Mundo de ficçãoIniciar sessãoAs sirenes ainda ecoavam pela cidade quando o carro blindado atravessou os portões da mansão Albuquerque.
Valentina saiu do veículo com as pernas trêmulas. O vestido vermelho, antes impecável, agora estava manchado pelo sangue do garçom que morrera em seus braços. Ela olhou para as próprias mãos, ainda conseguia sentir o calor da pele dele desaparecendo. — Senhorita... Uma empregada tentou se aproximar. — Prepare um banho. Valentina não respondeu, entrou na mansão em silêncio. No escritório, Alexandre Albuquerque conversava com o chefe da segurança. — Quero todos os responsáveis identificados — Já acionamos nossos contatos. — Isso foi um atentado. — A polícia acredita que era um confronto entre criminosos. Alexandre bateu a mão sobre a mesa. — Aconteceu dentro da minha festa! Nesse momento, Valentina entrou e os dois homens se calaram. — Você está bem? — Um homem morreu na minha frente. — disse, encarando o pai. — Infelizmente... — respirou fundo. — Não diga "infelizmente" como se fosse um acidente qualquer! O silêncio tomou conta do ambiente. — Alguém sabia que aquilo ia acontecer. Ela retirou o pequeno cartão da bolsa e o colocou sobre a mesa. "Saia daqui. Agora." O semblante de Alexandre mudou imediatamente. — Onde conseguiu isso? — Um garçom deixou cair perto de mim. Ele pegou o cartão rapidamente. — Ninguém mais viu? — Não. Alexandre rasgou o papel em vários pedaços e Valentina arregalou os olhos. — O que está fazendo? — Esqueça isso. — Esquecer? — Você não viu nada. Ela deu um passo para trás. — Pai... — Ouviu o que eu disse? Pela primeira vez, Valentina percebeu medo nos olhos dele. Não era preocupação, era medo. Na manhã seguinte, toda a cidade comentava o atentado. Telejornais exibiam imagens da festa, influenciadores publicavam mensagens de solidariedade, repórteres permaneciam na porta da mansão. Enquanto isso, em uma delegacia, o delegado Heitor analisava as imagens das câmeras de segurança. Havia poucos segundos gravados antes da queda de energia, mas eram suficientes. Um homem vestido de garçom deixava discretamente um cartão cair perto de Valentina. Logo depois, ele olhava diretamente para uma câmera, como se soubesse que seria filmado. - No alto da comunidade, Jonas entrou apressado na casa de Dante. — Chefe... Dante levantou os olhos. — Fala. — O ataque da festa saiu em todos os jornais. Jonas colocou um tablet sobre a mesa, Dante assistiu às imagens. Convidados correndo, vidros quebrados, pessoas desesperadas. Até que a imagem congelou. Uma jovem ajoelhada ao lado de um homem ferido. Vestido vermelho, cabelos loiros presos, olhar desesperado. Dante permaneceu em silêncio. — Quem é ela? — Valentina Albuquerque. Ele continuou observando a tela, então percebeu um detalhe. O garçom segurava o braço dela, falava alguma coisa antes de morrer. Dante aproximou a imagem, não era possível ouvir, mas conseguiu ler parte dos movimentos dos lábios. "...vieram por..." Ele franziu a testa. — Esse homem não era garçom. Jonas olhou surpreso. — Como sabe? — Pela postura, pela forma como observava o ambiente, pelas mãos. Aquele homem tinha treinamento. Não estava ali para servir mesas, estava infiltrado. - Horas depois, dois homens encapuzados entraram em um galpão abandonado. Um terceiro já os esperava. — Ela viu? — Não. — Tem certeza? — Mas ouviu as últimas palavras dele. O líder permaneceu em silêncio e depois sorriu, um sorriso frio. — Então ela virou um problema. — O que fazemos? Ele acendeu um charuto. — Eliminem qualquer um que possa descobrir o que realmente aconteceu naquela festa. — Inclusive ela? O homem olhou pela janela, as luzes da cidade brilhavam ao longe. — Principalmente ela. Naquele instante, sem imaginar, Valentina deixava de ser apenas a filha de um empresário poderoso. Ela havia se tornado a única ligação viva entre um homem morto e um segredo pelo qual muita gente estava disposta a matar.






