PRESA A ELE: A SERVA DO ALFA

PRESA A ELE: A SERVA DO ALFAPT

Lobisomem
Última actualización: 2025-11-29
aDandara  Recién actualizado
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Resumen
Índice

Forte, disciplinada e determinada a construir um futuro digno, Caeli jamais imaginou que tudo ruiria em um único dia. Quando renegados invadem a sua matilha e tiram dela a única família que lhe resta, sua mãe, ela não consegue enxergar mais um futuro para si. Mas o pesadelo só havia começado e Caeli nem imaginava as coisas que teria que passar nas mãos dos assassinos de sua mãe. Lançada a um destino que a rotula como uma mercadoria, Caeli se vê nas mãos de mercadores de escravos. Agora reduzida a um “produto”, Caeli descobre que sua liberdade vale ouro. E seria de quem paga mais. Após a podridão do mercado de escravos finalmente alcançar a realeza, Kade decide que caçará aqueles que tornou a sua vida, e a de milhares, miserável. Cercado por pessoas falsas e gananciosas, ele passa a investigar o comércio clandestino por conta própria. Não confiava em ninguém para fazer o trabalho. Ele sabe que cada passo dado nesse submundo tem um preço, e que talvez nunca consiga voltar a ser quem foi. Quando seus mundos colidem, eles não esperam o que o destino está preparando para ambos. Forçados a dividir mais do que espaço, Caeli e Kade precisam lidar com desconfiança, temperamentos fortes e um sentimento crescente que insiste em se formar apesar das circunstâncias. Kade, decidido a provar que não é como os monstros que ela conheceu. Caeli, marcada demais para acreditar em qualquer promessa de bondade. Dois mundos diferentes, presos por um laço que nenhum deles pode quebrar.

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Capítulo 1

Prólogo

“Mãe, mãe, fica comigo, abre os olhos, por favor.” Imploro enquanto seguro o rosto desacordado e ensanguentado dela em minhas pernas. O sangue está por todos os lados, não há respiração, seu cheiro está quase desaparecendo. O desespero toma conta de mim enquanto percebo que vou perdê-la. “Por favor…”

Lux uiva em minha mente, sentindo a perda tanto quanto eu, intensificando ainda mais o luto. 

Está tudo um caos. A matilha está em chamas, gritos e mais gritos são tudo o que pode ser ouvido por quilômetros. A fumaça arde meus olhos, mas nada disso parece real. Como se todos os sentidos tivessem sido arrancados de mim quando eu a vi cair. Lutamos com bravura para defender nosso lar e eu pensei, pensei mesmo, que tínhamos conseguido.

Mas quando seus olhos perderam o brilho e o meu nome saiu de sua boca como um sussurro pela última vez, meu coração se partiu. Minha visão se fixa apenas nela. No jeito como seus cabelos grudaram no rosto por causa do sangue. No modo como seus lábios estão levemente azulados. Eu deveria estar em pânico. Deveria estar correndo, procurando ajuda, fugindo, algo… qualquer coisa. Mas nada em mim reage.

É como se nada disso fosse real.

“Não me deixa…” sussurro, num tom tão baixo que nem sei se ouvi a mim mesma.

Minha mão treme quando acaricio sua bochecha fria. Ela sempre parecia tão forte, tão impossível de derrubar. Mas agora está pequena nos meus braços. Pequena demais para alguém que sustentou meu mundo inteiro.

Um estrondo ecoa do outro lado da clareira, o suficiente para sacudir a terra sob meus joelhos. Eu deveria levantar. Eu deveria me mover, ajudar os outros. Mas é como se estivesse presa a ela, como se abandonar esse corpo fosse cometer uma traição. Minha garganta aperta quando percebo que já não sinto o cheiro dela. 

É um novo começo, minha menininha. Ela disse para mim quando chegamos aqui, fugindo do homem violento e sanguinário que um dia ela chamou de companheiro. E foi um novo começo. Deixamos para trás todas as lembranças ruins, toda a violência que tínhamos sofrido. Ela estava até conhecendo um novo lobo, John.

John. Será que ele está vivo?

Um suspiro pesado e sofrido sai da minha garganta, enquanto eu acaricio o seu rosto doce e gentil. Isso não é justo. Por que é que nós temos que sofrer tanto? O que fizemos de tão grave para merecer todo esse sofrimento? O que é que minha mãe fez de tão errado para merecer um destino como esse?

