Capítulo 2

Estavam na estrada havia pouco mais de uma hora… e já tinham parado duas vezes.

Tudo porque Amanda havia visto algo “imperdível” pela janela — e Beverly, como sempre, decidiu que aquilo precisava ser eternizado.

— Alguém tira essa câmera da mão dela, por favor… — resmungou Liane, apontando para a loira, que agora se equilibrava no alto de uma pedra, completamente sem noção.

— Mas foi você quem colocou ela como responsável por registrar a viagem — Amanda rebateu, escondendo o sorriso que claramente não conseguia segurar.

Olívia concordou em silêncio, com um leve aceno de cabeça.

Liane revirou os olhos.

— Se arrependimento matasse…

As três ouviram.

E, como esperado, começaram a rir.

— Tá bom, chega! — Liane ergueu um pouco a voz, cruzando os braços. — Qual é a primeira parada oficial? Já que, aparentemente, fizemos DUAS antes dela…

Ela enfatizou o “duas” só para ver se Beverly captava a indireta lá de cima.

Nenhum sinal de melhora.

Com um suspiro resignado, Liane voltou a atenção para frente.

Olívia pegou o celular e conferiu o trajeto. Poucos segundos depois, virou a tela para ela.

— Lake Louise, em Palmer. A reserva pra hoje já está confirmada.

— Eu só quero chegar logo… — Amanda soltou, deixando a cabeça cair para trás. — Termas, água quente, spa… eu preciso disso.

O suspiro que escapou dela foi quase coletivo.

Aquele lugar vinha sendo assunto entre elas há meses.

Lake Louise.

Diziam que as águas eram tão limpas que pareciam irreais — cristalinas, calmas, com pedras lisas no fundo e peixes deslizando como se fizessem parte de um cenário mágico. Ao redor, árvores altas, montanhas imponentes, neve cobrindo os picos…

E, nas noites de lua cheia, o reflexo prateado dançava sobre a superfície do lago.

Perfeito demais.

Bonito demais.

Quase impossível de ser real.

Talvez fosse exatamente isso que mais atraía.

Elas queriam ver com os próprios olhos.

Sentir.

Testar.

Descobrir se tudo aquilo passava de exagero turístico… ou se havia, de fato, algo especial ali.

Sem falar nas promessas — meio absurdas, meio tentadoras — de efeitos curativos.

Não que precisassem.

Mas… por que não?

E, claro, sempre existia a dúvida:

Fotos reais… ou photoshop bem feito?

Minutos depois, voltaram para o Chevrolet Tahoe e seguiram viagem.

O carro tinha sido uma escolha estratégica — espaçoso, resistente, preparado para qualquer tipo de estrada. Perfeito para o tipo de aventura que queriam viver.

E, no fundo, também servia como uma espécie de “consolo” para as famílias.

A notícia da viagem não tinha sido bem recebida.

Repentina demais.

Impulsiva demais.

Mas, se não fosse assim, nenhuma delas sairia de Tok.

Então foram.

Com promessas vagas de manter contato.

E Beverly, claro… exagerando em cada atualização.


Momentos mais tarde…


— Próxima saída à esquerda — anunciou Beverly, com o mapa aberto nas mãos e um ar de autoridade completamente questionável.

Desde que Olívia mexera no GPS, o aparelho simplesmente surtara, começando a falar em uma língua que nenhuma delas reconhecia.

— Por aqui a gente chega mais rápido.

Liane soltou um riso curto, desacreditado.

— Claro… totalmente confiável. Aposto que isso não tem nada a ver com o tempo que você perdeu nas suas sessões fotográficas, né?

Beverly não respondeu.

Apenas enfiou o rosto no mapa, fingindo uma concentração profunda — como uma criança tentando escapar da bronca.

E aquilo, por algum motivo, só tornava tudo ainda mais suspeito.

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