Mundo de ficçãoIniciar sessãoEu sou Enzo Romano. Durante anos, aprendi que amar é perder e confiar é uma fraqueza que cobra um preço alto demais. Cresci entre vinhedos na Toscana, herdeiro de um nome poderoso, até descobrir que minha família era construída sobre traições, silêncio e sangue emocional. Quando tudo desmoronou, deixei a Itália levando apenas a herança da minha mãe: disciplina, fogo e um caderno de receitas. Nova York me moldou em algo novo — frio, calculista e impecável. Na cozinha, encontrei controle. Nos negócios, poder. No prazer, esquecimento. Tornei‑me um chef admirado, um império em expansão e um homem decidido a nunca mais sentir. Até Luccas Ashford atravessar o meu caminho. Luccas não era apenas um desafio. Ele era tudo o que eu evitei por anos: verdade, vulnerabilidade e espelho. Ao me confrontar com desejos que eu me recusei a nomear, ele expôs as rachaduras da minha blindagem e me forçou a encarar quem eu realmente sou por trás do sucesso, da fama e do medo. Entre cozinhas de aço, jogos de poder, lealdades ameaçadas e fantasmas do passado que retornam da Sicília, Diário de um Chef Safado é a história de um homem que construiu um império para não amar — e descobre, tarde demais, que o maior risco não é perder tudo, mas continuar vivendo sem sentir. Este não é apenas um romance sobre desejo. É um diário sobre controle, culpa, identidade e a coragem brutal de admitir que algumas receitas exigem entrega total. E eu nunca aprendi a cozinhar sem me queimar.
Ler mais"O amor não é um banquete; é um matadouro. Eu aprendi essa lição da maneira mais sangrenta possível, nos braços da mulher que eu jurava proteger. Sofia não apenas esfaqueou meu coração; ela o serviu em uma bandeja de prata para aqueles que destruíram minha mãe. Hoje, o homem que restou não ama. Ele apenas domina."
— Enzo Romano
Dizem que o primeiro amor é aquele que define quem você será.
Se isso for verdade, eu fui condenado antes mesmo de começar a viver.
Eu estava parado diante da porta de Sofia, o ar gelado da noite toscana cortando meus pulmões, mas nada era mais frio do que o pressentimento que subia pela minha espinha.
Minha mãe, Laura, fora enterrada há apenas três meses.
O luto ainda era um gosto metálico de bile no fundo da minha garganta.
Eu precisava de Sofia. Precisava do calor do corpo dela, da promessa de pureza que eu acreditava encontrar em seus olhos.
Mas, ao entrar naquele escritório, o que encontrei foi o verdadeiro rosto do inferno.
Ouvi meu pai assumindo a relação que mantinha com a Francesca.
Ela era a melhor amiga da minha mamma... e mãe da minha namorada.
A mulher que eu amava que, segundo minha irmã, também cúmplice dessa sujeira, sabia de tudo.
Agora eu estou diante da porta da casa de Sofia, com o coração em chamas. Pronto para confrontá-la.
— Você sabia, não sabia? — falo assim que ela abriu a porta.
Minha voz saiu como um rosnado animal, abafada pelo ódio que começava a vazar pelos meus poros.
Sofia deu um passo atrás, a máscara de namorada perfeita escorregando para revelar uma estranha que eu não reconhecia.
— Enzo... não é tão simples. As famílias precisavam dessa união... — ela começou, mas o som da sua voz me deu náuseas.
— Simples? Minha mãe morreu de tristeza, Sofia! — gritei, e o som quebrou o silêncio daquela casa maldita.
— Ela definhou enquanto meu pai, a traía com a sua mãe, a Francesca! E você... você estava apoiando eles esse tempo todo.
Avancei, segurando-a pelos ombros, querendo sacudir a verdade de dentro dela.
— Você me beijava. Você dormia comigo na debaixo do mesmo teto que minha mãe.
“Enquanto eles se escondiam nos quartos ao lado. Você viu minha mãe sofrer e não disse nada!”
Sofia finalmente me olhou, e não havia arrependimento.
Havia apenas uma frieza calculista que me matou por dentro.
— Eu fiz isso por nós, Enzo! Para que as empresas se fundissem! — ela disparou, as palavras como pregos em um caixão.
— Mesmo que sua mãe não tivesse morrido, eles assumiriam. Seríamos uma grande família feliz.
— Você é um romântico tolo. Um emocionado. Sua mãe se foi, Enzo. Seu pai precisa seguir em frente.
Naquele momento, eu ouvi o som exato do meu coração se partindo — não de tristeza, mas de uma metamorfose cruel.
O calor do amor que eu sentia por ela evaporou.
Deixando apenas cinzas e um deserto de gelo onde antes existia paixão.
— Uma família feliz? — rir foi a coisa mais dolorosa que já fiz.
— Vocês são uns monstros. E você é a pior de todas.
— Deixa de ser infantil. Nós vamos nos casar e seremos felizes. Nossos pais lá estão felizes.
