Mundo de ficçãoIniciar sessãoSinopse: Camille Castanha é uma jovem terapeuta ocupacional focada, detalhista e marcada pelas decepções de um antigo amor da faculdade. Para ela, relacionamentos exigem segurança, análise de prós e contras e, acima de tudo, proximidade. Giulia, sua melhor amiga e colega de apartamento, é uma pediatra forte e independente que cria a filha pequena sozinha após ter sido abandonada na gravidez, prometendo a si mesma fechar as portas do coração para proteger sua rotina. Mas o destino tem seus próprios planos. Durante um caótico Carnaval no Rio de Janeiro, uma onda literal e figurativa muda a vida das duas amigas para sempre. Ao levar um "caixote" no mar da Barra da Tijuca, Camille cai diretamente nos braços de André Martins, um chef de cozinha paulista, romântico e intenso, que vive o presente com o coração aberto. Junto com ele estão seus amigos de infância: o animado personal trainer Kauan e o gerente geral Rafael, que logo se encanta pelo jeito reservado de Giulia. O que parecia ser apenas uma diversão passageira de feriado transformou-se em uma conexão profunda. De volta à rotina, eles precisam enfrentar a realidade de um amor à distância entre São Paulo e Rio de Janeiro, os traumas do passado, o medo de novas perdas e os planos de futuro. Entre encontros inesperados, shows de pagode inesquecíveis e beijos debaixo da chuva, eles descobrirão que, mesmo quando o coração está ferido, existem recomeços que valem a pena seguir. Uma história emocionante sobre amizade, superação e a certeza de que o amor verdadeiro sabe a hora exata de unir duas vidas.
Ler maisSempre juntos. Eram mais que amigos, eram irmãos, uma família que a vida trouxe. Vieram ao Rio porque os tios de Rafael, o casal Munhoz, estavam de férias e queriam conhecer a cidade. Um dos principais planos, além de ir à praia, era assistir aos desfiles das escolas de samba. Os rapazes aproveitaram e vieram junto. Estavam hospedados em um hotel com os tios de Rafael, ali mesmo na Barra da Tijuca.
Cada um tinha seu estilo de vida e suas escolhas. Kauan era personal trainer, o mais animado, e gostava de viver a vida como se tudo fosse extraordinário, sem pensar no amanhã, mas sempre com responsabilidade. Rafael trabalhava na empresa dos Munhoz como gerente geral; aproveitava a vida de maneira mais leve e sempre refletindo no que viria mais além. Não era de viver aventuras, mas também não se entregava ao amor tão intensamente. Já Martins trabalhava em seu restaurante em São Paulo, o Sapore di Pasta Paulista. Ele se especializou na culinária italiana, sempre inovando nos pratos principais do seu restaurante, assim como nas sobremesas, mas também servia comidas típicas brasileiras. Em relação ao coração, não pensava no amanhã. Para ele, a vida era o agora: aproveitar as oportunidades que a vida apresenta e abraçar tudo com intensidade. Era mais coração, amoroso e sempre muito apaixonado por tudo. Em relação à família, Martins era decidido em suas escolhas, e isso servia tanto para o lado profissional quanto para o pessoal. Os seus pais queriam que ele se formasse em Direito, assim como suas duas irmãs mais velhas, mas André estava decidido. Foi difícil no começo: o período de estudos, a negação dos pais... Porém, com dedicação e esforço, hoje seu restaurante era famoso e estava sempre inovando no cardápio. Estava solteiro e não estava à procura de um relacionamento, até encontrar Camille. Assim que Martins entrou na água e deu um mergulho, avistou-a: uma bela carioca com um maiô de borboleta entrando no mar. Ele a admirava; ela molhava os pés como se a água a cobrisse da forma que a seda envolve um belo corpo. Porém, ele avistou uma onda e tentou mergulhar, mas estava tão encantado com a beleza da jovem que a onda fez questão de juntar o casal. Camille não esperava levar um caixote. Assim que entrou no mar para molhar os pés e as mãos, veio uma onda e a derrubou. Quando percebeu, estava nos braços de Martins. — Você está bem? — disse ele, a segurando pela cintura, encantado com a beleza daquela jovem. — Acho que sim... mas estou cheia de areia — disse Camille, afastando-se do rapaz, muito envergonhada. Ela foi procurar Fabiana, que estava rindo da situação dentro da água. — Nem para me socorrer, né? — resmungou Camille, vermelha, e não era só de sol. — Amiga, nem se eu fosse mais rápida! — Fabiana continuava rindo. As duas voltaram para a areia. — Preciso ir ao chuveiro. Tenho areia no corpo inteiro — disse Camille. — Em casa, no meu ar-condicionado, isso não teria acontecido — resmungou, limpando-se. — Ah, para! — respondeu Fabiana, com