Clara acordou na manhã seguinte com uma mistura de alívio e exaustão.
O jantar tinha sido uma prova — daquelas que a vida não avisa que você vai enfrentar, mas joga no seu colo mesmo assim.
Ela encarou a família de Henrique, encarou olhares tortos, julgamentos, interrupções.
E, apesar de tudo, saiu de lá de cabeça erguida.
Henrique ainda dormia ao lado dela, o braço pesado sobre a cintura, como se até durante o sono tentasse protegê-la do mundo.
Ela o observou por alguns segundos, sentindo um carinho que apertava o peito.
Ele sempre parecia tão seguro, tão inabalável.
Mas Clara viu a sombra nos olhos dele quando a mãe o confrontou.
Viu o peso da responsabilidade, a luta interna entre o amor e a família.
E ele escolheu ela.
Sem hesitar.
Sem vacilar.
Clara deslizou a mão pelo braço dele e sussurrou:
— Obrigada.
Henrique abriu um olho só, sonolento.
— Pelo quê?
— Por ontem. Por tudo.
Ele a puxou mais para perto.
— Eu faria de novo. E de novo. Até minha família aprender que você é minha p