— Acabou, Sofia! Não posso continuar com você depois de saber quem você é.
Larguei-a como se sua pele estivesse infectada e saí dali, dirigindo de volta para a Tenuta Romano sob um céu que parecia sangrar.
As semanas que antecederam o fim foram como assistir a um filme em câmera lenta, onde eu era o único espectador cego.
Eu observava minha mãe tornar-se um fantasma em sua própria casa, dia após dia.
Definhando sob o peso de segredos que eu me recusava a ver.
O brilho nos seus olhos verdes, antes vibrante como as oliveiras, deu lugar a uma névoa de dor profunda e absoluta.
— Mamma, coma um pouco — eu pedia, trazendo uma sopa que eu mesmo preparara com as ervas do quintal.
Ela me olhava com uma piedade que eu não entendia na época.
Ela não tinha pena de si mesma; tinha pena de mim.
— O mundo é um lugar cruel para quem tem o coração aberto, Enzo — ela sussurrou certa noite, sua mão gelada no meu rosto.
— Feche o seu. Antes que eles entrem e roubem o que resta de você — foi o seu último alerta, um testamento de dor.
Três dias depois, o silêncio da casa foi quebrado pelo barulho ensurdecedor de vidro quebrando.
O som do fim de tudo.
Encontrei-a caída sobre o tapete persa.
Seus olhos estavam abertos, mas a luz de Laura Bellini havia se apagado para sempre.
O funeral foi um desfile de hipocrisia que quase me fez vomitar sobre o caixão de mogno.
Máximo Romano chorava lágrimas de crocodilo, fingindo uma dor que nunca sentiu por um segundo sequer.
Francesca estava lá, de véu negro e postura de viúva oficial, amparando meu pai diante de toda a Toscana.
E Sofia... Sofia estava ao meu lado, fingindo soluçar, segurando minha mão com os mesmos dedos que escondiam a traição.
O confronto final aconteceu na biblioteca, onde a poeira do luto ainda sufocava qualquer tentativa de respiração.
— Não podemos mais esperar, Máximo — ouvi a voz de Francesca vinda do escritório ao lado.
— Laura se foi. Não há mais motivo para segredos.
— Enzo já é adulto, ele vai entender o peso dos nossos negócios — continuou a mulher que destruiu minha mãe.
Entrei no escritório como um furacão.
O estrondo da porta ecoando como o trovão antes da tempestade.
— Entender? — minha voz era um sussurro letal.
— Há quanto tempo vocês riram da cara dela?
Eu estava furioso.
A cena era uma pintura da traição: meu pai na poltrona.
Francesca ao seu lado e minha irmã, Milla, bebendo vinho com descaso.
— Estamos juntos a cinco anos, Enzo — Francesca responde, fria e seca.
— Dois anos, Enzo — Milla disse, o olhar gélido.
— Eu ajudei a manter as aparências — Milla disse, o olhar gélido. Era o melhor para o nome Romano.
Senti o gosto metálico da bile.
Minha própria irmã era cúmplice da destruição da nossa mãe.
O sangue Romano era podre.
— Como você teve coragem, Milla — gritei. Estava insano. Quase fora de mim.
— Abaixe o tom — Máximo se levantou, a máscara de pai caindo para revelar o monstro implacável.
— Eu sou o dono de tudo aqui. Tenha mais respeito, moleque.
— Você não é dono da minha vida — declarei, sentindo o arame farpado envolver meu coração de uma vez por todas.
— Estou indo embora. E não quero o seu nome, nem o seu status manchado de sangue e mentiras.
— Você não tem nada sem mim! — ele riu, desdenhoso.
— Vai morrer de fome em algum restaurante barato?
— Eu tenho a herança dos Bellini.
Revelei, deixando-o perplexo com a informação.
— Mamãe sabia o que vocês faziam. Ela garantiu que sua traição tivesse um preço alto.
O rosto dele empalideceu ao perceber que o controle financeiro que ele tanto amava estava agora em minhas mãos.
— Sua mãe não poderia ter feito isso. Ainda estamos resolvendo sobra a herança dela.
Meu pai argumenta. Sua voz insegura pelo medo de não ter cesso a fortuna que meus avós haviam deixado pra minha mãe, e que ele usufruía para investimentos na vinícola.
— Podem ficar com a parte dela da vinícola Romano. Eu não quero nada vindo de você.
Olhei para Francesca e para a carcaça do que sobrou da minha família.
Eles eram cadáveres ambulantes.
— Espero que o vinho desta casa tenha sempre gosto de cinzas para vocês — desejei, com uma calma que os assustou.
Peguei o caderno de receitas de Laura e uma foto dela jovem.
Foi tudo o que levei daquela vida de mentiras.
Nova York era o destino.
Um lugar grande o suficiente para esconder um homem que decidiu nunca mais sentir.
O Enzo que acreditava em amor e lealdade ficou enterrado naquela terra seca da Toscana.
