Mundo de ficçãoIniciar sessãoApollo Bianchi Galanis, renomado médico e herdeiro de uma influente linhagem grega, sempre guardou na memória o impacto que Ana Lívia teve em sua vida anos atrás. Eles viveram um romance breve durante uma viagem, mas a vida os separou, deixando feridas que nem mesmo eles entendiam totalmente. O acaso parece brincar com Apollo mais uma vez quando, em meio a uma emergência médica, ele descobre que Ana Lívia está mais próxima do que imaginava e tem uma filha. A semelhança notável entre ele e a garota levanta questionamentos e desencadeia um turbilhão de perguntas, sendo a mais importante: por que Ana Lívia teria escondido algo tão sério dele? Enquanto Apollo e Ana Lívia se reencontram, a tensão entre eles é evidente. O passado não resolvido misturado às novas descobertas cria um emaranhado complexo de sentimentos. Ana Lívia, por sua vez, carrega uma mágoa profunda por Apollo, e o grego nem imagina o porquê. Destinos Entrelaçados é uma comédia romântica sobre segredos e redenção, onde passado e presente se cruzam. Será que Apollo conseguirá desvendar a verdade? Será que o amor resistirá aos segredos que podem separá-los ou o futuro reserva outros planos para esse casal?
Ler maisDEDICATÓRIA
Dedico este livro a você que já caiu nas garras de um homem com humor questionável, que foi rindo das piadas e, quando percebeu, já estava sem roupa na cama dele.
Ana Lívia Godoy Bueno
Sabe qual é a pior coisa que o amor pode fazer? Fazer você parar de acreditar nele.
Amei uma única pessoa em toda a minha vida. Foi um sentimento avassalador, capaz de mudar tudo em que eu acreditava. E assim ele fez. Eu me apaixonei perdidamente por Apollo Galanis, ele pegou meu coração e quebrou em pedacinhos tão pequenos que até hoje estou tentando juntar. A única coisa que me salvou dos destroços foi o pedacinho mais precioso que ele me deixou, sem nem sequer imaginar.
Assim que estaciono a minha moto na garagem de casa, vejo a van da escola chegar. Desligo o motor e caminho até o portão com o capacete em um dos braços e um sorriso no rosto. Observo minha pequena saltar do veículo, ela corre até mim e pula nos meus braços. Puxo uma lufada de ar, sentindo o cheiro doce de seus cabelos, e ela me abraça apertado. Fui criada pela minha mãe, a senhora Sueli Godoy Bueno, a mulher mais forte que conheço. Meu pai morreu quando eu tinha 10 anos, ela ficou com uma corporação para gerenciar e uma filha pequena para criar. Lembro como se fosse hoje de ver minha mãe desmoronar ao saber da morte do meu pai e, vinte minutos depois, limpar as lágrimas do rosto, me abraçar e dizer: “Vamos conseguir”. Minha mãe teve a felicidade de viver um grande amor com o meu pai, mas ele infelizmente teve que nos deixar cedo demais. Ele sofreu um acidente voltando para casa, um motorista bêbado furou o sinal. Se minha mãe não tivesse sido forte naquele momento, teria sido o nosso fim. Ela perdeu o amor da vida dela e ainda assim tirou forças para lutar e me criar. Eu me perguntava se um dia conseguiria viver um amor tão lindo quanto o dos meus pais. Tive a resposta seis anos atrás e confesso que não foi a que eu esperava.
— Estava morrendo de saudades, Sosô — aperto seu corpinho por alguns segundos, e logo ela me solta.
— Saudades também, mamis. — Ela sorri e segura minha mão enquanto caminhamos para dentro de casa.
Entro com Sophia em meu encalço, ouvindo-a contar cada detalhe do que aconteceu no seu dia. Sophia tem quase cinco anos. Fiquei grávida quando estava no segundo ano de faculdade e, confesso, foi a fase mais sombria da minha vida. Eu estudava em outra cidade e acabei fugindo para morar um tempo com a minha tia, no interior de Minas Gerais. Eu não tinha coragem de olhar nos olhos da minha mãe sem me sentir culpada. Ela trabalhou a vida toda para que eu pudesse estudar, e eu fui lá e engravidei.
Apesar do desespero, nunca me arrependi de ter tido a Sophia. Nunca sequer passou pela minha cabeça tirá-la. Mas a barra foi pesada.
