Carol
A carta ainda estava sobre a mesa.
Fechada. Intacta.
Duas semanas haviam passado desde aquele almoço maldito.
Desde que a verdade caiu como vidro estilhaçado no meio do peito.
E mesmo assim, eu ainda estava aqui, vivendo como se tudo estivesse sob controle.
Trabalhando. Respondendo e-mails.
Sorrindo quando preciso e dizendo “sim, doutor” com a entonação exata.
Mas hoje…
Hoje algo pesava mais do que de costume.
O apartamento estava escuro.
Só a luz da varanda acesa, uma meia taç