Mundo de ficçãoIniciar sessãoCamille morava no interior do Rio e ficava muito distante do seu trabalho, Giulia passou a dividir o apartamento com ela.
O quarteto se conheceu no trote da faculdade. No primeiro dia, logo no primeiro período, elas se esbarraram e trocaram contatos. Mesmo fazendo cursos diferentes, às vezes se cruzavam no refeitório. Faby e Helena logo descobriram que moravam em Botafogo. Já Giulia morava no Leblon com seu ex-marido e, depois do divórcio, acabou ficando com o apartamento. Mais tarde, Faby e Helena conseguiram alugar um apartamento pequeno também no Leblon, em um condomínio um pouco distante do delas. A única que tinha uma ótima estabilidade financeira era Giulia; ela trabalhava em seu próprio consultório como pediatra. Helena havia se formado em Turismo e trabalhava em uma agência de viagens há algum tempo, mas estava pensando seriamente em mudar de área. Não se sentia bem ali, pois trabalhava muito e era pouco valorizada. Fabiana, por sua vez, havia desistido da faculdade de Direito e tentou História, mas também acabou desistindo. Atualmente, estava trabalhando na área administrativa de um escritório com a ajuda do pai, mas também buscava outra oportunidade. O escritório era do seu tio e pagava bem, mas os funcionários comentavam pelos corredores que ela tinha privilégios por ser da família. Não era verdade; ela trabalhava tanto quanto os outros, porém havia conseguido o emprego por indicação, e esses comentários a afetavam. Camille Castanha trabalhava como terapeuta ocupacional em uma escola. Era concursada e, agora, estava estudando para outro concurso para trabalhar com crianças em um hospital na Barra da Tijuca, mas isso ainda era um segredo. Ela estava juntando dinheiro para comprar seu próprio apartamento, um sonho que fazia parte dos seus planos para o futuro. Giulia chegou em casa com Camille às 17h e encontrou Gabi assistindo desenhos. A babá acabara de esquentar a janta para ela. — Ana, ela não pode passar muito tempo assistindo televisão, não é, senhorita Gabriela? — Mamãe! Sim, Giulia tinha uma filha de três anos e meio. Era mãe solo. O ex-marido dizia que a filha não era dele, mas o teste de DNA comprovou que era. Giulia entrou na Justiça, ganhou o processo e ele pagava pensão todo mês. Ele não fazia questão de visitar a menina. Desde que pagasse a pensão, Giulia também não fazia questão de que ele se aproximasse de Gabi, já que ele mesmo não queria. Ana deu a janta para Gabi, que relutava para comer. Depois de algumas colheradas, Camille conseguiu fazê-la comer um pouco mais, enquanto Giulia arrumava a cozinha e tomava banho. No banheiro, Giulia pensava em Helena. Helena a lembrava muito de si mesma seis anos atrás. O quanto ela vivência a cada fase da vida, aproveitava as oportunidades sem se preocupar com as consequências e aí se apaixonou por Carlos que fez questão de estragar a sua vida com ações e palavras dolorosas. Relembrando de sua fase com ele, Giulia se permitiu deixar as lágrimas escorrerem, ainda era doloroso lembrar que amou tanto alguém, mas não a valorizou o suficiente. Mas então ela conheceu Carlos, e sua vida acabou desandando. Ela sozinha lutava por um relacionamento, se tornou forte, por ele. A única coisa boa que tinha vindo daquela relação era Gabi. Secando as lágrimas respirou fundo, e voltou a jurar para si mesma, outra vez que não choraria mais por ele, nem voltaria a pensar no passado. Giulia sabia que precisava conversar com Helena. Queria pedir para que ela fosse com mais calma. A vida às vezes traz consequências dolorosas quando vivemos com intensidade.