Na época, eu morava no Rio de Janeiro, onde conheci o pai dela. Passamos momentos incríveis juntos e, então, o meu mundo desmoronou. Descobri a gravidez e, quando finalmente tomei coragem para contar a ele, tudo deu errado. Eu tento não odiá-lo, mas é impossível. Não depois de tudo o que ele me falou. Não depois de ter me deixado desamparada no momento em que eu mais precisei.
Quando fugi, minha mãe acabou descobrindo e ficou extremamente magoada. Não pela gravidez, mas por eu ter escondido isso dela como se ela fosse a vilã da história, fazendo até a minha tia mentir. Hoje, sendo mãe, eu a entendo perfeitamente.
Após o nascimento da Sophia, voltei para São Paulo, fui morar com a minha mãe e retomei a faculdade. Não quis voltar para o Rio de Janeiro porque a cidade havia perdido o sentido para mim. E ali, mais uma vez, vi minha mãe renunciar à própria vida para cuidar de mim e da neta.
Sophia é a minha luz. Consegui me formar, estou desenvolvendo minha carreira e vou ser o orgulho da vida dela e da minha mãe. Inclusive, consegui finalmente comprar nosso apartamento e, em poucas semanas, vamos nos mudar. Mamãe já fez demais por nós e precisa voltar a viver para si mesma.
— Mamãe, quando a senhora vai arrumar um namorado? — Estou fazendo nossa janta quando escuto minha filha, de apenas QUATRO ANOS, soltar essa bomba.
— O quê? — Arqueio uma sobrancelha. Ela está parada na porta da cozinha com a mãozinha na cintura, parecendo uma xícara de chá.
— É que a tia Clara disse que a senhora nunca vai ter um namorado porque é teimosa. Mas eu não te acho chata, e até eu tenho... — Ela para de falar subitamente e tapa a boca com as duas mãos, arregalando os olhos.
— VOCÊ O QUÊ? — pergunto chocada. — Isso é coisa da sua tia Clara, eu vou matar ela.
— Mamãe, não pode matar as pessoas, é errado — ela diz, balançando a cabeça em negação. Pronto, estou sendo repreendida pela minha própria filha.
— Nem adianta tentar mudar de assunto. Como assim você tem namorado? E por que eu não sabia disso? — Começo a ir na direção dela, que dá um gritinho e foge rindo. — Sua pestinha...
Ela se j**a no sofá e eu a alcanço, fazendo cócegas sem piedade na sua barriga.
— Chega, mamãe, chega... — ela implora, sem fôlego em meio aos risos.
Paro abruptamente e a encaro com os olhos semicerrados.
— Eu paro só se me contar tudo sobre isso — falo cantarolando, e ela dá uma risadinha gostosa.
— Ele é da minha sala, a gente lancha junto e ele já me deu um abraço — ela fala com uma vozinha tão fofa que me dá vontade de esmagá-la.
— E como ele se chama? — Sento-me e a puxo para o meu colo.
— Lucas. Agora, mamãe, para de tentar mudar de assunto. — Ela me encara com aqueles olhos castanhos espertos, tão dolorosamente parecidos com os dele... — Por que não tem namorado? Está esperando o papai voltar? — Ela segura minha mão pequenininha na minha.
Pronto. Aqui é a hora que eu caio dura no chão e faleço. Sophia é uma garota muito inteligente, e eu sempre me esquivei de absolutamente qualquer pergunta sobre o pai dela.
— A mamãe não está esperando seu papai, filha. — Minha voz sai mais abalada do que eu gostaria, e ela leva a mãozinha até o meu rosto.
— Onde ele foi, mamãe? — Ela faz a pergunta de um milhão de dólares, e sinto meu coração trincar um pouquinho mais. — Sabe, eu sei que sou pequena, mas eu sei que tenho papai em algum lugar. Todo mundo tem...
O semblante triste dela me quebra. Tenho vontade de chorar. Passo a mão pelo seu rosto e acaricio seus cabelos. Ela só tem quatro anos, não precisa saber de toda aquela merda. Não agora. Talvez nunca.
— Eu amei muito o seu pai, mas ele teve que ir embora... por causa do trabalho. — Seus olhos me encaram com expectativa pura.
— Sério? Ele trabalha com o quê? — Vamos, Ana Lívia, sua filha tem quatro anos, o cérebro dela é uma máquina de produzir perguntas.
— Ele trabalha... nas estrelas... — Vejo-a arregalar os olhos.
— O papai morreu igual o vovô? — O queixinho dela treme e os olhos enchem de lágrimas na mesma hora.
— Não, não, não é isso! — apresso-me, desesperada. Pronto, vou traumatizar a criança. — Ele literalmente trabalha nas estrelas.