um sorriso no rosto. Na água, André Martins observava Camille, ainda parado na beira da praia onde a onda quebrava antes de chegar na areia. Acordou quando seu amigo o cutucou: — A garota nem agradeceu por você ter segurado ela para não se afogar. — Gostei dela. — Martins, você sabe que não tem futuro, né? Vamos embora daqui a uma semana. Nem sabemos se ela mora aqui. E mesmo que more, como seria o relacionamento de vocês? — Isso a gente vê com o tempo. O tempo faz a parte dele, e eu faço a minha. — Teimoso! André apenas sorriu e saiu da água observando a mulher que a onda fez questão de apresentar a ele.Em uma dessas idas à cozinha, Gabi encostou no balcão, olhou bem para Rafael e soltou bem baixinho:— Tio Rafa... você já falou com a minha mãe?Rafael congelou com uma colher de pau na mão. Sua mente deu um nó instantâneo: falar sobre o quê? Sobre o Carlos ter tirado fotos dela? Sobre a pergunta se ele era o pai dela? Ou sobre a audiência antecipada que a intimação trouxe? Eram tantas coisas acumuladas que ele simplesmente travou.Tentando disfarçar para não assustar a pequena e nem levantar suspeitas em Giulia, ele deu um sorriso sem jeito:— Ah... não, meu amor. O Tio Rafa acabou esquecendo... O que era mesmo?Gabi deu uma risadinha, virou-se para Giulia e anunciou:— Mãe, amanhã tem reunião de pais na escola! O Tio Rafa vai comigo, né?Giulia sorriu, secando as mãos no pano de prato, e explicou com paciência:— Filha, quando a escola chama para a reunião de pais, geralmente vai o pai ou a mãe...— Mas o Tio Rafa pode ir comigo? — interrompeu Gabi, olhado firme para a mãe.— Pode,
Rafael disfarçou o impacto voltando os olhos para a tela do notebook, olhando de canto para a menina. Com a respiração sufocada ele fingia estar concentrado, nem imaginava os pensamentos afirmativos da pequena Gabi.— Gabi, que tal você tomar um banho agora? Você toma seu banho, coloca a sua roupa e o Tio Rafa faz o nosso lanche. O que acha?— E a gente toma café juntos? — perguntou a pequena.— Com certeza!Gabi tomou banho e voltou vestindo seu pijaminha fofo de unicórnio. Sentou-se na mesa para lanchar:— Ai, que pijama fofo! — elogiou Rafael.— Foi o meu avô e a minha avó que compraram! Mas lá na loja tem uns pijamas grandes para você e para a mamãe também. Vocês podiam comprar para ficar igual a mim!— É uma boa ideia... Mas acho que a sua mãe não curte muito roupa de unicórnio, não.Gabi deu uma risadinha esperta:— Mas você também não curte, né, Tio Rafa?— Eu não curto muito, meu amor, mas a gente pode comprar para ficar igual a você, tá bom?Depois do lanche, foram para o sof
Na manhã de segunda-feira, o sol raiou tranquilo sobre a casa da Barra da Tijuca. Rafael e Giulia arrumaram tudo com calma, trancaram o imóvel e se prepararam para pegar a estrada de volta para o Leblon.O que Giulia não sabia era que o cuidado de Rafael com a segurança deles tinha ido ainda mais longe. A presença incômoda de Carlos no sábado, durante a apresentação de balé, havia acendido todos os alertas do arquiteto. A desconfiança só aumentava e, por isso, ainda no sábado à tarde, Rafael fez questão de instalar um sistema discreto de câmeras de segurança espalhado por todo o quintal e cobrindo os ângulos principais da rua. Ele queria garantir que aquele refúgio estivesse totalmente protegido de qualquer ameaça externa.Enquanto checava as imagens pelo aplicativo no celular antes de trancar o portão, Rafael sentiu uma leve pontada de alívio por ter prevenido a segurança da casa. Ele guardou o aparelho e caminhou até o carro de Giulia. Assim que encostaram na porta do apartamento d
Jéssica ajustou as mãos no volante, mantendo uma distância segura enquanto seu carro seguia o de Giulia pelas ruas do Rio de Janeiro. Na tela do celular, o arquivo enviado por Carlos mostrava a foto da médica. Carlos havia mencionado que Giulia era a melhor amiga de Camille.Curiosa, Jéssica tentou puxar pela memória qualquer lembrança de Giulia no dia em que conheceu a namorada de André Martins, mas a imagem daquela mulher simplesmente não vinha.— Você é a tal da Fabiana são as únicas que não estavam naquele dia — murmurou Jéssica para si mesma, encarando o trânsito à sua frente com um sorriso frio. — A minha vingança era somente para o André e a Camille, mas o destino teve a audácia de me apresentar o grupo inteiro. Vou aproveitar muito e saborear a derrota de cada um de vocês!Um riso contido escapou por entre seus lábios enquanto engatou a marcha, acompanhando os passos de Giulia.A viagem terminou em um bairro nobre, mais distante da orla das praias cariocas. Era uma vilazinha c
Último capítulo