Mundo ficciónIniciar sesiónValentina atravessou a praça tentando manter a calma, não olhava para trás, mas conseguia sentir que o homem continuava seguindo seus passos.
Entrou em uma livraria, folheou um livro qualquer e esperou alguns minutos. Quando levantou os olhos, o homem estava parado do lado de fora, fingindo conversar ao telefone. Seu coração acelerou, aquilo não era coincidência. Ela saiu pela porta dos fundos e caminhou rapidamente até o estacionamento. Quando colocou a mão na maçaneta do carro, uma voz a fez congelar. — Finalmente encontrei você. Ela se virou assustada, não era o homem que a seguia, era Dante. Vestindo uma camiseta preta, calça jeans escura e óculos escuros, ele caminhava em sua direção com passos firmes. — O que você está fazendo aqui? — perguntou ela. — Evitando que você faça mais uma idiotice. — Como é? — perguntou, franzindo a testa. — Você fugiu da mansão sabendo que tem gente tentando matar você. — Isso não é problema seu. — disse, cruzando os braços. — Depois de salvar sua vida duas vezes, virou. — soltou uma breve risada. — Eu não pedi sua ajuda. — Não. — Então pare de agir como se pudesse mandar em mim. Ele respirou fundo, claramente tentando manter a calma. — Você não entende o tamanho do perigo. — E você acha que entende a minha vida? Os dois permaneceram frente a frente, o estacionamento parecia desaparecer ao redor deles. — Você cresceu cercada de seguranças, dinheiro e privilégios. — disse Dante — Acha que pode resolver tudo enfrentando as pessoas. — E você acha que me conhece porque leu meu sobrenome em um jornal? — ela deu um passo à frente. — Conheço gente te caçando. — ele a encarou por alguns segundos. — Então me diga quem são! — Ainda não posso. — Ou não sabe. A provocação atingiu o alvo e pela primeira vez, Dante perdeu a serenidade. — Você quer a verdade? — a voz dele ficou mais firme — A verdade é que, se continuar agindo desse jeito, vai acabar morta antes que eu descubra quem está por trás disso! O estacionamento mergulhou em silêncio. Valentina arregalou os olhos, ninguém jamais havia falado com ela daquela maneira, muito menos gritado. Ela respirou fundo. — Não levante a voz para mim. — Então pare de agir como uma criança! — Você não manda em mim! — deu um tapa no peito dele, empurrando-o. Dante segurou delicadamente seu pulso antes que ela o empurrasse outra vez, não com força, apenas o suficiente para fazê-la parar. Os dois ficaram imóveis. Ela percebeu que os olhos dele não demonstravam raiva, demonstravam preocupação. Por um instante, nenhum dos dois disse uma palavra. Então Jonas apareceu correndo. — Dante! — os dois se afastaram imediatamente — Encontramos o carro. — Que carro? — O homem que estava seguindo ela abandonou o veículo duas ruas daqui. Dante olhou para Valentina. — Está vendo? Ela permaneceu em silêncio. Jonas continuou: — E encontraram isso lá dentro. Entregou um envelope pardo. Dante abriu. Dentro havia apenas uma fotografia, era Valentina, saindo da mansão naquela manhã. No verso, uma frase escrita com tinta preta: "Ela está mais perto do fim do que imagina." O rosto de Dante endureceu, ele dobrou a fotografia lentamente e depois encarou Valentina. — Agora você vem comigo. — E se eu disser não? — perguntou, levantando o queijo. — Então eu vou passar a noite inteira impedindo que você faça outra loucura. — dante deu um passo à frente. Pela primeira vez desde que se conheceram, Valentina não encontrou uma resposta. Porque, no fundo, começava a perceber que o homem que mais a irritava... talvez fosse também o único disposto a protegê-la sem pedir nada em troca.