Ela me encara com o cenho confuso, e fecho os olhos por um segundo. Ótima mentirosa você é, Ana Lívia. Puta que pariu.
— Então ele é tipo um astronauta? — ela deduz, empolgada, e um suspiro de alívio escorrega dos meus lábios.
— Isso... astronauta. — Dou um sorriso torto para a garotinha, que me abraça forte.
Desculpa, filha. Espero de verdade que, quando você tiver idade suficiente, me perdoe pela mentirinha. Até consigo ouvir a vozinha dela na minha cabeça: "Mentir é feio, mamãe".
— Mamãe, então se não está esperando o papai, pode arrumar um namorado. Eu deixo — ela decreta, salta do meu colo e vai saltitando para o quarto.
E eu? Bem, fico ali sentada por algum tempo, pensando em como explicar para a minha filha que eu não pretendo ter um namorado. Explicar que, na única vez em que meu coração teimoso escolheu amar alguém, ele foi estraçalhado.
Respiro fundo e me levanto para terminar de fazer nossa janta. Meu corpo está aqui na cozinha, mas minha cabeça não para de me puxar para o exato momento em que eu o conheci.
Memória – Anos atrás, em algum lugar do Rio de Janeiro
Eu estou atrasada. Muito atrasada para a minha prova, e estar presa no meio do trânsito dentro de um táxi não é de grande ajuda. Por ter estudado até a exaustão na noite anterior, acabei perdendo a hora de acordar. Pensei que indo de táxi seria mais rápido. Ledo engano.
A moto que uso para ir à faculdade está no conserto, e ir de ônibus estava fora de cogitação. Mas, aparentemente, mesmo pagando o olho da cara na corrida, vou acabar perdendo a prova do mesmo jeito. Droga.
Vejo um homem de moto parar no corredor, bem ao lado do carro onde estou presa há quase trinta minutos. Ele está vestindo um terno alinhado e a moto é uma MT-09 preta. Só o ronco grave do motor já me deixa cheia de expectativa.
Estou desesperada e, de acordo com a minha mãe, sou doida de pedra. Abro o vidro do táxi e chamo o motociclista, que vira o rosto e me olha, curioso.
— Moço, você tem um capacete aí? Te dou cem reais para me deixar na faculdade o mais rápido que conseguir. Não fica tão longe daqui e eu estou super atrasada! — falo, tentando não parecer uma maníaca desesperada, mas falhando miseravelmente.
Ele levanta a viseira escura do capacete, e tenho o primeiro vislumbre dos seus olhos. Sinto como se a minha alma estivesse sendo consumida no mesmo instante.
— Te dou carona se me der seu número de telefone... — ele propõe, com um sotaque carregado e rouco. Não consigo ver seus lábios, mas tenho certeza absoluta de que ele está sorrindo.
O que pode dar errado? Subir na garupa de um total desconhecido no meio do trânsito e ainda passar meu número de celular para ele... hummm... coisas que eu faria sem sombra de dúvida. Que o meu anjo da guarda me proteja e faça hora extra hoje.
Entrego uma nota de cem para o motorista do táxi, que me encara incrédulo, e desço do carro no meio da avenida.
— Meu nome é Apollo... — o sotaque puxado preenche meus ouvidos enquanto ele me entrega um capacete extra.
— O meu é... — Pondero por um segundo antes de responder —, Vitória.
Assim que subo na moto, ele arranca de solavanco e eu preciso me agarrar firme na sua cintura. Que Papai do Céu me perdoe, mas consigo sentir os gominhos definidos do abdômen dele através do tecido do terno.
Vou gritando as direções até a faculdade e, quando ele finalmente estaciona, me entrega o próprio celular desbloqueado para que eu digite meu número. Acabo dando um sorriso involuntário, balanço a cabeça e devolvo o aparelho, escorregando a nota de cem reais para dentro da jaqueta dele junto com o capacete.
— Acredita em destino, Apollo? — Ele semicerra os olhos escuros, me avaliando com atenção. — Bom, eu acredito. E se você estiver no meu destino, vamos nos encontrar de novo. Obrigada pela carona!
Viro as costas e começo a correr feito louca para tentar não perder a minha prova.
Atualmente
Sou arrancada violentamente das minhas próprias lembranças quando o forno apita, avisando que o tempo da comida acabou.
— Sosô, o jantar está pronto! — grito, mas ela não responde. O silêncio da casa parece pesado. — Sosô? — Começo a andar depressa até o quarto dela.