O homem que aterrissou no JFK era outro: frio, letal, quebrado e perigosamente focado no poder.
Eu seria o melhor. O mais desejado.
O mestre da minha própria cozinha e do meu próprio destino.
Mas ninguém jamais chegaria perto o suficiente para ver as marcas que Sofia e meu pai deixaram na minha alma.
A cozinha seria meu único altar. O prazer, meu único deus.
E a confiança? Essa eu deixei para os tolos.
Ao olhar pela janela do avião, fiz uma promessa: eu nunca mais seria a vítima de um banquete.
Eu seria o dono da mesa.
E quem tentasse me trair, aprenderia o verdadeiro significado de queimar no inferno.
Enzo Romano Eu aprendi tarde demais que a pior prisão não tem grades. Ela se constrói em silêncio, dentro da gente, com cada olhar atravessado, cada palavra atravessando a alma como se fosse uma lâmina fina demais para sangrar no mesmo instante. Meu nome é Enzo Romano, e por muito tempo eu fui apenas aquilo que os outros esperavam que eu fosse — um reflexo polido, aceitável, correto. Nunca eu. Cresci em um mundo que dizia que amar devia seguir regras, que sentir precisava caber em moldes, que existir só era permitido dentro de limites invisíveis, porém rigidamente impostos. E eu tentei. Deus, como eu tentei. Vesti máscaras que não me pertenciam, engoli vontades, calei verdades que gritavam em mim como um incêndio prestes a consumir tudo. Talvez você entenda — talvez você também esteja cansado de sustentar um personagem que não é seu. O problema das máscaras é que, com o tempo, elas grudam na pele. A gente começa a esquecer como é respirar sem elas, como é sentir o vento no ros
Enzo Romano O casamento do Chris e o nascimento do Lian se tornaram um marco histórico em nosso grupo de amigos. E eu me vi no meio daquele caos de felicidade me sentindo um dos homens mais realizados do mundo. Ver os meus amigos felizes e o homem que amo com um sorriso tão lindo quanto ele no rosto não tem preço. Mas uma coisa me chamou a atenção em meio a toda aquela correria: Jazz e Alex estavam muito emotivos e próximos. Será que havia algo ali que nunca percebemos? Nosso grupo sempre foi inseparável e ela sempre foi nossa protegida. O Alex por um tempo era grudado nela, mas pensando agora, eles se afastaram bastante nos últimos meses. — O que tanto passa nessa cabeça? — Luccas se aproxima da espreguiçadeira no nosso terraço no loft com duas xícaras de chocolate quente. — Apenas observando como o mundo gira rápido, Luccas — respondo, puxando-o para sentar entre minhas pernas, sentindo o calor do seu corpo contra o meu. — Você notou o Alex e a Jazz no hospital? — pergunto, enq
"Eu pensava que a Sicília era o destino final da minha jornada de aceitação, mas descobri que o meu verdadeiro 'para sempre' começa onde quer que o Enzo esteja segurando a minha mão." Luccas Ashford O céu de Nova York parecia mais azul pela janela do avião, mas nada se comparava à clareza que eu sentia dentro de mim. Pousamos no JFK trazendo na bagagem muito mais do que ternos italianos e vinhos da Sicília; eu trazia uma alma leve e a certeza de que a sombra da insegurança havia finalmente desaparecido. Assim que entramos no loft, o silêncio durou apenas o tempo de fecharmos a porta, pois a adrenalina da viagem e a vitória sobre o passado de Enzo explodiram em uma necessidade urgente de contato. — Você tem noção do que acabamos de fazer naquelas terras, Luccas? — Enzo perguntou, a voz rouca enquanto me prensava contra a madeira fria da porta. — Eu sei que você recuperou a dignidade de um Romano, Chef — respondi, puxando-o pelo colarinho, sentindo o calor do seu corpo grande con
"O passado é um fantasma que assombra, mas o futuro é um território que eu acabei de conquistar com o peso do meu ouro e a força do meu desprezo." Enzo Romano Estar em solo italiano me levou a um intenso sentimento de nostalgia. O cheiro da minha terra, das minhas raízes; o lugar onde nasci e ao qual pertenço, independentemente de onde eu esteja. O ar da Sicília tem um perfume único, uma mistura de maresia, limão siciliano e a poeira das oliveiras centenárias que parecem guardar segredos de gerações. Luccas apertou minha mão assim que saímos do aeroporto, sentindo a tensão que emanava de cada poro do meu corpo enquanto o sol do Mediterrâneo nos recebia. — Você está bem? — ele perguntou, a voz suave sendo o único bálsamo capaz de acalmar o monstro que rugia dentro de mim. — Estou voltando para o lugar de onde nunca pensei em sair, Luccas. Mas desta vez, eu não volto como um convidado, eu sou o dono — respondi, com uma frieza que me surpreendeu. Antes de enfrentar os vivos, eu pr










Último capítulo