Capítulo 2: O convite

Kauan ainda estava na água, observando André caminhar em direção a Rafael. Ele conhecia bem o amigo. Sabia que, quando André cismava com alguma coisa, não havia quem o fizesse mudar de ideia. Provavelmente iria pedir a opinião de Rafael, já que ele era o mais velho e, entre os três, considerado o mais experiente.

André chegou perto e falou:

— Rafa, preciso da sua opinião. O Kauan me disse que é improvável, mas eu acredito que, antes de pensar que é impossível, eu devo tentar.

Rafael cruzou os braços e sorriu.

— Nem vou perguntar... já sei que é uma garota.

— Não é uma garota. É a garota. E eu sinto que essa é para a vida inteira.

Rafael começou a rir. André ainda nem tinha conversado com ela e já estava convencido de que havia encontrado a mulher da sua vida.

— Meu amigo, sendo sincero, melhor não investir — respondeu Rafael. — Eu estava observando a cena e a vi com uma amiga durante a “queda” dela em seus braços. Então, podemos convidar ela e a amiga para almoçar, depois nos encontrar com elas em algum bloco e...

André interrompeu:

— Quem me garante que ela seja festeira?

Rafael pensou por um instante.

— Então convida para conhecer os pontos turísticos.

André suspirou. Rafael continuou:

— Bom, se você acha que vale a pena, é com você. Mas, pela primeira vez, vou concordar com o Kauan: isso não vai dar certo. Tem a distância. Essas coisas só funcionam em filmes.

Nesse momento, Kauan, aproximando-se, resmungou:

— Eu avisei! Mas pensa em um cara teimoso!

Rafael riu antes de continuar:

— Bom, vamos convidá-las para almoçar. Se elas não aceitarem, você desiste?

André respondeu sem hesitar:

— Desisto.

Rafael chamou o responsável pela barraca para fechar a conta do guarda-sol e das cadeiras que haviam alugado. Depois de pagar, os três caminharam em direção às meninas.

As meninas estavam lanchando quando Giulia levantou o olhar e viu Rafael se aproximando. Ao notar o peitoral dele, acabou se engasgando com o suco.

Rafael abriu um sorriso educado.

— Meninas, desculpem incomodar. Eu e o Kauan estávamos observando vocês e gostaríamos de saber se não querem almoçar com a gente.

Antes que alguém respondesse, André, um pouco sem jeito, interrompeu:

— Eu salvei a sua amiga e gostaria de convidá-la para almoçar... e tomar uma água de coco.

Camille levantou os olhos para ele.

— Já estamos lanchando — respondeu, de forma ríspida.

André não desistiu.

— Você me deve um agradecimento, senhorita.

Faby sorriu e respondeu antes que Camille falasse:

— Camille Castanha. O nome dela.

Helena aproveitou a situação.

— A gente aceita, né, meninas? É só um almoço... Mas, como vocês estão convidando, vocês que pagam — disse ela, enquanto guardava seu sanduíche natural.

Kauan abriu um grande sorriso, olhando diretamente para Helena.

— Claro que vamos pagar!

Para quem minutos antes dizia que a ideia de André era improvável, Kauan agora parecia completamente encantado.

Camille e Giulia ainda estavam um pouco indecisas, mas acabaram aceitando. Já Faby e Helena estavam claramente animadas com os rapazes.

Logo começaram a caminhar juntos pela orla. Faby e Helena foram na frente com Rafael e Kauan, conversando animadamente sobre o Rio de Janeiro, a beleza da cidade, perguntando de onde eles eram e o que faziam.

Mais atrás, vinham André, Camille e Giulia. Giulia caminhava distraída, mexendo no celular, enquanto Camille parava de vez em quando para tirar a areia dos pés. André a observava discretamente, fingindo desinteresse, mas por dentro seu coração acelerava. Aquilo mostrava que ela tinha algo que o deixava ainda mais decidido a não deixá-la escapar, como se seu coração soubesse que ela era o amor da sua vida.

Ele percebeu que Camille não demonstrava nenhum tipo de interesse por ele. E aquilo, de alguma forma, o deixava ainda mais intrigado.

Os três rapazes estavam apenas de bermuda. André e Kauan foram os únicos que não tinham levado carteira, por receio de esquecer ou perder. André havia decidido deixar a carteira e o celular dentro do carro, no estacionamento. Naquele momento, parecia uma decisão sem importância, mas, em breve, ele descobriria que nem sempre as escolhas mais simples são as mais fáceis de resolver.

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