiração calma, completamente alheio ao mundo, ontem a noite também foi a primeira vez que eu estive com um homem, nunca imaginei, que os momentos vividos na primeira vez fossem tão prazerosos e lindos. — Amadeo teve a paciência e carinho que nunca imaginei poder existir, mas agora decido me levantar, meu corpo todo dói, minha intimidade está latejando, ele me amou três vezes, me disseram que a primeira vez foi, e não conseguimos andar direito, e realmente estou com uma dor e ardência, mas com todo o cuidado, me levanto para evitando fazer qualquer ruído que possa despertar Amadeo , e também para não sentir tanta dor. —Hoje é domingo, meu dia de folga, e Amadeu insistiu com tanta veemência para que eu passasse a noite aqui. Caminho em direção à cozinha, movida por um carinho silencioso, e espectativa de fazer um café para meu namorado. — Abro a geladeira espaçosa e analiso os ingredientes disponíveis, já faz um mês que estamos namorando, e até agora meu peito aperta de incredulidade, como ele pode se apaixonar por mim? Eu jamais imaginei que um homem da estatura e poder de Amadeu Castiglione fosse direcionar seu olhar para uma simples camareira, muito menos pedir que eu namorasse com ele. Separo os ovos, o queijo, as frutas frescas e o pão artesanal, enquanto preparo um suco natural revigorante, coloco as fatias de pão para dourar e batendo os ovos para fazer uma omelete caprichada. — Em poucos minutos, a mesa está elegantemente posta, deixo tudo pronto, com uma expectativa doce e ingênua pulsando no peito, imaginando a expressão de surpresa dele ao acordar. Volto para o quarto, decidi tomar um banho rápido, pois em breve preciso voltar para casa, tenho que estudar para a prova, visto minhas roupas sem pressa e quando termino de me arrumar, respiro fundo, sorrindo de leve, e me viro lentamente na direção da cama para chamá-lo. Dou apenas alguns passos, e um movimento na porta do quarto me faz congelar ao notar um movimento na entrada da ampla suíte. — A porta se abre e vai se deslocando lentamente, revelando a silhueta de uma mulher. É uma mulher ruiva, alta, de uma beleza fria e marcante, seus olhos verdes percorrem o ambiente e param diretamente em mim. — Com uma postura altiva e a voz projetada com firmeza para preencher o espaço, ela dispara: — Quem é você e o que você faz no meu quarto e com o meu noivo Amadeo? O impacto do nome ecoa como um tiro, Amadeo pula da cama, se acordando imediatamente sobressaltado pelo som da voz. — Ele arregala os olhos, olha para mim e depois vira o rosto para a porta, completamente pálido e desnorteado: — O que você está fazendo aqui, Ginevra? Você não disse que só voltaria na próxima semana? Eu não te esperava agora. Ginevra cruza os braços, ostentando um sorriso cortante e carregado de veneno. — Terminei o meu serviço mais cedo, e resolvi voltar — ela respondeu, caminhando lentamente para dentro do quarto. — E qual não foi a minha surpresa quando, ao adentrar a nossa suíte, vejo uma estranha no nosso quarto, e tem um pequeno detalhe: o meu noivo dormindo nu e tranquilamente, a mesa posta na cozinha com café da manhã para dois. — Então, querido, o que eu suponho com essa análise e pelo cheiro e a quantidade de preservativos jogados no chão, percebo que a noite de ontem foi bem quente, não é? Quer dizer que esse mês que eu estive fora, você estava me traindo? Que decepção, Amadeu! O ar foge dos meus pulmões, olho para Amadeo, vejo-o engolir em seco, incapaz de proferir uma única palavra de defesa, fico esperando ele se explicar. Mas a covardia dele pesa no ambiente de forma insuportável, minha visão se embaça com lágrimas que transbordam sem controle. Com a voz trêmula, mas carregada de uma dor lancinante, viro-me para ele: — Amadeu, você mentiu para mim? — Me enganou todo esse tempo, eu fui usada por você e vejo agora que não passei de um brinquedo para você. Você nunca pensou nos meus sentimentos, não