Não é justo.

Por um longo tempo, só permaneço ali, com o vento quente da destruição passando por mim sem conseguir me alcançar. Só há um vazio crescente, sufocante, que tenta se enraizar no meu peito.

“Caeli…” Lux me alerta.

O cheiro podre invade o ar antes mesmo de eu ouvir o passo pesado atrás de mim. Um rosnado vibra e, instintivamente, minhas costas se erguem. O mundo volta a ganhar foco, não porque eu queira viver, mas porque não vou deixá-los tocar nela.

“Achamos outra,” uma voz masculina ecoa, rouca, carregada de malícia. “Essa aí parece inteira.”

Eu me levanto devagar, o corpo trêmulo, mas firme. Ainda sinto o sangue dela escorrendo pelos meus dedos quando fecho as mãos em punhos.

“Vai embora,” digo, minha voz baixa, quebrada, mas carregada de ameaça.

Ele ri. Como se minhas palavras fossem uma piada das boas. Mas eu não acompanho a sua risada. Sinto cada fibra de mim vibrando com a raiva enquanto olho para ele. Lux me acompanha, rosnando firme enquanto tenho nosso alvo bem à nossa frente. 

Ele parece entender que não estava lidando com um membro qualquer da matilha quando olha em volta e vê seus amigos mortos no chão. Seu sorriso se fecha na hora. 

Quando ele avança, eu me lanço também. A dor, o luto, o vazio, tudo vira uma única lâmina afiada no meu peito. Eu arranho, mordo, desvio, acerto. Minha visão se estreita, meu corpo responde sozinho, anos de treinamento guiando meus movimentos. O gosto de sangue invade minha boca quando consigo rasgar a orelha deles com os dentes.

“Porra, sua desgraçada!” Sorrio sádica, o sangue escorrendo pelo meu queixo deliciosamente. Mas não era o suficiente. Eu queria todos eles, queria matá-los, queria torturá-los, queria fazê-los sofrer da mesma maneira, da mesma intensidade, que eles me fizeram. 

Outro invasor surge pela lateral, depois mais um. Eles me cercam. Eu sabia que essa era uma luta perdida. Eu estava cansada demais para derrubar todos eles. Depois de toda a luta que eu e minha mãe tivemos, essa era uma batalha da qual eu não poderia vencer.

Mas eu não iria morrer facilmente. Eu cairia, mas levaria alguns comigo.

Estendo as garras de Lux e ataco o recém-chegado, mirando a garganta. Ele se defende, mas eu ainda o acerto, arranhando sua mandíbula o suficiente para ele sangrar até a morte. O outro tenta me pegar por trás, ergo o cotovelo e atinjo o nariz dele, ouvindo um estalo satisfatório.

O terceiro deles consegue me segurar pelo braço, mas eu torço o corpo, uso a própria força dele contra ele e o derrubo de costas, arrancando todo o ar de seus pulmões. Estou ofegante, esgotada e não sei por quanto tempo mais vou durar.

Mas me sinto satisfeita ao ver os danos que causei nesses filhos da puta. 

Eles começam a perceber que não sou uma presa fácil. Noto quando os olhos de um deles ficam brancos e eu enrijeço. Ele estava se comunicando mentalmente com alguém. Não demoro para descobrir que esse covarde tinha pedido reforço. 

“Tão fracos…” Zombo, cuspindo o sangue no chão e sorrindo para os outros quatro que chegaram. “Derrubados por uma garotinha.”

Sinto que atingi o ego do primeiro renegado que chegou até mim, pois ele avança cegamente, e eu o derrubo sem muito esforço. Assisto o sangue jorrar de sua jugular com satisfação. 

Mas minha alegria não dura muito, sinto uma leve picada no pescoço. Coloco a mão e percebo que fui atingida por um dardo de beladona. Olho em volta, já me sentindo zonza, e vejo vagamente o homem se aproximando. Não consigo ver os traços de seu rosto, mas sei, sem dúvidas, que ele é o líder. Sua aura é forte e sufocante. 

Um Alfa…

Meus joelhos cedem e eu caio no chão com um baque. Lux já não me responde mais. “Você é uma coisinha selvagem.” Ele murmura, acariciando a minha bochecha. 

Sinto, enfim, as lágrimas caírem de meus olhos quando a última coisa que vejo no meu campo de visão é o corpo da minha mãe na terra fria.

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