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Capítulo 4: No meio da multidão

Era oito e meia da manhã quando o telefone começou a vibrar. Camille estava exausta, pois tinha ficado a noite toda brincando com Gabi. Mesmo com seus vinte e três anos, estava sentindo o corpo pedir socorro. Como Gabi conseguia ter tanta energia?

Giulia estava lendo um livro na sala, enquanto as duas brincavam no quarto da menina, já que Ana tinha ido embora fazia muito tempo. Camille ainda estava de camisola quando a mãe de Giulia chegou.

— Vim buscar minha neta para levar ao parque. Espero que você não tenha esquecido — disse a recém-chegada.

— Não esqueci, mãe. Vou arrumá-la, ela ainda está dormindo. Nada de doces, por favor — pediu Giulia.

— Pode deixar. Bom dia, Mile!

— Oi, senhora Tânia. Tudo bem?

— Tudo bem, sim. Bom, aproveitem o sábado. Só trarei a Gabi amanhã à tarde.

Dona Tânia era uma mãe muito presente na vida de Giulia, assim como o senhor Gabriel. Estavam sempre atentos e cuidando de Giulia e Gabriela.

Assim que a menina saiu com a avó, o telefone tocou novamente. Era Faby mandando mensagens no grupo das Inseparáveis:

“Helena, me perdoa. Eu disse que iria com você para o bloco, mas tinha esquecido que iria viajar com meu boy. Ontem estava tão empolgada por termos saído nós quatro que não me dei conta dos planos que fiz com o Anthony. Estamos indo para Búzios, para a casa dos pais dele. Retorno depois do Carnaval. Amo vocês. Quero saber de tudo. Lembrem-se: sempre juntas, uma pela outra.”

Camille e Giulia ficaram indecisas, e tinham certeza de que Helena só iria olhar o telefone mais tarde.

— E agora? Não podemos deixar a Helena ir sozinha. Sabemos que, a essa hora, ela deve estar se arrumando — disse Giulia, colocando o pão na sanduicheira.

— Fácil de resolver. Vai você no lugar da Fabiana...

— Não. Vamos nós duas. Lembra? Sempre juntas, uma pela outra.

Camille bufou.

— Você sabe que eu odeio a multidão.

— Não vou te deixar ir sozinha.

Giulia pegou o celular e digitou no grupo:

“Não se preocupe. Eu e a Camille vamos ao bloco com a Helena. Vamos tomar conta dela. Beijos, e se divirta com seu boy. Use preservativos.”

Depois de tomarem café, foram procurar alguma fantasia que servisse nelas. Como Giulia costumava fazer festinhas de mesversário para a filha, ela tinha várias opções: de princesa, joaninha, abelhinha... Ela era daquelas mães que sempre usavam roupas combinando com a bebê, e não era diferente nos mesversários.

Camille pegou a de abelhinha: uma saia amarela com uma blusa preta, arco amarelo para ficar mais realista. Como ela media um metro e sessenta e tinha seus sessenta quilos bem distribuídos, a saia não ficou muito curta. Mesmo assim, colocou uma bermuda por baixo. Já Giulia escolheu a fantasia de Branca de Neve: um vestido rodado até o joelho, completo com uma peruca.

Helena só viu o celular às nove e meia, quando já estava descendo para ir ao condomínio de Faby. Por sorte, leu a mensagem e viu que Camille e Giulia estavam a caminho e iriam com ela. Sorriu por ver o destino juntar as amigas de novo.

Kauan estava animado. Eles pediram um carro por aplicativo até certo ponto e depois pegaram o metrô. Ficaram esperando Helena na estação. Ela apenas marcou o local na plataforma e disse para eles esperarem, mas não comentou que Faby tinha mudado de planos.

Assim que se encontraram, André abriu um sorriso maroto para Camille, que retribuiu. Ela estava contente por encontrá-lo novamente. Seguiram juntos até o Centro da cidade. Já havia muitas pessoas pelas ruas acompanhando o bloco.

Kauan segurou a mão de Helena. Como estava muito cheio, ele ficou com receio de que se perdessem. Rafael caminhava ao lado de Giulia, e André fazia o mesmo com Camille. A música estava alta; as pessoas dançavam, pulavam e cantavam. Giulia e Helena começaram a entrar no ritmo da festa, e os meninos as acompanharam.

Com o movimento da multidão ficando cada vez mais intenso, Kauan, Helena, Giulia e Rafael acabaram sendo levados pelo fluxo, seguindo o trio elétrico. André e Camille ficaram mais atrás, andando devagar.

De repente, Camille começou a sentir falta de ar. Estava muito calor e havia muita gente ao redor. Ela fez um sinal para André, mostrando que precisava sair dali. Ele olhou para ela e percebeu que estava pálida. Rapidamente, tirou-a do meio do tumulto e a levou até uma tenda próxima, que funcionava como posto de primeiros socorros.

— Ela está passando mal. Provavelmente é o calor — explicou André para a equipe médica.

A enfermeira pediu para Camille se sentar e verificou sua pressão, que estava baixa. Ela deu um copo de água gelada e pediu que a jovem ficasse um tempo ali sentada. André segurava a mão dela com firmeza, e ela correspondia ao aperto.

As pessoas passavam gritando, cantando e vibrando com o bloco. Ele olhava ao redor, tentando encontrar os amigos ou as amigas de Camille, mas não via ninguém na multidão.

— Vou ligar para eles — disse André, tirando o celular do bolso.

Camille segurou a mão dele, impedindo-o.

— Não precisa. O bloco vai seguir por toda aquela rua e depois elas vão retornar. Quando acabar, se não nos encontrarem, elas vão ligar. Não adianta ligarmos agora, elas não vão atender no barulho.

André guardou o telefone no bolso da bermuda e voltou a encará-la. Ela estava linda, tendo prendido o cabelo em um rabo de cavalo.

— Melhorou? — perguntou o bombeiro que estava ajudando no posto.

— Sim — respondeu ela.

O profissional voltou a medir a pressão de Camille. Estava melhorando. Então, pediu que ela não ficasse muito exposta ao sol e, caso aquilo voltasse a acontecer, que procurasse um hospital.

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