Quando o mar nos uniu
Quando o mar nos uniu
Por: M.R Silva
Capítulo 1: A onda

Sempre juntos. Eram mais que amigos, eram irmãos, uma família que a vida trouxe. Vieram ao Rio porque os tios de Rafael, o casal Munhoz, estavam de férias e queriam conhecer a cidade. Um dos principais planos, além de ir à praia, era assistir aos desfiles das escolas de samba. Os rapazes aproveitaram e vieram junto. Estavam hospedados em um hotel com os tios de Rafael, ali mesmo na Barra da Tijuca.

Cada um tinha seu estilo de vida e suas escolhas. Kauan era personal trainer, o mais animado, e gostava de viver a vida como se tudo fosse extraordinário, sem pensar no amanhã, mas sempre com responsabilidade. Rafael trabalhava na empresa dos Munhoz como gerente geral; aproveitava a vida de maneira mais leve e sempre refletindo no que viria mais além. Não era de viver aventuras, mas também não se entregava ao amor tão intensamente.

Já Martins trabalhava em seu restaurante em São Paulo, o Sapore di Pasta Paulista. Ele se especializou na culinária italiana, sempre inovando nos pratos principais do seu restaurante, assim como nas sobremesas, mas também servia comidas típicas brasileiras. Em relação ao coração, não pensava no amanhã. Para ele, a vida era o agora: aproveitar as oportunidades que a vida apresenta e abraçar tudo com intensidade. Era mais coração, amoroso e sempre muito apaixonado por tudo.

Em relação à família, Martins era decidido em suas escolhas, e isso servia tanto para o lado profissional quanto para o pessoal. Os seus pais queriam que ele se formasse em Direito, assim como suas duas irmãs mais velhas, mas André estava decidido. Foi difícil no começo: o período de estudos, a negação dos pais... Porém, com dedicação e esforço, hoje seu restaurante era famoso e estava sempre inovando no cardápio.

Estava solteiro e não estava à procura de um relacionamento, até encontrar Camille. Assim que Martins entrou na água e deu um mergulho, avistou-a: uma bela carioca com um maiô de borboleta entrando no mar. Ele a admirava; ela molhava os pés como se a água a cobrisse da forma que a seda envolve um belo corpo. Porém, ele avistou uma onda e tentou mergulhar, mas estava tão encantado com a beleza da jovem que a onda fez questão de juntar o casal.

Camille não esperava levar um caixote. Assim que entrou no mar para molhar os pés e as mãos, veio uma onda e a derrubou. Quando percebeu, estava nos braços de Martins.

— Você está bem? — disse ele, a segurando pela cintura, encantado com a beleza daquela jovem.

— Acho que sim... mas estou cheia de areia — disse Camille, afastando-se do rapaz, muito envergonhada.

Ela foi procurar Fabiana, que estava rindo da situação dentro da água.

— Nem para me socorrer, né? — resmungou Camille, vermelha, e não era só de sol.

— Amiga, nem se eu fosse mais rápida! — Fabiana continuava rindo.

As duas voltaram para a areia.

— Preciso ir ao chuveiro. Tenho areia no corpo inteiro — disse Camille. — Em casa, no meu ar-condicionado, isso não teria acontecido — resmungou, limpando-se.

— Ah, para! — respondeu Fabiana, com um sorriso no rosto.

Na água, André Martins observava Camille, ainda parado na beira da praia onde a onda quebrava antes de chegar na areia. Acordou quando seu amigo o cutucou:

— A garota nem agradeceu por você ter segurado ela para não se afogar.

— Gostei dela.

— Martins, você sabe que não tem futuro, né? Vamos embora daqui a uma semana. Nem sabemos se ela mora aqui. E mesmo que more, como seria o relacionamento de vocês?

— Isso a gente vê com o tempo. O tempo faz a parte dele, e eu faço a minha.

— Teimoso!

André apenas sorriu e saiu da água observando a mulher que a onda fez questão de apresentar a ele.

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