CAELI
A porta estava aberta.
Uma parte dentro de mim zombava me dizendo que eles faziam isso por que sabiam que eu nunca iria fugir. Essa parte vinha do lugar onde minha mente sempre se lembrava do vínculo.
Mas outra parte, uma pequena, quase inexistente, realmente se perguntava se aquilo não era uma prisão de verdade. E sempre que ela aparecia, eu fazia questão de esmagá-la para não criar esperança. Não queria deixar isso crescer dentro de mim.
Não sei se suportaria ter ela arrancada de novo.
Só que Nina continuava vindo me ver. Trazendo comida cada vez mais sólida, mais saudável, mais gostosa. E cada vez que ela aparecia, eu tentava não criar algum tipo de vinculo, qualquer tipo de afeição, mas depois de passar tanto tempo em meio as torturas para comer naquele inferno, o mínimo cuidado que ela tinha comigo fazia meu coração amaciar que nem massa de pão.
Eu estava carente.
O quarto era grande, confortável demais, com uma janela que deixava a luz quente do sol entrar. Sem grades, sem