Quando abro a porta, a vejo caída no chão. Seu rosto está vermelho como um pimentão, e ela agarra o próprio pescoço com desespero, conseguindo apenas balbuciar um som abafado:
— Ar... mamãe.
Sophia está tendo uma crise alérgica severa, e tudo acontece rápido demais. Hoje é o dia em que nossa vida muda para sempre.
E agora, meses depois, sabendo de tudo o que sei... bom, eu definitivamente a teria levado para qualquer outro hospital.
Dizem que o primeiro passo para superar um vício é admitir que você tem um problema. O segundo passo, teoricamente, é tentar substituir esse vício por um hábito mais saudável.Eu estou prestes a colocar o segundo passo em prática, embora a minha consciência esteja gritando que isso é uma péssima, terrível e desastrosa ideia.Termino de passar o rímel de frente para o espelho do banheiro. Estou usando um vestido verde-esmeralda que abraça minhas curvas sem ser vulgar, uma maquiagem leve e um salto alto elegante. Nada de jaqueta de couro. Nada de botas de motoqueira. Hoje, eu sou a versão polida e perfeitamente controlada de Ana Lívia. A versão que aceitou sair com o Alex do marketing para um "passeio de amigos" que, nós dois sabemos, tem todas as intenções de ser um encontro.A campainha toca, ecoando pelo apartamento, e meu es
Apollo GalanisEu sou um homem da ciência. Na medicina, aprendemos que todo sintoma tem uma causa, toda doença tem uma origem e todo problema tem uma solução, desde que você investigue a fundo o suficiente. E eu não sou o tipo de cara que deixa pontas soltas. Muito menos quando essas pontas soltas me roubaram os primeiros quatro anos de vida da minha filha.Desde o momento em que vi a tela do celular da Ana Lívia com aquela maldita mensagem, uma engrenagem fria e calculista começou a girar na minha cabeça.Já coloquei um dos melhores investigadores particulares de Atenas no caso. Alguém discreto, que já prestou serviços para a minha família antes e sabe como não deixar rastros. O foco dele? Rastrear o celular que eu usei durante a minha passagem pelo Brasil há seis anos.O grande problema é que eu não faço a menor ideia do paradeiro daquele aparelho. Era um celular secundário. Quando o meu visto de estadia no Rio de Janeiro acabou e eu precisei voltar às pressas para a Grécia, deixei
Se a terra pudesse se abrir e me engolir neste exato momento, eu seria a pessoa mais grata do universo.Meu rosto está queimando tanto que tenho quase certeza de que poderia fritar um ovo nas minhas bochechas. Sophia me olha com aquela carinha amassada de sono e a inocência típica de uma criança que acabou de jogar uma bomba atômica no meio da sala, enquanto Apollo... bem, Apollo está fazendo um esforço imenso para não rir. Os ombros largos dele tremem levemente e o sorriso cafajeste que ele exibe deveria ser considerado uma arma letal.— Sophia! — exclamo, a voz saindo uma oitava mais aguda do que o normal. — De onde você tirou isso?— Ué, mamãe, foi o que ele disse — ela dá de ombros, sentando-se no tapete felpudo e esfregando os olhinhos, completamente alheia ao meu colapso interno.Olho para o grego deitado no chão da minha sala, que agora tem a decência de se sentar e pigarrear, tentando assumir uma postura mais séria. Mas o brilho divertido naqueles olhos escuros me diz que ele
Apollo GalanisSe alguém me dissesse, seis anos atrás, que o meu maior desafio não seria uma cirurgia complexa ou um plantão de quarenta e oito horas, mas sim o olhar julgador de uma criança de quatro anos com um metro de altura, eu teria rido na cara da pessoa.Mas a vida tem um senso de humor peculiar.Tudo começou com uma ligação desesperada de Ana Lívia, trinta minutos atrás. A empresa da mãe dela estava enfrentando uma crise de relações públicas, Sueli estava em uma reunião fora da cidade, e a babá de confiança teve uma emergência familiar. Para piorar, a van da escola não poderia ficar com Sophia no contraturno hoje.O resultado? Uma Ana Lívia à beira de um colapso nervoso no telefone, sem saber com quem deixar a filha. E eu, obviamente, me ofereci como voluntário imediato para a missão.Agora, estou parado no meio da sala do apartamento dela. Ana caminha de um lado para o outro, segurando uma bolsa em uma mão e um tablet na outra, os saltos batendo no piso de madeira em um ritm










Último capítulo