é? E o pior de tudo, é saber que você cometeu a crueldade de me trazer para o local onde vive com a sua noiva! Escuta bem o que vou te falar, você nunca mais ouse olhar para mim ou me dirigir à palavra. Dou um passo à frente, engolindo o nó na garganta, e encaro a ruiva: — E por favor, senhorita Ginevra, me perdoe, eu não sabia que ele era noivo, o que a senhora viu aqui, pelo menos comigo, não vai mais acontecer. Eu apenas pensei que ele fosse um homem livre, e ele brincou comigo e com os meus sentimentos. Pego minha bolsa sobre a poltrona, me viro lentamente e olho para Amadeu uma última vez com lágrimas nos olhos. — Ele fixa os olhos em mim, mas permanece mudo. Apenas observa a cena, em estática, olhando entre mim e a mulher que carrega o título de sua noiva. Sem dizer mais nada, viro as costas e saio da cobertura com o coração estilhaçado. Caminho sem rumo por alguns instantes até decidir ir direto ao hotel onde trabalho — o mesmo império hoteleiro que pertence à rede dele. Os funcionários estranham me ver ali fora do meu turno, e o gerente me intercepta com cenho franzido: — O que você está fazendo aqui hoje? — Eu vim pedir minha demissão. — Como assim, sua demissão? — Eu preciso voltar para casa, os meus pais estão precisando de mim com urgência. Então, o senhor poderia bater minha carta de demissão sem aviso prévio, por favor? É extremamente necessário. — Você sabe que sem o aviso prévio você vai perder uma boa quantia em dinheiro, menina. — Não tem problema. Só me pague os dias que eu trabalhei. Meus uniformes estão guardados no armário, então não preciso buscar mais nada. Mas amanhã eu não venho mais. Assino a papelada de forma mecânica e saio para as ruas de Nova York. Chego à nossa quitinete no Queens quando o relógio marca quase dez horas da manhã. Minha amiga está sentada à escrivaninha, concentrada em seus livros. Ela ergue os olhos e solta um grito abafado ao ver meu rosto completamente desfigurado e inchado de tanto chorar. — Pelo amor de Deus, o que foi que aconteceu? — ela pergunta, largando os materiais. — Ele me enganou esse tempo todo. Eu passei a noite dormindo no apartamento dele e descobri da pior forma que ele é noivo. A noiva dele apareceu de surpresa. A única sorte é que eu já tinha tomado banho e estava vestida, porque ia apenas chamá-lo para tomar café antes de vir para casa. Você não tem noção do vexame, daquela mulher me medindo com aquele olhar acusador. Eu não deixei nenhum dos dois falar mais nada. Eu fugi de lá e pedi demissão. — Você pediu demissão?! Você ficou louca da cabeça?! E os seus estudos? E as contas? — Eu vou parar tudo. Eu estou indo embora daqui, eu não aguento respirar o mesmo ar que aquele cínico. — E como eu vou ficar, amiga? Nós dividíamos todas as despesas da casa! — Eu sinto muito, amiga, mas eu simplesmente não tenho condições psicológicas ou financeiras de continuar aqui. — Calma, respira fundo. Vamos fazer o seguinte: vamos procurar outra ocupação para você em outro bairro, e a gente acerta as coisas quando tudo estiver estabilizado. Você não precisa trabalhar naquele inferno. Tudo bem que o salário lá era excelente, mas você pode continuar sua vida e seus estudos aqui comigo. — Você tem razão. Mas uma coisa é certa: lógico que ele não vai vir atrás de mim depois de tudo o que aconteceu. Para ele, eu fui apenas um passatempo descartável. E assim eu faço. Com a carta de recomendação que consegui arrancar do gerente, começo a bater perna pela cidade à procura de uma nova ocupação. Em duas semanas, já estou empregada em outro estabelecimento comercial. Amadeu nunca mais deu as caras, nunca me procurou para dar uma satisfação. E o seu silêncio absoluto é a prova definitiva de que eu não passei de uma brincadeira, de uma mera diversão passageira para saciar o tédio de um homem intocável.O silêncio que se abateu sobre a sala modesta da quinta após as minhas palavras foi absoluto, pesado e cortante como uma lâmina de aço. Eu vi a surpresa estampada no rosto do meu pai, que ainda processava a ousadia da minha intervenção, e o choque atônito nos olhos de Amadeo, que parecia tentar absorver o peso monumental de cada termo que eu acabara de lançar sobre a mesa.Dei um passo firme em direção à mesinha de centro, mantendo a postura erguida e o queixo empinado. A pequena Chiara continua dormindo serenamente no bebê conforto ao lado, alheia ao fato de que o futuro de sua vida inteira estava sendo decidido ali, naquele exato segundo, entre quatro paredes rústicas e o cheiro de terra molhada que entrava pela janela aberta.— Você acha mesmo que pode vir aqui, Amadeo, e ditar as regras como se estivesse fechando a aquisição de mais um dos seus hotéis de luxo? — continuei, a minha voz saindo firme, sem um pingo de tremor, ecoando pelas paredes da sala. — Pois você errou de porta
Eu respiro fundo, sentindo o ar pesado da sala carregar cada grama da minha indignação e do meu amor de pai, e continuo a despejar na cara daquele homem tudo o que ele precisa ouvir, sem filtrar uma única palavra.— Não pense que o senhor vai entrar na minha casa, jogar um anel de brilhantes ou um contrato de fachada na mesa e achar que o problema está resolvido, senhor Amadeu — continuo, apontando o dedo calejado firme em direção ao peito dele, impondo o respeito que construí a vida inteira. — Se o senhor quer fazer parte da vida da minha neta, se o senhor tem a audácia de propor um casamento à minha filha, o senhor vai ter que se despir de toda essa arrogância corporativa que trouxe de Nova York.Dou mais um passo à frente, fazendo a madeira do piso rústico estalar sob as minhas botas, e esmiuço cada uma das minhas exigências como patriarca:— Para começar, eu quero que você entenda exatamente o tipo de homem que Constanza merece e que eu exijo que você seja a partir de hoje. Ela nã
O silêncio que se estendeu pela sala rústica da quinta foi pesado, carregado com o cheiro da madeira antiga, do vinho fermentado nos barris lá fora e da tensão palpável que cortava o ar.— Eu permaneci de pé por alguns instantes, absorvendo cada sílaba, cada vírgula daquela confissão absurda e perigosa que acabara de ser despejada diante de mim.Escuto tudo o que o senhor Amadeu fala e, só de saber que ele é filho do Don da máfia Castiglione, sinto o meu sangue gelar nas veias. — O sobrenome Castiglione carrega um peso de sangue, morte e terror que atravessou gerações na Itália e chegou até os cantos mais escuros do mundo. No entanto, à medida que ele tenta se justificar, explicando que rompeu com aquele estilo de vida, que construiu o próprio império corporativo e hoteleiro com a herança legítima deixada por sua mãe, e que não compactua com os crimes da organização, sinto um alívio mínimo e instantâneo invadir o meu peito de pai.Respiro fundo, buscando o autocontrole que construí
A atmosfera na sala rústica da quinta permaneceu densa, pesada, como se o ar tivesse se condensado e exigisse esforço de cada um de nós apenas para ser respirado. — Eu passei a vida inteira cercado por advogados implacáveis, parceiros comerciais de terno cinza, líderes corporativos e figuras perigosas do submundo que tremiam ao menor indício da minha voz. No entanto, diante daquele homem — um imigrante italiano de mãos calejadas pela terra, vestido com roupas simples de trabalho, mas carregando uma dignidade intransponível —, eu percebi que nenhuma das minhas defesas funcionava.— Nem mesmo o meu pai, o Don implacável da máfia que controlava impérios com uma única ordem, conseguiu jamais me fazer refletir sobre os meus atos da maneira como este pai humilde estava fazendo naquele exato momento.Respirei fundo, sentindo o suor frio colar na gola da minha camisa, e decidi que a verdade nua e crua era a única moeda aceitável ali.— O que eu vou narrar aqui para vocês, por favor, deve f
Último capítulo